FC Porto: duo ganha gás e apresenta a candidatura a Farioli
A noite de terça-feira no Estádio do Dragão não admite meio-termo ou hesitações. Às 20h00, o FC Porto entra em campo diante do PSV Eindhoven com a urgência redobrada de quem não tem qualquer ponto somado no percurso na UEFA Champions League, fruto das dolorosas derrotas sofridas frente ao Manchester City e ao Betis. Sob o pesado espetro de comprometer precocemente a passagem à fase a eliminar da maior competição europeia de clubes, os campeões nacionais estão (quase) obrigados a vencer para se manterem firmes na luta pela fase a eliminar. É precisamente neste cenário de alta tensão e exigência máxima que ganha força a vontade dos adeptos portistas de ver um abanão na frente de ataque, alavancado por duas figuras que prometem transformar a dinâmica ofensiva: Oskar Pietuszewski e Samu.
A vaga no corredor direito abriu-se nos Barreiros, quando William Gomes sofreu uma entorse no tornozelo direito diante do Marítimo. Na deslocação a Sevilha, para defrontar o Betis no Estádio de La Cartuja, o técnico Francesco Farioli apostou em Borja Sainz para ocupar o lugar do brasileiro. No entanto, o espanhol assinou uma exibição manifestamente apagada, distante da intensidade e do discernimento exigidos por uma noite de elite na Europa. Em sentido oposto, Pietuszewski, lançado na segunda parte, teve o condão de agitar pela esquerda — Pepê derivou para a direita.
Em Sevilha, o jovem internacional polaco esteve pouco mais de meia-hora em campo e voltou a mexer com o jogo, imprimindo uma vivacidade e um poder de improviso que vinham escasseando ao ataque azul e branco. Pietuszewski já tinha sido herói na Madeira, ao arrancar a ferros uma vitória crucial no campeonato, com um golaço, e voltou a demonstrar que possui o dom raro de desequilibrar e furar blocos defensivos, um trunfo precioso na Champions, onde a imprevisibilidade pode mesmo ganhar jogos.
A juntar à irreverência do polaco, outra possível novidade na equação ofensiva dos dragões é o regresso fulgurante de Samu. Recuperado de uma grave lesão no joelho, que o obrigou a passar pela mesa de operações e a cumprir um longo processo de reabilitação, o avançado somou, tal como Oskar, cerca de 30 minutos na Andaluzia e assinou um grande golo, demonstrando que o instinto matador continua intacto. A entrada em jogo do camisola 9 serviu para provar que está em condições de voltar a ser peça fulcral no xadrez portista, começando a apertar seriamente o lugar ocupado por André Silva como referência ofensiva. A presença física de Samu, aliada à capacidade de fixar centrais e ao faro de golo, traz uma dimensão renovada ao ataque, essencial para noites em que a vitória é o único resultado admissível.
Nas mãos do treinador
A grande dúvida prende-se agora na gestão criteriosa de Francesco Farioli. O italiano tem mantido uma postura de prudência relativamente à condição física de ambos os atletas, lembrando que Pietuszewski ainda procura o ritmo ideal após paragens e compromissos internacionais, e que Samu necessita de uma integração progressiva para evitar recaídas. Contudo, a urgência do momento é grande. Entre a precaução da equipa técnica e o talento de quem bate à porta do onze, a titularidade simultânea de Pietuszewski e Samu pode funcionar como aposta de risco do técnico campeão nacional para o embate com os neerlandeses. Se Farioli der a luz verde para a inclusão da dupla no onze inicial, o Dragão ganha novos argumentos na vontade de assistir ao reacender da chama europeia e à afirmação de uma nova frente atacante, com potência e irreverência.