Pedro Emanuel defende guarda-redes Léo Jardim após erro: «Não o vou abandonar»
Depois da eliminação nas meias-finais da Taça Sul-Americana frente ao Boca Juniors, no Maracanã, Pedro Emanuel fez questão de salientar o orgulho pelo percurso construído pelo Vasco da Gama. O técnico português, que estava confiante na conquista do troféu depoisda vitória na Argentina na primeira-mão, analisou a derrota com pragmatismo e saiu em firme defesa do guarda-redes Léo Jardim, que errou no terceiro golo, assegurando a sua titularidade no próximo encontro.
🌎🇧🇷 NO SE ENTIENDE LA PIFIA DEL PORTERO LEO JARDIM Grosero error en el gol de Leandro Paredes, que está significando la eliminación de Vasco da Gama ante Boca Juniors ❌ https://t.co/uQZoQHFelo
— Ligas Top del Fútbol (@LigasTopFutbol) October 21, 2026
«Acho que começam a conhecer-me. Não dou respostas emocionais, mas sim racionais. Em função da minha racionalidade, analisarei este jogo de forma autocrítica. Mas ainda temos muitos jogos e muito trabalho pela frente. Levo desta competição algo que esta equipa conquistou: quando chegámos, há três meses, esta era uma prova desacreditada e descartada. Hoje, esta equipa mostrou algo que deve deixar os nossos adeptos, a nossa estrutura e a mim, sobretudo, muito orgulhosos», sublinhou o treinador luso, recordando que o triunfo anterior na Bombonera mantinha vivas as aspirações de atingir a final.
O desaire caseiro ficou marcado por desatenções defensivas fatais. Di Lollo abriu a contagem logo aos dois minutos, num lance que desfez o plano tático inicial do conjunto carioca. Merentiel dilatou a vantagem do Boca Juniors após erros de Sosa e Saldivia na transição defensiva, antes de Leandro Paredes, aos 88 minutos, fixar o resultado com um remate de fora da área que surpreendeu Léo Jardim.
«Podem criticar os jogadores, mas sei que o erro individual se supera com a entreajuda coletiva. Sofremos um golo aos 88 minutos em que o Léo podia ter feito mais, mas estamos aqui para apoiar. Já nos salvou imensas vezes. Não vou abandonar o Léo e garanto que é ele quem vai jogar no sábado. Protegemo-nos uns aos outros. É um grande profissional, um grande homem, um dos capitães de equipa e uma referência que tem correspondido», garantiu Pedro Emanuel.
Ao dissecar o desenrolar do desafio, o timoneiro português lamentou a falta de eficácia e a intranquilidade do primeiro tempo, mas valorizou a atitude demonstrada na etapa complementar.
«Sofremos um golo aos dois minutos fruto de erros individuais, o que faz parte do futebol. Na primeira parte fomos quem mais errou e fomos penalizados. O Boca não fez uma partida extraordinária, mas aproveitou os nossos erros técnicos e falhas emocionais. No minuto seguinte tivemos uma oportunidade clara para empatar e não conseguimos concretizar. Nos três erros que cometemos, consentimos dois golos», apontou.
Na segunda parte, as alterações promovidas pelo técnico deram maior fulgor à equipa: «O que levo deste jogo é que a equipa não baixou os braços. Quem entrou trouxe uma nova energia e dinâmica. Conseguimos ser mais agressivos, marcámos um golo e o jogo esteve em aberto. Ninguém está em fim de ciclo. É um dia doloroso para todos nós, mas lutámos até ao fim. Custa aceitar, contudo há que dar os parabéns ao adversário, que foi mais eficaz a converter as oportunidades», rematou.
O Vasco viu terminar o sonho de alcançar a final após o desaire diante do Boca. Apesar da eliminação nas meias-finais com uma derrota por 2-0 no Maracanã, o treinador Pedro Emanuel fez questão de defender o grupo de trabalho, garantindo que «ninguém está em fim de ciclo» e apontando de imediato ao confronto decisivo do próximo sábado com o Corinthians.
Na análise à partida, o técnico português destacou a reação da equipa no segundo tempo e lamentou os erros iniciais que ditaram o rumo dos acontecimentos.
«Não é fácil entrar num jogo com o Boca, estar a perder por 2-0 em nossa casa e fazer a segunda parte que fizemos. Não há justiça ou injustiça, há o resultado. Acho que merecíamos mais. Senti um orgulho enorme, e todos os nossos adeptos também. Fizemos uma boa prova. Queríamos estar na final», começou por sublinhar.
Pedro Emanuel explicou os lances capitais do encontro, abordando o estado do relvado, a desconcentração numa bola parada e o golo decisivo de Paredes:
«Toda a gente sabe... é uma trajetória da bola, que estava escorregadia, o relvado é novo... mas poderíamos ter feito melhor. Poderíamos ter começado melhor no pontapé de canto. Têm jogadores fortes, um deles fez golo. Erro nosso. Vem uma situação nossa em que podemos empatar e não fazemos. Começámos a precipitar-nos, com e sem bola. Pressionámos mais alto e o Boca começou a lançar nas alas. Permitimos ao adversário ser melhor do que era na realidade. Faltou agredir mais a baliza do adversário.»
«Na segunda parte o Boca fez menos remates. Sabemos que o Boca é diferente com Paredes e sem Paredes. O Boca quer mais a bola quando tem o Paredes por dentro, e no único momento em que o libertámos, faz o golo que decide uma meia-final. As alterações que fizemos ao intervalo deram logo resultado. Fomos mais serenos e os nossos remates foram superiores, mas não foi suficiente», completou.
O treinador vincou ainda a importância da maturidade adquirida perante cerca de 60 mil espetadores no Maracanã, alertando para a necessidade de o clube resgatar a sua identidade vitoriosa.
«Só ganhamos maturidade a disputar este tipo de jogos. Há alguns anos não estávamos presentes em fases destas e alguns jogadores não tinham essa vivência. O Vasco é um clube com uma tradição e uma história riquíssimas, mas que tem estado longe disso. Temos de voltar a ter essa mística para lutar por troféus», frisou.
Com o foco a virar-se agora para a luta pela permanência, Pedro Emanuel apelou à união antes do duelo frente ao Corinthians.
«É sem dúvida um jogo fundamental para nós e para o Corinthians. Estamos os dois na mesma situação. Jogamos em casa e tenho a certeza absoluta de que os nossos adeptos não nos vão abandonar. Hoje temos de chorar pelas expectativas que tínhamos e não aconteceram, mas no sábado temos de voltar a ser competitivos», concluiu.
Em análise ao momento da equipa e às exigências competitivas, a pressão inerente ao clube foi colocada em destaque, com um aviso claro quanto à postura necessária para representar a instituição. O foco mantém-se jogo a jogo, estando já a atenção virada para o próximo embate frente ao Corinthians, após uma partida disputada diante do São Paulo.
«Quem não quiser pressão, não pode estar no Vasco. Já estivemos na zona de despromoção... quem não quiser pressão, não venha para o Vasco. A pressão não é só dos adeptos, é a capacidade que temos para demonstrar a qualidade de jogo que temos apresentado. Mesmo contra o São Paulo, acho que criámos situações para empatar o jogo, fomos competitivos frente a uma equipa forte em casa. Olhando para isso, vamos olhar jogo a jogo. O mais importante é o Corinthians, porque é o próximo», sublinhou.
O percurso recente no Campeonato Brasileiro mereceu também uma avaliação positiva, apesar do calendário exigente e do desgaste acumulado nas várias frentes competitivas.
«Quando fui apresentado disse que tínhamos três frentes e que íamos disputar as três frentes. A mais difícil era o Campeonato Brasileiro, e era a essa que íamos dar mais importância, entre aspas. Damos importância à conquista de troféus e temos um campeonato onde temos de fazer a nossa parte. Nos últimos cinco jogos somámos 10 pontos. Se essa média continuar, naturalmente que dá uma noção do trabalho que estamos a realizar. É isso que vamos valorizar jogo a jogo», frisou, acrescentando: «Não vou retirar a ambição daquilo que queremos. Fomos competitivos e isso tem de ser motivo de orgulho. Vai ser uma luta até ao fim.»
A gestão das substituições e o desfecho amargo
Relativamente às opções durante a partida e às alterações efetuadas, foi detalhado o impacto físico nos atletas, nomeadamente a saída de PH e a entrada de Puma, além das situações de Jair, Sosa, Lescano e Cuiabano, numa fase em que o desempate por grandes penalidades parecia o cenário mais provável.
«Tivemos a situação do PH, que estava desgastado devido a um choque e ficou debilitado. Procurávamos atacar mais e fazia sentido a entrada do Puma, que nos devolveu a esperança. Ter cinco substituições pode ser benéfico em determinado momento e deixar de o ser a partir de outro. O Jair deu lugar ao Sosa, que até fez um jogo extraordinário mas estava cansado, e o Lescano entrou no final numa situação de desespero. Estávamos a controlar e aconteceu o inesperado, com um remate de 40 metros que resultou em golo. Faltavam quatro ou cinco minutos e teríamos depois os penáltis, onde tínhamos vários jogadores capacitados», explicou.
O desempenho estatístico e a postura em palcos exigentes, como a Bombonera ou o Morumbis, foram igualmente abordados:
«Estas estatísticas estão desvirtuadas face ao que foi o jogo. Tivemos uma situação com o Adson e outra semelhante à do Boca num pontapé de canto, com o Thiago a aparecer sozinho na área. Faltou serenidade, personalidade e experiência para pausar o jogo com bola. Na Bombonera ou no Morumbis, no reduto de um dos melhores visitados, tivemos mais 50% de remates. Merecíamos um final melhor», avaliou.
Dinâmica ofensiva e estratégia tática
Por fim, a ideia coletiva de ataque foi vincada, recusando a dependência exclusiva de um ponta de lança e valorizando o envolvimento de múltiplos elementos na finalização, tal como sucedido diante do Coritiba.
«Olho para o Bruno Duarte como um homem de área, mas a intenção quando lá chegamos é ter o 8, o 11, o 7 e o 10. Não é só o Bruno Duarte que marca, marcam também o Gómez, o Colidio, o DVD, o Thiago e o Lescano. Como se viu contra o Coritiba, muitas equipas têm um camisola 9 que marca quatro golos num triunfo por 5-0; nós temos cinco jogadores a marcar quando vencemos por 5-0», destacou.
No plano estratégico individual, foram ainda justificadas as movimentações frente a adversários específicos: «A ideia de colocar o DVD prendia-se com o facto de poder atrair o Di Lollo, que é forte no jogo aéreo mas tem dificuldades no um contra um fora da sua zona de conforto, enquanto o Adson podia flutuar e prender o Battaglia. Na segunda parte invertemos com o Brenner e o Marino. Foi uma opção da minha responsabilidade», concluiu.
Apesar da desilusão sentida no balneário após ter ficado às portas da final, o sentimento que prevalece no Vasco é de orgulho pelo trajeto percorrido e pela atitude demonstrada pelo plantel ao longo da época.
«Se fôssemos a ver, se há equipa com tradição nesse sentido, é o Boca. O nosso registo é de equilíbrio, mas de ambição em todos os momentos. Não nos correu bem na primeira parte», começou por salientar, antes de abordar o estado de espírito do grupo de trabalho.
«A principal lição foi quando vi a desilusão no balneário. Foi um enorme orgulho aquilo que construímos praticamente do zero. De uma competição em que estávamos em terceiro plano e quase chegámos à final. Portanto, acho que revela bem o que este grupo tem de bom, a ambição que tem demonstrado. Nunca viraram a cara à luta, em momento algum», frisou.
O foco competitivo estende-se a todas as frentes, rejeitando qualquer facilitismo decorrente das dificuldades sentidas no Brasileirão: «Poderia ter-me aconselhado com eles e dito: "Estamos com dificuldades no Brasileirão, vou separar", mas não. A ideia foi sempre a mesma: temos três competições, vamos lutar pelas três. Essa é a grandeza do Vasco; o resto não me preocupa minimamente.»
O olhar já está colocado no próximo compromisso de sábado, perspetivando-se um duelo de elevada exigência. «No sábado vamos ser competitivos novamente. Teremos um jogo muito difícil contra uma equipa que tem muita qualidade, que está também num momento difícil e que já não ganha há não sei quantos jogos. Temos de nos preparar e fazer a nossa parte para sermos competitivos. E, para mim, ser competitivo é lutar para ganhar todos os jogos até ao último minuto», concluiu.