Benfica marca muitas vezes no início — é mesmo assim?
Com um penálti à Panenka que provocou tanto espanto quanto entusiasmo na Luz, Jhon Durán abriu o caminho à segunda vitória do Benfica na Liga Europa, em igual número de jogos. Estavam completados apenas cinco minutos do jogo com o Celtic e já os encarnados, insaciáveis na primeira parte, estavam em vantagem. O cenário tem sido comum esta época, especialmente em casa, como assinalou Marco Silva.
«Foi uma vitória totalmente justa, com excelente entrada no jogo e golo cedo, que ajuda sempre. Mas tem acontecido com regularidade. Mesmo em alguns jogos fora», disse o treinador do Benfica logo no arranque da conferência de Imprensa depois do jogo com o Celtic.
O suspense que durou menos que um fósforo até a bola entrar na baliza não só reforçou a confiança da equipa como também desfez qualquer sinal de ansiedade antes de um jogo europeu. Aconteceu, como já se disse, na maioria dos encontros na Luz — esta época o Benfica marcou cinco dos 27 golos em casa nos primeiros 15 minutos, o que representa 18,5 por cento do total. O Celtic juntou-se, pois, a outras vítimas, nomeadamente St. Gallen, Hearts, Académico de Viseu e Aarhus, cujos guarda-redes tiveram de ir buscar a bola à baliza antes de se completar um quarto de hora. Só Estoril, Gil Vicente e V. Guimarães não sofreram nos primeiros 15 minutos, mas também não escaparam até ao intervalo.
O Benfica, na Luz, marcou quase os mesmos golos na primeira (14) do que na segunda (13) parte, mas se o início é positivo os últimos 15 minutos ainda são melhores. Com o golo de Pavlidis, anteontem, aos 89 minutos, são já seis no total de 27, o que representa 22,2 por cento. Foi no último quarto de hora, por exemplo, que o Benfica selou a vitória sobre o Gil Vicente — com igualdade a 1-1, Pavlidis, de penálti, e Prestianni assinaram os golos que selaram o triunfo sobre os minhotos.
Os quatro golos marcados ao Celtic refletem, também, a capacidade goleadora da equipa no ninho da águia. Esta época, a média supera os três golos por jogo (3,4) — Hearts (6-1) e St. Gallen (5-0), ainda no acesso à fase de liga da Liga Europa, foram os mais castigados.
Nos jogos fora, a média desce para 2,8 golos por jogo (22 em oito jogos), elevada pelas goleadas ao Casa Pia (7-0), em Rio Maior, e Moreirense (4-0), no Minho. O Benfica marcou três dos 22 golos nos primeiros 15' dos jogos fora (13,6 por cento), mas a equipa é especialmente concretizadora no primeiro quarto de hora das segundas partes. Entre os 46 e 60', longe da Luz, o Benfica soma 10 golos, perto, como tal, dos 50 por cento, mais concretamente 45,5 por cento.
O Benfica marcou, esta temporada, em todos os jogos e não sofreu em seis dos 16, quatro dos quais fora de casa e dois na Luz (St. Gallen e V. Guimarães). Sofreu, no total, 13 golos em 16 jogos (0,8 por jogo).