«Omonia pode surpreender em casa, mas dá gosto ver jogar este Benfica»
— Como é que estão a correr as coisas no Chipre?
— Sinto-me feliz aqui. As coisas têm corrido bem, clube acolheu-me bem, sinto-me em casa. O APOEL deu-me tudo.
— E a vida no Chipre? É como se estivesse em Portugal?
— É tranquila, calma, é ainda mais seguro do que em Portugal. Muito mais seguro. Vivo em Nicósia, é mais calma do que as outras cidades. A minha mulher e o meu filho estão comigo.
— E em termos desportivos, como vão as coisas?
— Apanhámos as equipas favoritas ao título logo de início e tivemos maus resultados contra o AEK e o Anorthosis, são pontos importantes que perdemos, mas há tempo para recuperar.
— O APOEL, tal como o Omonia, adversário do Benfica, parece estar entre os clubes mais importantes do Chipre. É assim?
— Sim. Quando vim para o Chipre só conhecia o APOEL, mas há também Anorthosis, AEL Limassol, o rival Omonia... Agora há o Pafos, há o Aris, o AEK. Aris e Pafos têm poder financeiro.
— O Pafos tem o David Luiz.
— Exatamente, é um plantel muito forte.
— É o maior nome da liga cipriota? A grande vedeta?
— Neste momento, sim. Tem 39 anos, mas em termos de nome é a lenda. É o maior nome. Tem de ser.
— Ainda se lembra do jogo que fez contra o Benfica há dois anos? O Benfica de Bruno Lage e o Estrela Vermelha de Dálcio Gomes encontraram-se em Belgrado, na Liga dos Campeões. O Benfica ganhou 2-1. O que é que recorda desse jogo?
— Foi o meu primeiro jogo na Liga dos Campeões. Já tinha jogado o play-off contra o... o Bodo Glimt, mas é diferente. Foi em casa, mas gostava que tivesse sido na Luz. Infelizmente um colega lesionou-se cedo e eu nem estava pronto quando o treinador me chamou. Lembro-me de pensar 'opa, vou já lá para dentro'. Infelizmente, perdemos, mas fiquei com aquele sentimento de ter feito o primeiro jogo na Liga dos Campeões, ainda por cima contra o Benfica. Era o favorito.
— E agora, contra o Omonia, na UEFA Europa League, como lhe parece que as coisas podem sair ao Benfica?
— Sinceramente, o Benfica é bastante superior. Não podemos comparar plantel, massa adepta... tudo. A vantagem do Omonia é que em casa pode sempre surpreender. Os adeptos não páram de gritar, de cantar, sempre a puxar pela equipa.
— O Benfica deve preparar-se para um ambiente quente no Chipre?
— Sim, sim. Não só em termos de adeptos, mas também ainda está calor. Quase 30 graus. É um calor diferente, mais seco. Mas pelo que vejo, o Omonia deste ano está bastante diferente do Omonia do ano passado, perderam várias peças. Acho que o Benfica vai superar este duelo.
— Quais são os pontos fortes do Omonia?
— Gostam de trocar a bola e têm jogadores muito rápidos na frente. É uma equipa que gosta de ter bola. E tem o Fabiano Freitas na baliza, passou pelo FC Porto. Tem o central Coulibaly, muito forte, muito forte. Tem o avançado francês Diony, muito móvel, apesar de ter mais de 30 anos. É fisicamente forte, nada estático, sempre a procurar a bola nas costas, vai dificultar a vida à defesa do Benfica. Tem o Ewandro, que serve muito bem, umas vezes joga como extremo, outras funciona como 10, é um bom jogador. Para mim, é o melhor jogador deles.
— O Benfica vai defrontar uma equipa que vai querer mandar no jogo?
— Exatamente. E vão estar motivados. Jogar contra o Benfica é sempre aquela motivação. Sim, normalmente o Benfica é sempre equipa de Liga dos Campeões e tem plantel para isso. Mas vão ter de fazer muito desde o primeiro minuto para mostrar que são os verdadeiros favoritos.
— Que fragilidades pode o Benfica encontrar neste Omonia?
— Não gostam de não ter a bola, portanto para contrariá-los é ter bola. E o Benfica é uma equipa muito boa para isso. E deixam algum espaço a meio-campo, não são jogadores muito agressivos, penso que o Benfica pode ter vantagem no meio-campo.
— Tem visto os jogos do Benfica?
— Tenho acompanhado quase todos os jogos, só não vejo quando não posso, mas tenho acompanhado quase todos os jogos. Eles jogam um bom futebol, têm um ataque muito rápido. O Pavlidis está muito bem. Acho que o Omonia vai ter muita dificuldade para acompanhar o ritmo do Benfica.
— Parece-lhe que este Benfica está mais forte que o Benfica de Bruno Lage que defrontou há dois anos?
— Em termos de equipa penso que sim, mas havia muita qualidade em termos de jogadores. Este ano estão mais rotinados como equipa. E dá para ver que sai um jogador, entra outro e continua tudo a funcionar. O Benfica era uma equipa ofensiva, mas não como o de hoje, sabes que vais desfrutar a ver este Benfica. Tens jogadores na frente que fazem magia, então dá gosto de ver o Benfica hoje.
— Foi jogador do Benfica há 10 anos, mas saiu após duas épocas de equipa B.
— Parece há mais tempo... [risos]. O Pêpê, que está no Pafos, é um grande amigo meu até hoje. Jogámos quase dois anos juntos no Benfica B, formámos parceria a meio-campo e criámos essa ligação.
— Ricardo Sá Pinto é o treinador do Pafos. Cruzou-se com ele no Belenenses?
— Sim, cruzei-me com ele no Belenenses e cruzei-me com ele depois aqui no APOEL, fomos campeões juntos. Fomos campeões e ele saiu, depois eu também saí, pouco depois de eu voltar ao Chipre, no ano passado, ele assumiu o Pafos.