Spalletti vai deixar a Juventus... resta saber quando
Apesar de a época se encontrar apenas em meados de outubro, o futuro do banco da Juventus está já sob discussão. A posição de Luciano Spalletti surge fragilizada perante dois cenários possíveis: uma eventual saída a curto prazo se o rendimento da equipa piorar nos próximos encontros, ou a sua substituição no final da temporada, não obstante a recente renovação contratual.
Num primeiro plano de urgência, caso não existam melhorias imediatas, a administração do emblema de Turim, adianta a Gazzetta Dello Sport, poderá ponderar uma medida drástica. Apesar de o administrador delegado Giovanni Carnevali ter expressado a intenção de continuar com o atual treinador, uma quebra acentuada de resultados abriria duas opções: avançar logo para um novo ciclo duradouro — cenário onde se perfila apenas Antonio Conte — ou recorrer a um técnico interino com contrato a termo certo, lista restrita onde Stefano Pioli surge como hipótese.
Caso a época se mantenha nos eixos pretendidos — com o apuramento para a Liga dos Campeões e trajetos longos na Liga Europa e na Taça de Itália —, a questão do sucessor será adiada para o verão. A não ser que ocorra um volte-face improvável que sustente a continuidade de Spalletti, Simone Inzaghi surge como um dos nomes mais fortes da lista para assumir o projeto a partir de junho, partilhando protagonismo com Conte, sobre quem recaem diferentes opiniões na estrutura do clube.
A candidatura de Inzaghi ganha força pela sua rápida capacidade de adaptação aos contextos, pelo historial de valorização de jogadores sem comprometer objetivos e pela sensibilidade às exigências institucionais da direção. Com passagens de destaque pela Lazio e pelo Inter, o técnico demonstrou habilidade na integração de jovens e no relacionamento com atletas consagrados, assumindo uma liderança firme dentro do balneário e protetora perante o exterior.
No percurso em Itália, Inzaghi conquistou uma Taça de Itália e duas Supertaças pela Lazio, além de um campeonato («scudetto»), duas Taças de Itália e três Supertaças ao serviço do Inter. No plano europeu, apesar dos desaires nas finais diante do Manchester City e do PSG — esta última envolta em polémica devido ao resultado e à saída imediata para a Arábia, após afastar Bayern e Barcelona —, o técnico deixou saldos positivos em Roma e Milão, aumentando a cotação dos plantéis e conjugando vitórias com retorno financeiro, fatores ideais para o projeto da Juventus.
A Juventus e Simone Inzaghi parecem caminhar para um casamento de conveniência mútua. O técnico italiano pretende regressar ao seu país após uma experiência de dois anos na Arábia Saudita ao serviço do Al Hilal, encontrando em Turim o palco ideal para uma nova e desafiante etapa na carreira, enquanto o clube de Turim vê no treinador uma escolha perfeitamente alinhada com a sua realidade atual.
Reconhecido pela capacidade de rentabilizar os recursos colocados à sua disposição, sem lamentar publicamente a ausência de reforços, Inzaghi destaca-se por uma postura institucional cuidada nas declarações públicas, sem abdicar da firmeza necessária nas reuniões internas da estrutura diretiva. O timoneiro está plenamente ciente do contexto financeiro da Juventus e da exigência de cumprir um período de sacrifícios assente em contratações cirúrgicas e inteligentes durante cerca de dois anos.
No plano salarial, o regresso do técnico poderá concretizar-se através de um ordenado adaptado à conjuntura orçamental dos bianconeri, complementado por prémios de rendimento mais elevados ligados ao sucesso do seu trabalho desportivo.
A fasquia em Turim apresenta-se superior e mais estimulante do que os desafios anteriores. Se na Lazio as expectativas eram moderadas e no Inter assumiu a herança vitoriosa deixada por Antonio Conte, na Juventus o objetivo primordial passa por devolver o emblema ao topo, reconstruindo uma imagem vencedora em Itália e no panorama internacional. Recorde-se que a Juventus não conquista um troféu europeu desde 1996 — ano a que se somou a Supertaça Europeia disputada no início de 1997.