Joõa Henriques orientou os minhotos na época 2020/21. Registou nove triunfos, seis empates e dez derrotas em 25 jogos - Foto: IMAGO
Joõa Henriques orientou os minhotos na época 2020/21. Registou nove triunfos, seis empates e dez derrotas em 25 jogos - Foto: IMAGO
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Sair do Estádio da Luz três vezes seguidas sem perder? João Henriques fê-lo

Última ocasião em que o Vitória de Guimarães pontuou no reduto encarnado foi com o treinador de Tomar ao comando. Em 2020/21 empataram duas vezes

Em 2020/2021, o Vitória de Guimarães alcançou a proeza de empatar duas vezes no Estádio da Luz: primeiro (1-1), a 16 de dezembro de 2020, para a Taça da Liga — em que acabou por perder nas grandes penalidades — e depois (0-0), no dia 5 de fevereiro de 2021, a contar para o campeonato.

O treinador dos conquistadores era João Henriques, que recorda agora, em entrevista exclusiva a A BOLA, as «duas partidas obviamente difíceis», mas «muito diferentes»: «Até por serem competições distintas. Na Taça da Liga não estavam pontos em jogo, mas sim o acesso à final four, enquanto no campeonato somar um ponto na Luz seria bom. Fomos uma equipa diferente, mas conseguimos fazer um jogo igualmente bastante positivo.»

«No primeiro, estivemos em vantagem e apresentámo-nos muito bem. Depois, já perto do final, concedemos o empate através de uma grande penalidade que cometemos de forma algo escusada, mas que aconteceu. Estávamos a fazer um jogo muito bom e essa vantagem dar-nos-ia acesso à final four. No campeonato, foi muito diferente. Conseguimos bloquear o favoritismo do Benfica. Não houve tantas peripécias nas áreas. Foi um jogo muito mais fechado, onde estivemos muito bem a nível defensivo, embora menos bem ofensivamente, já que não conseguimos marcar», compara.

Cinco temporadas depois, a formação da cidade-berço não voltou ainda a sorrir no reduto dos encarnados.

Antes desses dois encontros, a última vez que o técnico natural de Tomar se havia apresentado naquele palco tinha sido na época anterior, ao serviço do Santa Clara. Nessa ocasião, com os insulares, ainda fez melhor: venceu por 4-3. «Foi uma sequência muito boa de resultados na Luz, a nível pessoal. Relativamente ao Vitória, fez parte de uma primeira volta fantástica, que foi das melhores do século do clube. Isso reflete o que foi essa excelente sequência, com jogos muito interessantes da nossa parte na Luz», enaltece.

Sem sofrer e sem… «segredos»

Sobre o duelo que encerrou a primeira volta da edição 2020/2021 da Liga para águias e minhotos, salta à vista o facto de ter sido o único em que (em dez já disputados) João Henriques não consentiu golos em casa do Benfica. Segredos? Não há. Ingredientes? «Compromisso» e «sorte».

«Estrategicamente, as coisas correram bem. Obviamente que jogar num estádio como a Luz e não sofrer golos é sempre difícil. No entanto, nesse dia fomos exemplares no que tocou ao compromisso de todos os jogadores para evitar que o Benfica tivesse muitas ocasiões. Em segundo, tivemos aquela pontinha de sorte necessária para não sofrer», explica, voltando a reforçar, ainda assim, que o mais importante foi «ter a equipa muito forte e empenhada no momento defensivo».

Desde o Vitória, João Henriques ainda não voltou a ser feliz na Luz - Foto: IMAGO

«As coisas correram-nos bem, mas não há segredos específicos. Quando planeamos um jogo destes, temos de ser exemplares. E, mesmo assim, poderá não ser suficiente para não sofrer, porque, individual e coletivamente, o Benfica tem sempre capacidade para criar oportunidades de golo. Aconteceu também nesse jogo, mas aí houve mérito nosso para evitar sofrer», lembra.

«A grande lacuna foi não termos conseguido ferir mais o Benfica no ataque, como tínhamos feito na Taça da Liga», analisa o treinador que, depois de ter terminado a época passada no Aves SAD, procura agora «um projeto que junte o perfil da equipa técnica com os objetivos do clube, para que surja o chamado casamento perfeito».

«Não parámos de trabalhar. Estamos a preparar-nos, mas já começa a surgir o bichinho e a vontade de voltar a treinar», admite, revelando que, «felizmente, têm surgido abordagens que só não se concretizaram porque não eram o ideal para ambas as partes». 

'Gracinhas' todas sem adeptos na Luz

A sequência de três baldes de água fria aplicados na Luz aconteceu num momento muito particular: entre 2020 e 2021, quando o mundo sentia as consequências das interdições provocadas pela pandemia da Covid-19.

Como tal, as gracinhas de João Henriques na catedral encarnada foram todas sem adeptos e o timoneiro faz questão de vincá-lo: «Recordo duas partidas fora do contexto habitual que é a Luz.»

Ainda assim, «da mesma forma» que considera que isso possa ter sido um fator a favor do Vitória, o técnico lembra que as bancadas do D. Afonso Henriques estiveram igualmente despidas durante muito tempo, o que teve implicações no sucesso dessa temporada: «Foi um fator importante, pois a força do Vitória parte muito por aí . Os adeptos são uma ajuda tremenda. Logicamente, o Benfica também é mais forte com os seus adeptos em casa. Se o estádio estivesse cheio, as coisas seriam mais difíceis, com toda a certeza.»

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