Este Benfica gosta mais de banquetes do que de dietas mediterrânicas (crónica)
O mar de influência sobre Nicósia e a ilha de Chipre poderia sugerir uma tragédia grega ou um banho turco, mas a região é banhada pelo Mediterrâneo, quente, tranquilo e propício, e o Benfica nele navegou com alguma calma.
Logo ao minuto 4, Vangelis Pavlidis parece ter poupado os amigos cipriotas-gregos, pois em frente ao guarda-redes adornou e a bola acabou nas mãos de Fabiano Freitas. Esse mesmo, antigo guarda-redes do FC Porto.
Não se jogava bem e ao minuto 11' Montnor começou a mostrar quem era, convidando Trubin a voar, com disparo de longe, ao centro da baliza, mas a bola ia com força e o ucraniano jogou pelo seguro, cedendo canto. Importa referir que tudo resultou de um erro benfiquista e que o Benfica viveu o susto e tentou crescer, tornando-se o adulto na sala.
Em pouco tempo ganhou a bola, ficou com ela, trabalhou-a bem e Aursnes serviu Echeverri, que atirou de cabeça, mas o gesto imperfeito beneficiou de um empurrãozinho cipriota. O golo acabaria por ser atribuído a Loic Négo.
O primeiro aviso não foi, todavia, suficiente e Ewandro reagiu ao minuto 19, atirando com perigo. Segundo alerta para os encarnados.
Os adversários têm dito que o Benfica é adversário de Champions, que é demasiado grande para navegar estas águas de Liga Europa. Neste Mediterrâneo, parecia, pois, um transatlântico, demasiado grande e forte, fora do contexto.
Os brindes, ainda assim, não cessavam, Manu ia fazendo as suas asneiras à frente da área (25'), mas o Omonia não era um paquete, era um pesqueiro lento a tentar apanhar um atum rabilho.
Passava da meia hora, o Benfica carregava, jogava bem, dominava e jogava bonito, construindo lance que poderia ter vindo do andebol, com sucessivos passes laterais, libertando Schjelderup para remate perigoso, que Fabiano deteve com dificuldade.
O perigo relativo do Omonia resumia-se praticamente ao aproveitamento das asneiras de Manu, que errou passes sucessivos em zonas perigosas: aos 36' Trubin defendeu tentativa de Montnor após mais uma entrega falhada, Marco Silva olhava para a relva...
Ao minuto 42, todavia, saía mesmo uma truta ao pesqueiro. Mas como? Se não as há naquelas águas? A defesa do Benfica tratou disso. Bah fez-se à bola à queima, com excesso de confiança, levou o popular cabrito de Montnor, que com toda a calma e categoria serviu Kakoullis, que só teve de encostar. Fez lembrar o golo do Benfica, mas mais bonito e mais consentido.
O intervalo, e ouvir (de) Marco Silva fez bem. Segunda parte autoritária, logo a abrir com golo de Pavlidis. O grego, que não celebrou em frente aos cipriotas-gregos, aproveitou uma trapalhada boa, que envolveu Bah, Fabiano e o poste e fez o 2-1, aos 48 minutos.
O mesmo Pavlidis rondou o 3-1 aos 65' e Circati ameaçou na sequência do canto, sucediam-se as oportunidades, o Omonia caía.
Marco Silva meteu então a carne toda no assador, fazendo entrar Palhinha, Sudakov e Prestianni e este também ameaçou a baliza cipriota logo aos 72'. Sem dar margem para respirar, o Benfica carregou, Pavlidis atirou ao poste aos 75', segundos depois Aursnes fazia o 3-1. O transatlântico agitava as águas, as pequenas embarcações naufragavam. Lukebakio, isolado, ofereceu o golo a Prestianni, 4-1, tudo contado. Águia de barriga cheia e sem dieta do Mediterrâneo.