Francesco Farioli não prescinde de Pepê - Foto: FC Porto
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FC Porto: o arquiteto invisível com o dom de antecipar o destino da bola

Pepê igualou as assistências (6) da temporada passada com menos 39 partidas. Passe açucarado para Samu frente ao Betis mostra o altruísmo do qual Francesco Farioli nunca prescinde no onze portista

No relvado do Estádio La Cartuja, em Sevilha, Pepê esteve em evidência na jogada que deu origem ao golo de Samu, condensando na perfeição a importância que adquiriu na dinâmica azul e branca. Com um toque de sublime sensibilidade e precisão técnica, o extremo brasileiro colocou a bola à mercê do avançado espanhol, que desferiu um remate potente e certeiro para as redes andaluzas.

Mais do que um momento isolado de inspiração, essa assistência carregou consigo um dado estatístico verdadeiramente expressivo: foi o passe para golo que permitiu a Pepê igualar o registo total de assistências alcançado em toda a época passada — mas precisando de menos 39 jogos para o fazer.

O peso de Pepê reflete de forma direta a confiança inabalável que o técnico italiano nele deposita. A par do guarda-redes Diogo Costa e do defesa-central Jakub Kiwior, o brasileiro faz parte do restrito lote de jogadores que acumula mais titularidades na presente época, contabilizando 11 presenças de início.

Para Farioli, Pepê é muito mais do que um extremo tradicional: a sua polivalência tática torna-o um elemento quase insubstituível na manobra da equipa. Quer atue no corredor esquerdo, a acelerar no corredor direito ou a assumir zonas mais centrais e interiores como organizador de jogo, a sua capacidade de leitura e o compromisso com o coletivo justificam por que razão raramente prescindem dos seus serviços. O assistente Pepê está de volta, mais influente e rápido do que nunca.

Na sua sexta temporada de dragão ao peito, Pepê já não joga apenas com as pernas; joga com a memória do espaço e a intuição do coletivo. É hoje um dos guardiões da identidade do plantel, um futebolista que compreendeu que o valor do passe não reside na sua força, mas na sua oportunidade. Na presente campanha de 2026/2027, o extremo tornou-se o grande arquiteto do invisível. Serviu os companheiros na Supertaça Cândido de Oliveira, desenhou caminhos para o golo perante o Torreense, Arouca e Moreirense, e imprimiu a sua assinatura na grande noite do clássico contra o Benfica, antes de coroar essa jornada de sublimação criativa na Andaluzia.

Esta urgência criativa reevoca 2022/2023, em que fixou o seu ápice pessoal em 10 assistências numa só época. O Pepê de hoje parece impulsionado por uma maturidade diferente, onde cada toque na bola carrega uma densidade superior. Não se trata apenas de acumular números, mas de otimizar a própria presença.

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