Oskar Pietuszewski: segunda escolha, primeira necessidade
Oskar Pietuszewski foi o herói do FC Porto ao apontar o golo que deu o triunfo aos azuis e brancos na Madeira, frente ao Marítimo, permitindo ao campeão nacional manter um registo 100 por cento vitorioso na Liga. Um golo fenomenal na execução, confirmado pelo VAR — o polaco estava um centímetro em jogo —, e que assinalou a estreia do extremo a marcar na presente temporada, ao cabo de apenas dois desafios incompletos pelo FC Porto — pouco mais de 17 minutos na soma dos compromissos com o Benfica e Marítimo.
O impacto que teve ganha relevância pelo contexto do atleta, que recuperou de lesão muscular. Como Francesco Farioli revelou no final do encontro, Pietuszewski regressou da seleção polaca «num nível ainda pior do que aquele em que estava», mas disponibilizou-se para ajudar. «Disse-me que podia aguentar 15 ou 20 minutos», adiantou o técnico italiano. A resposta em campo acabou por ser determinante numa fase em que o Marítimo tentava por todos os meios segurar o empate.
O desfecho no Funchal colocou em evidência vários dados sobre a força do coletivo portista, sobretudo ao lidar com a adversidade. Tratou-se da terceira vitória com reviravolta do FC Porto nas últimas quatro jornadas do campeonato, repetindo as recuperações feitas diante do Casa Pia, em Rio Maior e do Moreirense, no Dragão — período no qual a única vitória sem necessidade de 'remontada' foi frente ao Benfica, em casa.
A par do poder de reação, o rendimento dos suplentes também tem sido determinante. Nas últimas três jornadas da Liga, o FC Porto marcou sempre através de jogadores vindos do banco: Borja Sainz contra o Casa Pia, Hwang no clássico com os encarnados e agora Pietuszewski na Madeira. No total da competição, 30 por cento dos golos da equipa nascem em jogadores lançados no decorrer da partida. O remate de Pietuszewski foi o 6.º golo de um suplente portista esta época, lista que é liderada por Borja Sainz, autor de 3 golos nessa condição.
Nas últimas três jornadas da Liga, o FC Porto marcou sempre através de jogadores vindos do banco: Borja Sainz contra o Casa Pia, Hwang Inbeom no clássico com os encarnados e agora Pietuszewski na Madeira
Com a afirmação do polaco, o impacto da lesão de William Gomes fica um pouco mais atenuado. O brasileiro tem sido fundamental na pressão sobre a saída de bola adversária, e do ponto de vista atacante a sua influência também é grande, somando dois golos e duas assistências na época.
Ainda assim, com o Betis no horizonte e sabendo-se que a condição física de Pietuszewski, em tese, ainda não lhe permitirá a titularidade, Borja Sainz surge como a alternativa mais sólida para o lado direito, onde foi utilizado na Madeira ao entrar aos 54 minutos para o lugar de William.