Luis Enrique e a relação especial com Luís Campos: «Sabia onde morava e veio ver-me»
A cumprir a quarta temporada ao serviço do PSG, Luís Enrique fez um balanço positivo da sua história no clube parisiense, falando da sintonia com o presidente Al Khelaifi, da cumplicidade com o diretor desportivo Luís Campos e recordando a boa disposição no seio do plantel, com episódio curioso envolvendo Vitinha.
«A ligação com Luís Campos, desde o primeiro momento, foi muito especial. É uma combinação magnífica. Estamos todos juntos com o intuito de evoluir e fazer os nossos adeptos felizes», frisou o técnico, em entrevista ao site do clube vencedor das duas últimas UEFA Champions League, antes de explicar o papel do português na estrutura.
«Um diretor desportivo deve ser corajoso. Tem de contratar jogadores adaptados às ideias do treinador. No nosso caso, as ideias do Luís Campos e as minhas são semelhantes, e essa é uma das chaves do nosso sucesso, a par da capacidade do clube em recrutar jogadores incríveis», elogiou, antes de recordar episódio marcante com o dirigente luso.
«Tive a sorte de trabalhar com diretores desportivos muito bons no passado. Lembro-me, nomeadamente, de uma conversa recente com o meu filho Pacho. Recordei-lhe o dia em que o Luís Campos veio a minha casa, no início da nossa relação profissional. Ele sabia onde eu morava, veio ver-me e lembro-me muito bem desse momento. Com o Luís, a ligação foi muito clara desde os primeiros minutos. Era alguém que eu ainda não conhecia bem, mas rapidamente senti que ele confiava em mim e que queria fazer grandes coisas pelo clube. Essa ligação surpreendeu-me, no bom sentido da palavra. Foi um momento muito importante para mim. Já tinha vivido belas colaborações anteriormente, mas esta foi particularmente forte. É a melhor forma de trabalhar para um treinador: ter essa confiança e avançar todos juntos.»
Confrontado com a juventude do plantel e o desafio geracional, o espanhol admitiu a singularidade da situação, partilhando uma situação bem-humorada com o internacional português Vitinha.
«Para ser sincero, isso assusta-me um pouco! A diferença de idades entre os jovens jogadores, como o Ibrahim no ano passado, e eu aumenta a cada ano. Mas, se olhar para a minha carreira de treinador, percebo que sempre consegui criar boas relações com os jogadores. Acredito que isso pode continuar, mesmo com esta diferença de idades. Gosto muito de rir, brincar e estar próximo dos jogadores. É algo que me dá energia: estar ligado a eles, mandar piadas, partilhar momentos juntos. Lembro-me de que o Vitinha me diz às vezes: 'Não sei se estás a falar a sério ou não'. E eu respondo-lhe que cabe-lhe a ele interpretar! [risos]. Gosto dessa relação», admitiu.
E completou, a propósito do tema: «Gosto de poder ajudar os jogadores, mas também de desafiá-los, de obrigá-los a reagir e observar a sua reação ao que lhes digo. Será que isso produz algo positivo ou negativo? Cada jogador necessita de um discurso diferente, consoante o momento. Alguns precisam de incentivo, outros de uma mensagem mais exigente. Tento encontrar a melhor forma de comunicar com cada um. É fascinante e é isso que adoro na minha profissão. Tudo evolui em permanência, tal como a nossa equipa, que está sempre em movimento.»
Sobre o desafio no PSG, espera que continue a ser uma história bonita: «Espero que não seja verdade que o amor dura apenas três anos! É a primeira vez, na minha carreira de treinador, que uma história dura tanto tempo. Não é fácil ficar dois, três ou quatro anos num clube. Estamos permanentemente ligados, a toda a hora preocupados com a preparação da equipa. Há sempre o receio de perder, de não render ao melhor nível. Mas Paris é diferente, Paris é especial. O que vivemos aqui desde os primeiros dias foi muito particular para mim. É por isso que continuamos e procuramos melhorar.»
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