Equipa de José Mourinho resolveu o jogo cedo e contou com a magia dos seus craques

Mourinho só sabe ganhar no Bernabéu desde que regressou (crónica)

Bernardo Silva foi titular e estreou-se a marcar. Português e Guler foram maestros de uma orquestra que não desafina com Mbappé e Diomande. Vinícius Júnior sem chama

José Mourinho dispõe de um magnifico plantel que lhe permite ir variando e armar as formações que ele considera mais idóneas para cada desafio. Para o da noite desta quata-feira, manteve Valverde no lado direito da defesa em detrimento dos especialistas nessa posição, Dumfries e Trent, fez entrar Carreras para o lado esquerdo, sendo a grande novidade  as presenças de Bernardo Silva e Camavinga junto a Bellingham e Arda Guler, num meio campo inédito de jogadores de alta capacidade criativa. Vinícius, que não pode jogar na liga espanhola por estar castigado com quatro jogos de suspensão, foi titular para não ficar tanto tempo inativo.

Como lhe correspondia, o Real Madrid tomou a iniciativa do jogo, foi dominando mas sem criar jogadas perigosas e com alguns curtos períodos de falta de continuidade que o RB Leipzig aproveitava para adiantar linhas, sair para ao ataque e apresentar-se com rapidez na área local, obrigando Courtois a fazer duas enormes defesas, uma a remate de Rómulo e a outra num despique direto com Nkunku, intervenções prodigiosas do guardião belga que salvaram a equipa sem que o seu compatriota da turma adversária se tenha visto obrigado a ter de fazer nada parecido.

Os alemães podiam, pois, ter-se adiantado no marcador mas quem o conseguiu foi o Real Madrid quando já se estava à beira do intervalo, numa jogada algo confusa na área alemã, passe atrás de Valverde, Guler rematou, o guarda-redes não logrou blocar e por aí andava Bernardo Silva que, com oportunismo, meteu o pé mandando a bola para o fundo da baliza. Exatamente um ano depois do seu ultimo golo na Champions com o City, o jogador português voltou a marcar estreando-se como goleador com a camisola do Real Madrid. Graças a ele a turma madrilena, algo irregular e sem grande brilhantismo, logrou  ir para o descanso com a tranquilidade de ir vencendo embora pela diferença mínima.

O começo do segundo tempo mostrou a turma de Mourinho com a firme intenção de deixar decidida, quanto antes, a sorte do desafio, logo ao sexto minuto, Mbappé fez uma boa assistência, de cabeça, para Arda Guler que aproveitou para, sem oposição, fazer o segundo golo. Para o RB Leipzig foram dois tentos sofridos em momentos psicológicos importantes, ainda tentou reagir mas a retaguarda madrilena esteve atenta e já não lhe permitiu criar as situações de enorme risco da primeira parte.

Apesar de tudo faltava ao Real o golo da confirmação que só surgiu a menos de dez minutos do final, bom passe de Diomande que entrara para o lugar de Vinícius, que aproveitou Mbappé para fazer, desde a esquerda, um remate certeiro sem possibilidade de defesa.

Logo a seguir Gomis diminuiu a  diferença mas a resposta do Real foi imediata, Brahim centrou para Diomande que, sem deixar bater a bola no relvado, mandou-a, com um remate espetacular, para o fundo da baliza da sua antiga equipa. Este jovem futebolista respira alegria de jogar por todos os poros, todo o contrário de Vinícius que anda triste e muito longe do grande futebolista a que nos tinha habituado, bastante trabalho lhe espera a Mourinho até o poder recuperar.

Grande noite para Bernardo Silva nâo só pelo golo como pela convincente exibição, esforçou-se ao máximo cobrindo grandes zonas do terreno, mostrou a classe que nos habitou, foi um bom chefe de orquestra, ele e Guler foram os que deram o sentido de jogo à equipa, veremos se Mourinho lhes confia a mesma responsabilidade no clássico do próximo domingo. O Real alcançou a sua terceira vitória na competição e Mou continua a contar, por vitórias, todos os jogos disputados no Bernabéu desde que chegou.

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