Festa em polaco nos Barreiros - Foto: Gregório Cunha/LUSA
Festa em polaco nos Barreiros - Foto: Gregório Cunha/LUSA
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Um centímetro chega para um dragão obcecado (crónica)

Campeões nacionais estiveram a perder após erro invulgar de Diogo Costa, mas conseguiram a reviravolta com insistência, talento e ajuda do VAR. Marítimo desapareceu na segunda parte

Oito jogos, oito vitórias do FC Porto na Liga, início de campeonato sob o comando de Francesco Farioli ainda melhor que o da época passada (7V, 1E). Mais uma vez, o dragão ultrapassou um adversário com base no mais puro desgaste, a enésima demonstração de poder físico, anímico e, no caso, reativo à adversidade.

Na visita aos Barreiros, num relvado que apesar das melhorias face ao jogo com o Benfica continua medíocre, os campeões nacionais entraram a pressionar, mas sem um remate enquadrado, coisa que os madeirenses foram mais eficazes: Szalai atirou um disparo fora da área de pé esquerdo e contou com o invulgar erro de cálculo de Diogo Costa, ao confiar no golpe de vista numa bola que para ele seria relativamente fácil.

Aos 16 minutos, os dragões viam-se num inesperado desconforto que penalizava, também, a ausência de ideias. Aos 24', após uma boa jogada coletiva pelo lado direito, a formação dirigida por Van der Gaag esteve perto do 2-0, mas desta vez o dono da baliza foi mais eficaz a reter o cruzamento que destilava veneno.

Por cerca de 10 minutos ficou no ar a sensação de que o Marítimo pretendia controlar a partida com bola, mas aos verde-rubros falta quem pudesse esticar o jogo para criar roturas e ganhar espaço na zona central, onde os azuis e brancos não assumiam domínio absoluto. Porque Alan Varela e Inbeom estiveram num registo modesto.

Mas sobrava Froholdt, que mesmo em partidas de menor fulgor continua a jogar por dois. E foi ele a marcar o golo do empate, aos 42', na sequência de uma jogada de insistência pela direita e com os dois laterais a terem participação direta, prova de uma equipa a tenta enlear a outra - cruzamento de Alberto, cabeceamento de Francisco Moura, defesa de Vieites e recarga do dinamarquês.

Farioli percebeu que o meio- campo precisava de maior abrangência e agressividade. Ao intervalo tirou Alan Varela por Pablo Rosario, aumentando o músculo. O Marítimo quase deixou de jogar e o seu guarda-redes foi mantendo a equipa à tona com muitas intervenções de nível.

Mesmo com a agravante da perda de William Gomes por lesão (provocada pela garra do brasileiro na pressão ao guardião, torcendo o pé direito), o FC Porto, por obrigatoriedade, carregou ainda mais, mesmo que de forma previsível.

Samu rendeu André Silva, pedindo um futebol feito de maior profundidade e cruzamentos e a vontade foi feita: num dos muitos lançamentos feitos por Kiwior, Pietuszewski recebeu a bola na meia esquerda, derivou para o meio e mesmo pressionado atirou um remate em arco, belo e forte, aos 84'. De pronto o lance foi anulado por fora de jogo, mas o VAR mostrou que o internacional polaco estava um centímetro atrás do último defesa. A festa fez-se com delay e a ferros, mas para este dragão pragmático o timing ou a estética são meros detalhes abafados por uma enorme obsessão pela vitória.

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