Foi alvo do Benfica e agora é 'perseguido' pelos adeptos do Nápoles
A pressão e as críticas nas redes sociais voltaram a estar no centro da atualidade do futebol italiano. Após o encontro frente ao Venezia, no qual Lorenzo Lucca alinhou como titular pela primeira vez, o comediante napolitano Peppe Iodice publicou um vídeo satírico no Instagram, sob o formato de um telefonema fictício com pedidos para que o ponta de lança melhorasse o seu rendimento. A iniciativa acabou por desencadear uma violenta onda de centenas de insultos direcionados ao avançado do Nápoles por parte dos adeptos, o que levou o humorista a apagar a publicação e a emitir um pedido público de desculpas.
Através das redes sociais, Peppe Iodice justificou o recuo e assumiu a responsabilidade pelo impacto gerado: «Pela primeira vez, depois de publicar um vídeo, não me sentia em paz comigo próprio. Eliminei-o porque achei que alimentava os rufias do teclado; alguns atacaram o Lorenzo e, de certa forma, eu também o fiz ao criá-lo. Faço mea culpa, ainda que o meu intuito fosse simplesmente fazer rir, dizendo verdades. O Lorenzo está a jogar de uma forma surreal, mas não sou ninguém para alimentar esse tipo de ódio de teclado e passar-se a linha vermelha. Queria fazer sátira, mas a sátira faz-se principalmente sobre os poderosos, sobre os fortes. Neste momento, o Lorenzo vive uma fase de fragilidade e eu não queria contribuir para alimentar esta situação negativa. Se o Lorenzo – e desejo-lho de todo o coração – começar a marcar e a fazer golos sucessivos, irei brincar com ele com todas as minhas forças. Agora prefiro não alimentar este ódio, sinto-me melhor após ter eliminado o vídeo», explicou o comediante.
Recorde-se que a contestação em torno de Lorenzo Lucca tem sido uma constante desde a sua contratação por 35 milhões de euros, valor que inflacionou as expetativas dos adeptos, cada vez mais defraudadas. Em 32 jogos nos napolitanos, o internacional italiano tem apenas dois golos apontados.
Recrutado inicialmente para colmatar a ausência de Lukaku, o avançado perdeu espaço nas opções da equipa com a chegada de Hojlund. Na época transata, o golo marcado ao Pisa no final de setembro não travou o descontentamento nas bancadas e foi o único momento de alívio. Mais tarde, num duelo da Taça de Itália diante do Cagliari, nem o golo apontado a titular evitou assobios expressivos no Estádio Diego Armando Maradona aquando da sua substituição. Seguiu-se um empréstimo discreto ao Nottingham Forest, depois de ter sido desejado pelo Benfica para reforçar o plantel então às ordens de José Mourinho.
Apesar do ambiente adverso, o jogador voltou a ser integrado no projeto do clube na pré-época sob a liderança de Allegri, que tem concedido pelo menos vinte minutos por jogo ao ponta de lança e assumido a sua defesa pública perante a comunicação social: «Creio que foi até criticado em demasia. Às vezes os jogadores são visados em excesso, o importante é que continue a empenhar-se como tem feito até agora.»
As palavras de Allegri e o mea culpa de Peppe Iodice surgem no horizonte como a oportunidade de um recomeço para Lucca com as cores do Nápoles, num momento em que o jogador continua debaixo de forte contestação.
O teor das reações e comentários dirigidos ao atleta tem sido implacável e sem tréguas: «O problema não é ele, mas quem o escolheu, acreditando que era futebolista», «Tenho medo quando és tu a jogar», «Não se consegue ver-te jogar, sai do Nápoles já», «Vai-te embora», «Devia retirar-se, em campo não é diferente de um defesa adversário», «Mas tens noção do teu nível?» e «Como é possível estares na Serie A e eu no sofá?» são algumas das mensagens deixadas ao jogador.