Zhang Ziyu: WNBA olha para a menina de 2,20m que quer levar o basquetebol a mais crianças chinesas
O basquetebol feminino mundial tem os olhos postos em Zhang Ziyu, a jovem de 19 anos que já se tornou a atleta mais alta da história da modalidade, e que já chamou a atenção da lenda Yao Ming.
Num seminário realizado em Macau para jovens entre os 11 e os 14 anos, a jovem poste de 19 anos causou enorme entusiasmo, com dezenas de participantes a correrem para conseguir autógrafos e fotografias. O evento decorreu no contexto dos encontros de pré-época da NBA entre os Houston Rockets e os Dallas Mavericks.
«O basquetebol deu-me muitas experiências diferentes, desde que era pequena», partilhou a atleta, que em setembro ajudou a seleção chinesa a alcançar os quartos de final do Campeonato do Mundo — onde integrou a lista de nomeadas para Melhor Jogadora — e arrecadou a medalha de bronze nos Jogos Asiáticos disputados no Japão.
Embora enfrente críticas pela falta de mobilidade, lentidão e dependência de lançamentos curtos sem impulsão, a jovem assume a sua principal mais-valia com naturalidade: «É muito importante, logo desde o início, identificarem aquilo que vos dá vantagem. A minha vantagem, obviamente, é a minha altura.» Filha de basquetebolistas — com a mãe a ter representado a seleção chinesa —, Zhang recordou que cumpre planos de treino profissional desde os sete anos.
Contudo, a realidade de Zhang Ziyu é considerada excecional por Yao Ming, antiga figura maior da NBA e presidente da federação de basquetebol da China entre 2017 e 2024. Questionado pela agência Lusa sobre a relutância de muitos pais chineses em relação à prática desportiva dos filhos, problema apontado por alguns jovens no seminário, o antigo poste apelou a uma mudança de perspetiva. «Eu também sou pai. Tenho uma filha. É necessário analisar a questão na perspetiva de um treinador, de um dirigente de basquetebol e de um pai», começou por apontar Yao Ming, sublinhando a enorme adesão à modalidade no país: «Antes de mais, o basquetebol é o desporto mais popular na China, tanto entre os rapazes como entre as raparigas. Temos um grande potencial e grandes talentos.»
Ainda assim, o antigo dirigente admitiu os obstáculos existentes: «Na minha opinião, o interesse é o principal fator para o desenvolvimento de qualquer criança. Se o basquetebol realmente desperta o interesse delas, então devemos apoiá-las. Precisamos de encontrar a melhor forma de os ajudar a atingir o seu limite. Ainda há um longo caminho a percorrer e vamos precisar de muitos recursos.»
Essa barreira cultural foi igualmente assinalada por DeVonne Iao, vice-presidente sénior da Sands China, que referiu que «os pais chineses normalmente só se concentram nos resultados académicos», lembrando que rumou aos Estados Unidos aos 12 anos para estudar: «Não tive oportunidade de experimentar coisas diferentes, como vocês.»
O talento e a envergadura de Zhang não passam despercebidos além-fronteiras. Dawn Smyth, vice-presidente da NBA, perspetiva um futuro brilhante para a jogadora: «Vão vê-la em ação durante muitos anos, aqui e provavelmente também no estrangeiro, na WNBA».