SC Braga não segurou vantagem diante dos leões. Foto: Peter Spark / PhotoReport (SC Braga-Sporting)
SC Braga não segurou vantagem diante dos leões. Foto: Peter Spark / PhotoReport (SC Braga-Sporting)
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Um SC Braga de duas caras

Ecos da Pedreira é um espaço de opinião quinzenal da responsabilidade de Diogo Costa, Médico interno de Psiquiatria e associado do SC Braga

Diz-se muitas vezes no futebol que a cara de quem ganha não é igual à de quem perde. Mais preocupante que isso são as duas caras que o Braga de 2026/2027 tem apresentado.

O jogo da passada sexta-feira, frente ao Sporting, era de extrema importância, conforme já tinha mencionado, e surgia num momento de dúvida, tanto pelas recentes exibições, como por se tratar de um regresso após uma prolongada pausa. Do lado de lá, a situação era também de alguma tensão, em virtude dos vários deslizes já registados, e o jogo arrancou espelhando isso mesmo. De parte a parte existia receio, respeito e vontade de não errar, pelo que a primeira parte foi dividida e nem sempre bem jogada. Já após alguns lances mal aproveitados, Huseinbašić colocou o Braga na frente e a exibição, aliada à vantagem no marcador, fazia acreditar que era possível sair por cima desta partida.

O regresso dos balneários para isso também contribuiu e, cedo na segunda parte, o Braga criou, e viu serem-lhe negadas, oportunidades de ampliar a vantagem. Ora por competência adversária, ora por incompetência da equipa de arbitragem, o resultado assim se foi mantendo. Aos 58 minutos, o treinador adversário colocou em campo três das principais figuras do seu plantel e a equipa da casa demorou a reagir. Oito minutos mais tarde, quando Vicens pretendia mexer, surgiu o golo do empate, o primeiro sofrido em Braga esta época, e um desnorte incompreensível e pouco visto em embates similares na época passada. A equipa tentou retomar o controlo do jogo, conseguiu voltar a ter mais bola, mas foi novamente traída pela sua incapacidade física na transição defensiva.

A permeabilidade foi crescendo e o reforço mais caro da história do adversário aproveitou. Daí seguiram-se minutos de demasiado conformismo, no campo e nas bancadas, que não são recomendáveis. O Braga dos 30 minutos finais mostrou uma cara substancialmente diferente da dos primeiros 60 minutos e a fadiga parece ter, novamente e incompreensivelmente, ditado isso mesmo. O objetivo do pódio parece cada vez mais longínquo e, nesta altura, até inatingível. Pelas debilidades que se têm notado, pela descaracterização da equipa e pela perceção de incapacidade de reação à adversidade, surge no horizonte mais uma temporada de uma conformada luta pelo quarto lugar.

Carlos Vicens vê crescer a contestação e tem pela frente uma série de desafios que, certamente, colocarão à prova a sua continuidade no clube, a começar já pela visita a Copenhaga. O objetivo europeu está na mira, mas não há espaço para lapsos. A somar a isso, perspetiva-se também um moroso processo de recuperação da confiança dos adeptos, que parecem mais e mais descrentes. Para tal, será necessário aumentar índices físicos e de consistência, que escasseiam nesta fase.

Aqui voltarei daqui a quatro partidas, sem saber em que estado se irá encontrar o clube. E daqui faço votos de confiança, desejando melhorias e estabilidade. Evitar o caos deve ser prioritário. O símbolo exige mais. Vamos a eles, rapazes.

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