Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro
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Passos Coelho: «PSD tinha a obrigação de explorar entendimento com CDS, Chega e IL»

Antigo primeiro-ministro deu entrevista à SIC Notícias para abordar a atualidade com o objetivo de «contribuir para o debate público»

Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro, concedeu, este domingo, uma entrevista à SIC Notícias, conduzida pela jornalista Maria João Avillez, e garantiu não estar na corrida a qualquer cargo político.

«Não sou candidato a nada, não estou a preparar nenhuma candidatura, se estivesse, dizia-o», começou por referir, acrescentando: «Se tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, caso o PSD visivelmente não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório face ao que o país precisa. Se vier a acontecer, ponderarei e tomarei a iniciativa. Não é confortável a ideia de regressar. Cumpri a minha missão, estou bem com a minha consciência, não ando à procura de protagonismo especial, procuro responder ao que as pessoas vão pedindo. Possível corrida a Belém? Nunca pensei em ser Presidente da República. É um lugar que não me diz nada. Sou um executivo.»

Passos Coelho explicou que as suas declarações sobre a atualidade têm como objetivo «contribuir para o debate público» e «dar às pessoas uma visão sobre aquilo que podia ser útil fazer nas circunstâncias que estamos a viver».

«Isso pode ser útil para o Governo também, se o Governo entender ouvir outras visões, uma vez que é o Governo do meu partido», apontou, considerando que «o PSD tinha a obrigação de explorar um entendimento com o CDS, Chega e Iniciativa Liberal», depois das eleições de 2024.

«Não que fosse fácil um entendimento, mas era importante tentá-lo. Os governos para poderem transformar alguma coisa precisam de apoio do país e do Parlamento. É difícil mudar as coisas sem ter força política», analisou. 

Na mesma entrevista, Passos Coelho deixou críticas ao ex-primeiro ministro, António Costa, mas também ao atual, Luís Montenegro.

«António Costa esteve quatro anos no seu primeiro Governo, após o entendimento com o PCP e o Bloco de Esquerda, esteve quatro anos a gerir os apoios e o dia-a-dia. É muito difícil convencer hoje as pessoas no PSD a não seguir esse caminho. As pessoas acham que é assim que se chega lá. Que pessoas? As pessoas que estão no Governo. Os dirigentes acham que é assim que se faz, dar um bocadinho aos reformados, baixar o IRS, aqui e acolá, distribuindo margens que se possa ter de cada ano», atirou.

«Em Portugal, em particular, tivemos um tempo muito exigente, onde se fizeram mudanças muito significativas [Troika] e depois passou-se para extremo oposto, o país mergulhou na gestão corrente e do dia-a-dia. Estou a falar de quase nove anos em que o PS esteve com responsabilidade de Governo. O país mergulhou no rame-rame do dia a dia e preparou-se pouco o futuro», disse ainda, sendo questionado sobre a sua relação com o líder do Chega, André Ventura.

Passos Coelho referiu que conhece «há alguns anos» André Ventura: «Conheço-o o suficiente para achar que é uma pessoa com bastante mérito, ou não tivesse criado um partido com a expressão que hoje tem, e que é um político que tem mostrado um poder de iniciativa notável.»

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