O que faz Marco Silva sorrir e o que o deixa otimista: tudo o que disse o treinador do Benfica
O Benfica joga com o Omonia, no Chipre, na UEFA Europa League, e Marco Silva analisou o momento e os objetivos das águias nesta competição.
— Como é que estão as situações do Leandro Barreiro e Durán? Sem o Durán, o avançado titular será o Pavlidis?
— Em relação aos jogadores que estão fora, e que vocês já têm vindo a ter conhecimento, o Banjaqui, não estará presente, o Kaminski também não e o Enzo está mais perto, mas também não estará presente para o jogo. O Leandro e o Durán também estarão fora. É um número elevado, infelizmente para nós, num momento importante, e de intensidade competitiva, que vai aumentar bastante após a última paragem. Tivemos agora os últimos dois jogos com uma semana completa para preparar o jogo e agora serão, infelizmente, jogos de três e três dias, e é importante ter a profundidade suficiente para podermos tomar as decisões que consideramos serem as melhores para a equipa em cada momento que iremos competir. Em algumas posições, não há como escondê-lo, não será tão possível como foram em semanas anteriores, é a realidade, e há alguns jogadores que estão preparados e terão que ser mais sobrecarregados. E o que é. Em relação à outra questão do avançado, se será o Pavlidis a jogar, amanhã irão ver mas serão conclusões fáceis de tirar. Mas, a nossa missão e o nosso desejo para o jogo de amanhã é uma equipa de qualidade, um adversário que possivelmente não tem o nome de outros, mas que é uma equipa que começou muito bem a Liga Europa.
— Sem Leandro Barreiro e Enzo, a gestão no meio-campo é mais complicada para este jogo e depois para segunda-feira frente ao Santa Clara. Fica mais difícil esta gestão e pode ter alguma consequência?
— Já pensei o que é que vamos fazer amanhã, independentemente de ter algumas horas até ao jogo e de podemos tomar algumas decisões e continuar a analisar e decidir o que será melhor. Mas as decisões para amanhã estão mais ou menos tomadas. Só para vocês pensarem, há dois dias, nem tanto, há 48 horas, o Leandro estava na minha cabeça para jogar amanhã… Não adianta estar aqui a fazer muitos desenhos do que serão próximos jogos, pois podemos ter algumas novidades pelo meio e o plano acaba por sair furado. Portanto, o jogo de amanhã é o mais importante para nós. Queremos ter uma equipa minimamente fresca nesse jogo, não escondendo que é importante o que virá, pois a densidade será enorme e muito intensa até à próxima paragem, mas o jogo de amanhã é importante para nós. Podemos fazer alguma rotação mas amanhã no meio-campo será mais complicado pois estarão ausentes jogadores que têm sido muito importantes para nós. O Leandro tem sido um jogador muito importante para nós. O Enzo teve um começo muito bom e a rotatividade dele com o João [Palhinha] acaba por ser boa para os dois, para nós enquanto equipa e para mim como treinador. Mas, é uma oportunidade também para outros jogadores jogarem, possivelmente para alguns jovens da nossa formação estarem a trabalhar com a equipa.
— Após o jogo com o FC Porto, o Marco disse que a única resposta que o Benfica tinha que ter era continuar a trabalhar para ter a identidade que pretende. Depois da goleada com o Celtic, disse que pareceu fácil mas de fácil não teve nada. O Marco não é de muitos sorrisos, o que quero saber é qual é que foi o jogo do Benfica que já fez o Marco Silva sorrir, por sentir que foi o jogo em que a equipa foi mais aquilo que quer que seja?
— Sinceramente, em muitos dos jogos que já jogámos. Em muitos! Não consigo só dizer um. Falou de um jogo, por exemplo, em que nós perdemos, e que nos custou bastante perder. Na primeira meia-hora, sinceramente gostei muito do Benfica daquele jogo [contra o FC Porto]. Gostei daquilo que nós demonstrámos, relacionado com uma palavra que tenho usado às vezes convosco, e que é uma palavra que eu gosto, que é a identidade. É difícil dizer só um pois nós tivemos jogos muito bons, alguns resultados expressivos, e em alguns resultados expressivos, nem tivemos uma exibição tão completa. A primeira vitória após a paragem foi de grandíssima qualidade. Nós tivemos a primeira parte com o Celtic de grandíssima qualidade. Depois temos oscilado em algumas coisas que temos de melhorar. Não vou precisar só um jogo. De uma forma geral, sinto que a equipa continua a melhorar, tem um caminho bom para correr, ser melhor e mais consistente. Não sendo fácil, temos de não oscilar entre as primeiras partes do grande nível e depois em algum momento, deixar o jogo partir. Coisas que para nós, enquanto equipa técnica, são muito importantes, mas de uma forma geral, a equipa tem mostrado aquilo que é a identidade. Tem jogadores que compraram claramente a ideia que foi apresentada desde a primeira hora. Temos sentido que a equipa está a ir no caminho certo, mas vamos só nos primeiros meses da temporada. Há muito para melhorar, sem dúvida, um caminho longo para percorrer, olhar jogo a jogo e perceber o que é que cada jogo nos pede e ter respostas para lidar com isso.
— Echeverri tem estado bem quando é lançado do banco. Quando é que acha que ele está preparado para ser titular?
— Eu de vez em quando dou-vos uma novidade. Posso dar essa mesmo: ele irá começar amanhã o jogo. O Cláudio tem entrado muito bem. Independentemente de não ter ido à seleção naquele período, porque veio de uma pré-época em que praticamente não competiu e aquelas duas semanas e meia connosco aqui, mesmo só tendo seis ou sete jogadores, acabaram por ser importantes para ele, para melhorarmos a condição física e o entendimento daquilo que é o nosso jogo e a forma como queremos estar com e sem bola. Foi muito importante para ele, mas mesmo antes disso ele tinha dado respostas que me têm deixado bastante satisfeito, nos poucos minutos em que tem estado dentro do campo.. Estamos a falar de mais um jovem de 20 anos que nos dois jogos em que entrou demonstrou uma grande personalidade. Agora é perceber a resposta e estou muito otimista com a resposta que poderá dar começando o jogo a titular.
— Como é que um treinador evita algum relaxamento de amanhã perante um adversário que pode não parecer um grande nome desta Liga Europa?
— Não há como estar relaxado num clube destes. Da forma como nós trabalhamos não há permissão para isso. Se alguma vez estiver, ao sentir o que está a acontecer, compete-me a mim, em primeira instância, não deixar que isso aconteça. Por vezes não é tão fácil entrar na cabeça dos jogadores como nós queremos, mas compete-me a mim não permitir. Ninguém me tem dado sinais disso. Sinceramente, a este nível é quase impossível isso acontecer. Nós até podemos estar um pouco mais calmos, mas vocês fazem o vosso papel e, nos últimos três ou quatro dias as notícias foram de nós vendemos jogadores, metermos jogadores à venda, recomprarmos jogadores… Foi um pouco de tudo. O Benfica é um clube onde não se pode relaxar. Mas, algumas dessas notícias sem fundamento absolutamente algum. Uma delas acabou por ser dura e um pouco injusta para o Trubin. Um dia viemos trabalhar e é a capa de um jornal é 'vende-se Trubin'. Parece que estamos a falar de uma mercadoria. Não sei se iremos renovar, se irá ser vendido daqui a alguns anos ou não, mas é uma notícia que parece-me um bocado dura com um jogador que não tem feito mal a ninguém. Tem um comportamento muito profissional no Benfica, independentemente de jogar muito bem, jogar menos bem, de estar a jogar a titular ou de o treinador não o colocar a jogar a titular. Desde que eu cheguei ao Benfica o seu profissionalismo tem sido muito grande. É ver uma capa daquelas no jornal no momento até que ele tinha jogado um jogo e que possivelmente irá jogar o jogo de amanhã… Do Benfica [essa informação] não saiu de certeza, porque se saísse era muito pior. Todas as conversas que temos tido com a Direção é no sentido contrário. Compete-me a mim também fazer esta defesa do jogador pois ele sabe o que nós pensamos, jogando ou não, mas parece-me que é justo fazê-lo. Não há relaxamento Nós não permitimos e vocês também não. É a grandeza do Benfica.