FC Porto: o arquiteto invisível com o dom de antecipar o destino da bola
No relvado do Estádio La Cartuja, em Sevilha, Pepê esteve em evidência na jogada que deu origem ao golo de Samu, condensando na perfeição a importância que adquiriu na dinâmica azul e branca. Com um toque de sublime sensibilidade e precisão técnica, o extremo brasileiro colocou a bola à mercê do avançado espanhol, que desferiu um remate potente e certeiro para as redes andaluzas.
O golo de Samu foi eleito o Golo da Semana da UEFA Champions League! ⚽ https://t.co/o3Ti5sRAu3
— FC Porto (@FCPorto) October 15, 2026
Mais do que um momento isolado de inspiração, essa assistência carregou consigo um dado estatístico verdadeiramente expressivo: foi o passe para golo que permitiu a Pepê igualar o registo total de assistências alcançado em toda a época passada — mas precisando de menos 39 jogos para o fazer.
O peso de Pepê reflete de forma direta a confiança inabalável que o técnico italiano nele deposita. A par do guarda-redes Diogo Costa e do defesa-central Jakub Kiwior, o brasileiro faz parte do restrito lote de jogadores que acumula mais titularidades na presente época, contabilizando 11 presenças de início.
Para Farioli, Pepê é muito mais do que um extremo tradicional: a sua polivalência tática torna-o um elemento quase insubstituível na manobra da equipa. Quer atue no corredor esquerdo, a acelerar no corredor direito ou a assumir zonas mais centrais e interiores como organizador de jogo, a sua capacidade de leitura e o compromisso com o coletivo justificam por que razão raramente prescindem dos seus serviços. O assistente Pepê está de volta, mais influente e rápido do que nunca.
Na sua sexta temporada de dragão ao peito, Pepê já não joga apenas com as pernas; joga com a memória do espaço e a intuição do coletivo. É hoje um dos guardiões da identidade do plantel, um futebolista que compreendeu que o valor do passe não reside na sua força, mas na sua oportunidade. Na presente campanha de 2026/2027, o extremo tornou-se o grande arquiteto do invisível. Serviu os companheiros na Supertaça Cândido de Oliveira, desenhou caminhos para o golo perante o Torreense, Arouca e Moreirense, e imprimiu a sua assinatura na grande noite do clássico contra o Benfica, antes de coroar essa jornada de sublimação criativa na Andaluzia.
Esta urgência criativa reevoca 2022/2023, em que fixou o seu ápice pessoal em 10 assistências numa só época. O Pepê de hoje parece impulsionado por uma maturidade diferente, onde cada toque na bola carrega uma densidade superior. Não se trata apenas de acumular números, mas de otimizar a própria presença.