Jakupovic vestiu a armadura para naufragar insulares (crónica)
A goleada imposta pelo V. Guimarães ao Marítimo reflete não apenas a disparidade de eficácia demonstrada no D. Afonso Henriques, mas também a capacidade minhota de transformar a urgência psicológica de pôr fim a um jejum de dois meses sem vencer.
O encontro começou por denunciar as fragilidades emocionais de duas equipas pressionadas pela tabela — os da casa não venciam há cinco jogos e os insulares há seis —, traduzidas num futebol inicial mastigado, errático no passe e excessivamente posicional.
Contudo, o momento de inspiração individual de Jakupovic, ao inaugurar o marcador de livre direto, funcionou como o verdadeiro elemento descompressor da partida.
A partir daí, a estratégia delineada por Tiago Margarido ganhou asas, assentando numa forte pressão média e na exploração exímia dos corredores laterais, capitalizando o súbito desnorte posicional dos insulares.
O regresso dos balneários acentuou o descalabro estrutural do Marítimo, que ruiu em termos anímicos e táticos, logo aos 48', quando o aniversariante (fez 30 anos) Paulo Henrique marcou na própria baliza.
A partir desse lance, a equipa da Madeira abdicou da agressividade defensiva nos duelos e permitiu que o Vitória controlasse os ritmos com bola, sempre em pressão para depois ferir em transições rápidas e verticais.
O papel de Gustavo Silva na ligação entre o meio-campo e o avançado Jakupovic também deu uma ajuda (sem ser a marcar), servindo com precisão Camara para o terceiro golo da noite.
Com o adversário completamente amorfo e incapaz de esboçar qualquer reação em posse ou organização, os minhotos geriram o esforço físico sem nunca abdicar da baliza contrária, expondo a tremenda fragilidade da linha defensiva do Marítimo.
A reta final serviu para coroar a exibição dos donos do castelo, com Jakupovic a bisar, aproveitando a passividade dos centrais e já em cima do minuto 90, o jovem Mosquera, na sequência de um canto batido por Alanzinho, selou de forma categórica a eficácia de uma equipa que soube explorar cada falha de marcação do oponente.
Esta vitória gorda (foram marcados tantos golos como os que haviam sido conseguidos em oito jornadas) permite ao V. Guimarães resgatar os índices de confiança perdidos e reajustar o posicionamento competitivo na Liga. Já o Marítimo fica cada vez mais mergulhado num buraco negro.
Veja o resumo do jogo.
O avançado australiano desbloqueou uma partida que ameaçava ser trancada com um golaço de livre direto e deu estabilidade à equipa. Coroou a exibição de gala com o bis na segunda parte, mostrando os dotes de goleador que a equipa tanto pedia (estreou-se a marcar pelos minhotos). Destacou-se no jogo aéreo (1,88 m) e na capacidade de segurar a bola de costas para a baliza.
As notas dos jogadores do V. Guimarães:
Lucas Furtado (6), Strata (6), Borevkovic (5), Sidibé (6), João Mendes (6), Beni (5), Gonçalo Nogueira (5), Gustavo Silva (6), Samu (5), Camara (6), Jakupovic (7), Doucet (5), Andersson (5), Ndoye (5), Alanzinho (5) e Mosquera (6).
Foi quem mais tentou dar agressividade e combate ao meio-campo para travar a força dos vimaranenses, embora tenha ficado condicionado a partir do momento em que viu cartão amarelo. Ainda assim, foi sempre o mais inconformado com o rumo dos acontecimentos. Até ao apito final nunca baixou os braços, mas o desnorte da equipa levou-o a momentos de pouco discernimento.
As notas dos jogadores do Marítimo:
Vieites (3), Igor Julião (4), Romain Correia (4), Gabor Szalai (4), Paulo Henrique (4), Guzzo (5), Rodrigo Andrade (5), Tomás Tavares (5), Maxime Dominguez (5), Martín Tejón (5), Butzke (4), Bouzaidi (4), Nilton Varela (4), Alani (3), Bassouamina (-) e Boakye (-).
Tiago Margarido (treinador do V. Guimarães)
Van der Gaag (treinador do Marítimo)
Atualização às 23h55.