Ruben Amorim: «Gonçalo Ramos? Tenho de me concentrar no bem da equipa»
O Milan prepara-se para regressar à competição após a paragem para os compromissos internacionais e Ruben Amorim quer a equipa focada para um calendário exigente. Na antevisão à deslocação ao terreno do Sassuolo, perante o olhar atento do proprietário Gerry Cardinale — que assistiu à conferência de imprensa com um boné vermelho com a inscrição «Make Milan Great Again» —, o técnico português apontou baterias à melhoria da eficácia ofensiva e projetou a maratona de sete partidas em 20 dias, que culminará no dérbi frente ao Inter.
“Make Milan Great Again”, il cappellino alla #Trump di #Cardinale 🔴⚫️ Gerry Cardinale è uscito da Milanello indossando un cappellino che ha ricordato quello del presidente degli Stati Uniti, Donald Trump (Make America Great Again). https://t.co/inJzqCikYL
— Sportitalia (@tvdellosport) October 10, 2026
«Agora temos de acelerar», vincou Ruben Amorim, desvalorizando o impacto das três semanas de interrupção: «Não sei dizer se foi positivo ou negativo parar durante tanto tempo, depende sempre do momento da equipa. Quem tinha lesionados, por exemplo, teve mais tempo para recuperar. Tivemos muitos internacionais, que jogaram e estiveram bem, mas depois há o caso de De Winter, que não somou minutos e esteve 20 dias sem poder treinar no limite. O mais importante é que os meus jogadores estão muito felizes por regressar.»
Apesar da ausência de Saelemaekers por lesão, Amorim destacou o regresso de futebolistas moralizados, como Jashari, Gonçalo Ramos e Diego Moreira, além do trabalho específico desenvolvido por Hutchinson em Milanello. Confrontado com a veia goleadora de Gonçalo Ramos na Seleção de Portugal, o treinador foi pragmático.
«O Gonçalo marca por Portugal e aqui não? Tenho de me concentrar no bem da equipa e não neste ou naquele jogador. É claro que temos de criar mais oportunidades e colocar mais bolas na área, mas não apenas para o Gonçalo Ramos. O meu objetivo é ganhar jogos», sublinhou, admitindo insatisfação com a produção ofensiva da equipa: «Não me escondo a dizer que até agora marcámos dez golos. Temos de fazer melhor, criar mais ocasiões de perigo e não estou satisfeito com o nosso momento ofensivo e com as oportunidades geradas.»
No plano tático, Ruben Amorim recordou a transição da linha de três centrais para uma defesa a quatro utilizada diante do Lecce. «Vi mais dinâmica, sobretudo na primeira fase de posse de bola. A ideia surgiu após o jogo frente ao Benfica, mas depende sempre do adversário e do momento. O importante é os jogadores saberem que podemos jogar com três ou com quatro elementos atrás», referiu, mantendo o segredo para o duelo com o Sassuolo, que é orientado pelo ex-jogador do Sporting Aquilani.
«Lembro-me de quando veio jogar para o Sporting. Foi orientado por Jorge Jesus, que também foi meu treinador durante sete anos. O Alberto era um jogador muito inteligente, um médio, e não me surpreende que se tenha tornado treinador. Tem uma visão moderna do futebol, noto parecenças com De Zerbi. É muito competente a subir a pressão quando necessário e a posicionar-se em bloco médio noutras ocasiões; antevejo-lhe um grande futuro.»
Ruben Amorim vai ainda reencontrar Nemanja Matic, antigo companheiro no Benfica: «É um jogador de alto nível e uma pessoa excepcional. Passei muito tempo com ele e conversávamos bastante, até porque eu era dos poucos que conseguia comunicar com ele. A velocidade já não é a mesma, mas a inteligência mantém-se. Acrescenta imensa experiência à equipa, tanto no ritmo do jogo como no passe vertical e na capacidade de desarme.»
A fechar, perante uma questão sobre o mercado de transferências e o nome de Endrick, Ruben Amorim remeteu a resposta em tom bem-humorado para o líder da RedBird: «Podem perguntar ao senhor Cardinale ali no fundo da sala [risos].» O dirigente norte-americano não se esquivou e atirou: «Investi 50 milhões do meu bolso no verão pelo Diego Moreira e estou satisfeito, agora veremos.»