Ex-Man. United revela vício devastador: «Sentia-me constantemente fadigado»
Fraizer Campbell, antigo avançado do Manchester United, revelou publicamente o impacto debilitante que teve na sua carreira a dependência de snus, produto feito a partir de tabaco e nicotina, que se popularizou em Inglaterra.
O antigo avançado, formado nos red devils e que somou mais tarde passagens por Hull City, Sunderland, Cardiff, Crystal Palace e Huddersfield Town, admitiu que o produto em causa o deixava «constantemente fadigado».
Foi nos londrinos do Crystal Palace, entre 2014 e 2017, que teve o primeiro contacto com o produto, colocado entre o lábio superior e a gengiva, apresentado por um companheiro de balneário para tentar descomprimir.
«Sentia-me relaxado, aquilo acalmava-me mais do que qualquer outra coisa. Era também a seguir aos jogos e, após uma partida, é difícil conseguir relaxar. Começou logo a seguir aos jogos, depois passou para os treinos. É assim que tem início, surge a dependência e começas a consumir cada vez mais», afirmou ao The Sports Agents.
Ao relaxamento inicial, juntaram-se outras sensações difíceis de lidar, como quebras físicas regulares e sensação de exaustão durante a tarde: «Estava definitivamente viciado. De manhã, enquanto jogava, consumia um ou dois e depois ia para o relvado de treino durante as horas seguintes. Nunca o fazia em dia de jogo porque me relaxava em demasia. Já sou uma pessoa calma por natureza; se ficasse ainda mais relaxado, teria dificuldades até para correr em ritmo de corrida lenta. Ficou muito pior depois de terminar a carreira, mas não me apercebia verdadeiramente do lado negativo enquanto jogava.»
Livre da dependência há seis meses após decidir enfrentar o problema, Campbell surge como mais um exemplo de um fenómeno cada vez mais vincado no futebol profissional.
Um estudo encomendado em 2024 pela Professional Footballers' Association (PFA), em colaboração com a Universidade de Loughborough, revelou que um em cada cinco futebolistas de topo consome «snus», bolsas de nicotina ou ambos. O relatório alertou para os riscos graves associados a estas substâncias, que incluem dependência, problemas cardiovasculares e de saúde oral, além de «um risco acrescido de cancro do esófago e do pâncreas em comparação com não fumadores».