João Matos é uma das referências do futsal português - Foto: IMAGO
João Matos é uma das referências do futsal português - Foto: IMAGO

Profissionalizar para crescer: o próximo passo das modalidades

Liga para Todos é o espaço de opinião de André Mosqueira do Amaral, Diretor Executivo da Liga Portugal

Há momentos na evolução de uma indústria em que a pergunta deixa de ser se e passa a ser quando. No caso das modalidades como o futebol feminino, o futsal e tantas outras, estamos exatamente nesse ponto: o momento de dar o salto definitivo para a profissionalização.

Profissionalizar não é apenas conferir estatuto. É elevar padrões de qualidade, garantir sustentabilidade e assumir ambição. Quando um atleta se dedica em pleno, os efeitos tornam-se evidentes: maior intensidade competitiva, evolução técnica mais rápida e um espetáculo mais apelativo para quem acompanha.

Mas o impacto não se esgota no rendimento desportivo. A profissionalização dinamiza todo o ecossistema. Atrai investimento, gera emprego qualificado e impulsiona áreas como a saúde, a formação e o marketing. Cada modalidade que dá este passo afirma-se também como setor com potencial económico.

Há, igualmente, uma dimensão social relevante. Modalidades mais estruturadas criam referências, inspiram e promovem inclusão. No futebol feminino, representam um sinal claro de igualdade de oportunidades. No futsal, modalidade de forte expressão em Portugal, permitem reter talento e reforçar a competitividade nacional.

Neste percurso, as Sociedades Desportivas assumem um papel decisivo. São elas que organizam, investem e criam condições para um crescimento sustentado. Ao avançarem com a profissionalização, não estão apenas a desenvolver equipas, estão a construir valor duradouro para as comunidades que representam.

É também uma questão de responsabilidade. As Sociedades Desportivas têm hoje a capacidade (e, diria, o dever) de liderar este avanço. Porque o retorno não é apenas económico. É reputacional, é social, é cultural. É contribuir para uma sociedade mais ativa, mais inclusiva e mais saudável.

Ao futebol profissional masculino, que já percorreu este caminho, cabe continuar a elevar o padrão e facilitar essa evolução. Partilhar conhecimento, criar sinergias e acelerar processos será determinante para que outras modalidades avancem com maior solidez.

Num contexto em que o desporto concorre com múltiplas formas de entretenimento, a profissionalização é também uma condição de relevância. Portugal tem talento, tradição e paixão. Falta, sobretudo, escala. E essa constrói-se com visão, investimento e decisão.

Profissionalizar as modalidades não é um custo, mas sim um investimento no futuro. Um futuro onde o desporto não é apenas competição, mas também desenvolvimento económico, coesão social e orgulho coletivo. E esse futuro começa agora!