Rui Borges no SC Braga-Sporting - FOTO: KAPTA+/Catarina Morais
Rui Borges no SC Braga-Sporting - FOTO: KAPTA+/Catarina Morais
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SC Braga-Sporting: no banco só é réu quem quer

O resultado do Sporting esteve por um fio, mas o jogo serviu de lição prática para mostrar que no banco mais do que egos medem-se colegas

Provavelmente, é um dos maiores debates da sociedade portuguesa nos últimos anos: o banco. Seja o público, o BES, o mau e o bom, o Novo Banco ou o de suplentes. Se calhar, alguém devia contabilizar as horas que se passa neste país a debater este último.

A última semana teve horas extra quanto ao banco da seleção nacional. Repare-se que não se falou muito da utilidade do banco num jogo de futebol. Não é muito percebido dessa maneira. Não é tanto visto como recurso tático, mas mais visto como medição de egos. Se este está no banco como reage, se não está como fica o outro. E, claro, é aí que se medem estatutos.

O Sporting conseguiu ontem, em Braga, uma reviravolta. O jogo esteve por um fio, com os leões, por momentos, à beira de um abismo: arriscaram na Pedreira uma desvantagem bem mais pesada do que o 1-0 com que os minhotos partiram em vantagem para o intervalo. Mas serviu, numa lição prática, para mostrar que no banco, mais do que egos, devem medir-se colegas.

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Podemos debater as opções iniciais de Rui Borges, como podemos debater todas as outras de um qualquer treinador em qualquer campo do mundo. Mas veja-se, o técnico do Sporting foi ao banco em Braga e encontrou lá o que qualquer treinador no seu perfeito juízo espera encontrar: soluções, comprometimento e a urgência de quem entra para mudar o destino de noventa minutos.

Esperava não escrever mais sobre o episódio de Ronaldo esta semana, mas o contraste com o circo mediático que envolveu a Seleção na mesma semana não podia ser mais óbvio.

Enquanto se gastaram horas de emissão a descortinar a psicologia de quem considera o banco uma afronta pessoal, alimentando a novela em torno de Cristiano Ronaldo, o SC Braga-Sporting lembrou-nos de uma verdade elementar no que toca ao futebol ou qualquer outro desporto coletivo: no banco de suplentes só é réu quem quer. Estar à disposição é uma premissa básica da profissão.

A vitória do leão em Braga, assente em soluções vindas do banco, acabou, ainda, por ter um efeito secundário.

Havia já quem estivesse a afiar a faca pensando em Rui Borges porque para alguns, criticar a gestão do técnico leonino poupava-os ao desconforto de ter de dobrar a espinha, mais uma vez, perante o dogma intocável de que a titularidade de certas lendas da seleção é um direito divino e inquestionável.

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