Indo eu, indo eu, a caminho da comemoração do Jubileu (crónica)
Com uma fé inabalável numa época de nível superlativo. Assim parece estar o Académico de Viseu, que continua em grande destaque na caminhada de regresso aos principais palcos do futebol português, 37 anos depois da última aparição.
E se a série recente de três vitórias consecutivas — Estrela da Amadora (2-0), Vitória de Guimarães (2-1) e Gil Vicente (1-0) — já tinha entrado para a galeria de honra do emblema da cidade de Viriato, que nunca antes tinha conseguido tanto sucesso consecutivo na elite nacional, eis que melhor do que três... só quatro: 2-1 ao Estoril, triunfo que permite aos academistas dormirem (pelo menos uma noite...) no 5.º lugar da tabela classificativa. Que belas núpcias...
Os instantes iniciais do desafio não foram propriamente interessantes e o primeiro remate enquadrado surgiu apenas aos 20 minutos, quando Jordan Holsgrove testou a atenção de Ewerton. Os canarinhos continuaram por cima, mas André Lacximicant não aproveitou para surfar a onda (24' e 27').
E quando uns não querem... estão outros desertos: em cima da meia hora, Kahraman tentou a sua sorte de meia distância e contou com a gentileza de Joel Robles, cuja experiência não se compadece com tão má abordagem ao lance. Estava inaugurado o marcador. Como se diz obrigado em turco?...
As oportunidades foram-se sucedendo até ao intervalo, mas André Lacximicant (30') e Milan Robin (43') não foram felizes, cenário idêntico ao vivido por Gohi, aos 35 — corte milagroso de Antef Tsoungui, em cima da linha de baliza! — e 43 minutos, assim como por André Clóvis, em cima do descanso.
A etapa complementar ofereceu um Estoril ainda mais ousado. Vasco Matos lançou Nail Omerovic para o lugar de Milan Robin e a equipa acionou a tração à frente. João Carvalho (47') e Ricard Sánchez (54') deram o mote, Rafik Guitane pintou o sorriso a amarelo: remate forte do internacional argelino e tudo (justamente) empatado no Fontelo.
O quadro podia ter ficado ainda mais vistoso aos olhos dos adeptos estorilistas, mas Ewerton (também com a ajuda do poste) impediu, por duas vezes, a cambalhota dos forasteiros, exercício de ginástica que foi esboçado por João Carvalho, Ricard Sánchez e Nail Omerovic.
Do outro lado, o goleador André Clóvis não se cansou de tentar molhar a sopa, mas quem tinha a varinha mágica era Messeguem: tiro fortíssimo do médio alemão, do meio da rua, e golaço para selar (mais) três pontos para os beirões.
O Estoril prolonga o jejum na Liga (única equipa sem vitórias), o Académico continua a comemorar o Jubileu. Terá extensão... europeia?
Quem marca um golo — perdão, caro leitor, um golaço! — como o médio alemão marcou... só pode ser o destaque da partida. O tiro fulminante disparado pelo camisola 14, já perto do fim, valeu (mais) três preciosos pontos aos academistas, mas o jogador formado no Wolfsburgo já tinha estado em bom nível na maior parte das ações que desenvolveu na intermediária. «Danke», dirão os adeptos beirões.
Geralmente, a qualidade individual dos jogadores tende a vir ao de cima quando as equipas estão num bom momento. Não é, de todo, o caso do Estoril, mas continua a ser o caso de João Carvalho. O criativo nunca se esconde e assume sempre as rédeas da criação, descobrindo linhas e espaços que não estão ao alcance de qualquer um. O capitão nunca se vergou e merecia (bem) mais...
As notas dos jogadores do Académico de Viseu:
Ewerton (6), Robinho (5), Anthony Correia (5), Nikos Michelis (5), Miguel Brau (5), Messeguem (7), Luís Silva (6), Kahraman (7), João Guilherme (5), André Clóvis (6), Gohi (5), Nils Mortimer (5), Alejandro Mestanza (6), Álvaro Zamora (—), Cristian Ferreira (—) e Paulinho (—).
As notas dos jogadores do Estoril:
Joel Robles (4), Samuel Amissah (5), Xavi Sintes (5), Antef Tsoungui (6), Ricard Sánchez (6), Milan Robin (5), Jordan Holsgrove (6), Roko Jurisic (5), Rafik Guitane (6), André Lacximicant (5), João Carvalho (7), Nail Omerovic (5), Tiago Parente (5), Pedro Carvalho (5) e Peixinho (—).