Inspirado em Jorge Jesus e Mourinho, Filipe Luís ameaça hegemonia do PSG
O percurso do PSG rumo à conquista do seu sexto título consecutivo na Ligue 1 encontrou um obstáculo inesperado. A chegada de Filipe Luís ao comando técnico do Mónaco está a agitar o topo do futebol francês, com a formação do Principado instalada na liderança isolada da tabela classificativa.
Com 13 pontos somados em 15 possíveis, o conjunto monegasco dispõe de dois pontos de vantagem sobre o Lyon, de Paulo Fonseca, e o Paris FC, três sobre o Lille e o Rennes, e cinco sobre a formação de Luis Enrique. O arranque, que registou quatro triunfos nas primeiras quatro jornadas, constitui o melhor início de temporada do clube desde 1991/92, na altura sob a liderança de Arsène Wenger.
Apesar da recente vitória no Parque dos Príncipes, por 2-1, o técnico brasileiro — que no Flamengo ergueu sete troféus em cerca de 100 partidas —, recusou entrar em euforias. «Não estamos a pensar nisso. Não é realista. Conhecemos a realidade do clube. Sou ambicioso, muito, muito ambicioso... mas temos de ir jogo a jogo», assumiu em declarações à RMC.
A mesma contenção foi reforçada no programa After Foot: «Não nos podemos comparar com eles. O PSG venceu as duas últimas Champions. Não é apenas a melhor equipa de França nas últimas duas épocas, mas a melhor do Mundo. Conhecemos a realidade, será uma época muito longa. Podem acontecer muitas coisas [disputam também a Conference]. No final, veremos o verdadeiro nível da nossa equipa e esperamos estar o mais alto possível na classificação.»
O impacto do ex-jogador de Chelsea e Atlético Madrid já mereceu fortes elogios de Luis Enrique, técnico do PSG que já havia sofrido para bater o Flamengo nas grandes penalidades, na final da Taça Intercontinental de 2025. «O Mónaco é uma grande equipa, especialmente com este treinador. Gosto muito do Filipe Luís porque gosto de treinadores corajosos e que adoram jogar futebol», sublinhou o treinador espanhol.
O Mónaco conseguiu estabilizar um setor recuado que, na temporada anterior, concedeu 54 golos e terminou no 7.º posto sob as ordens de Adi Hutter e Sébastien Pocognoli. O guarda-redes Lukas Hradecky atestou a mudança: «Tínhamos uma defesa caótica. Trabalhámos muito nisso e na forma como a equipa compete. Gostei mais do que vi. Sinto-me mais representado.»
A solidez defensiva tem início na primeira linha de pressão. Aleksandr Golovin lidera a Ligue 1 em pressões de alta intensidade. Uma identidade detalhada por Filipe Luís logo na apresentação: «Sou um treinador que aposta num estilo ofensivo, mas também numa pressão agressiva. Gosto de colocar o adversário numa situação incómoda através da pressão. Certamente tornei-me treinador por causa de Simeone. Ele mudou a minha mentalidade e despertou o meu interesse pelo ofício. A minha filosofia contém algo de Simeone, de Mourinho, de Jorge Jesus... e de Guardiola no plano ofensivo.»
O perfil do treinador foi igualmente enaltecido pelo antigo internacional brasileiro Walter Casagrande ao L'Équipe, destacando que «Filipe Luís combina a astúcia tática europeia com a intuição e a técnica sul-americanas», considerando-o «uma lufada de ar fresco». Mais categórico foi Bruno Spindel, antigo diretor desportivo do Flamengo: «Este rapaz é realmente diferente de qualquer outro futebolista que conheci. E em breve será um dos melhores treinadores do mundo.»