Farioli tem três derrotas em três jogos na Champions - Foto: Catarina Morais/Kapta+
Farioli tem três derrotas em três jogos na Champions - Foto: Catarina Morais/Kapta+

A 'acampada' de Farioli

Não adianta ter discurso à dragão e depois em campo entregar a bola e esperar que Diogo Costa, a muralha polaca e os postes resolvam o resto. Coragem, precisa-se

O FC Porto regressou esta época à Liga dos Campeões, prova em que se mantém junto das equipas com maior número de presenças, e não é por acaso. No entanto, a ver pelos três primeiros resultados nesta edição (três derrotas, frente a Man. City, Betis e PSV), não parece até agora que os azuis e brancos estivessem preparados para este regresso.

Sem tirar nenhum mérito ao campeão nacional, e que até já leva um avanço simpático na Liga 2026/27, e sem beliscar a qualidade de um plantel que foi reconstruído no ano passado e mantido neste verão, os dragões têm sido amansados na Europa. E se na primeira temporada de Francesco Farioli o desejo de voltar ao título nacional era imenso e ofuscava qualquer investida europeia, agora a conversa é outra. Na Liga dos Campeões, o FC Porto não pode apenas marcar presença.

A exibição frente ao PSV (ia escrevendo PSG, tal foi o amasso na primeira parte) não fez jus ao histórico do clube nesta competição e é importante que Francesco Farioli vá além da sua estratégia e consiga ver isto. Mesmo com oportunidades de golo que podiam ter assegurado o empate, os assobios que se ouviram ontem no Dragão terão sido sobretudo por isso. Não adianta ter discurso à dragão e depois em campo entregar a bola, montar uma acampada e esperar que Diogo Costa, a muralha polaca e os postes resolvam o resto. Na maior prova de clubes do mundo, a coragem também acaba por contar belas histórias e este FC Porto não a tem demonstrado.

Depois daqueles primeiros meses de Farioli no Dragão, com futebol espetáculo que surpreendeu tudo e todos, o pragmatismo já deixou dois troféus na Invicta e não será caso para pânico. Mas o maior feito do treinador italiano em tão pouco tempo foi convencer o grupo e os adeptos de que era o homem certo para interpretar este papel. Se os jogadores começarem a duvidar da sua ideia, porque alguns terão ficado à espera de uma boa Champions, e se o público azul e branco começar a exigir mais, será mais difícil atingir objetivos. Até aqueles em que já vão na frente.

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