Chuvas intensas associadas ao El Niño provocam graves deslizamentos de terras na Guatemala
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El Niño atinge pico em dezembro e poderá ser um dos mais fortes em 75 anos

A anomalia térmica da superfície marítima no Pacífico equatorial subiu de 1,6°C acima do normal em junho para 2,5°C em agosto. Para os meses de outubro, novembro e dezembro, as previsões apontam para um desvio de sensivelmente 3,7°C face aos parâmetros normais

O fenómeno meteorológico El Niño continuará a ganhar força até atingir o seu ponto máximo no próximo mês de dezembro, havendo uma forte probabilidade de se tornar num dos episódios mais intensos registados desde 1950.

Já tinham sido dado vários alertas, sublinhados esta quinta-feira pela ONU. O evento natural provoca uma subida das temperaturas à escala global - 2027 será o ano mais quente de sempre.

De acordo com o boletim mensal da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o episódio em curso continuará em intensificação antes de atingir o pico. «É provável que isso leve a temperaturas acima da média em grande parte do planeta e altere os padrões de precipitação, um cenário no qual aumentaria o risco de secas e inundações em diversas regiões», alertou a agência especializada das Nações Unidas.

O El Niño traduz-se no aquecimento invulgar da superfície das águas nas zonas central e oriental do Pacífico equatorial (Peru e Equador) alterando o regime de ventos, a pressão atmosférica e a distribuição de chuvas por todo o globo. Este ciclo manifesta-se habitualmente a cada dois a sete anos, dura entre nove e 12 meses e oscila com a sua contraparte fria, o fenómeno La Niña, intercalado por períodos de neutralidade. Os efeitos no globo costumam verificar-se no ano seguinte.

Sustentada pelo consenso de 13 centros meteorológicos de referência internacional, a OMM avançou que se espera que «as temperaturas da superfície do mar nas partes central e oriental do Pacífico tropical aumentem até atingir valores sem precedentes durante os meses de outubro, novembro e dezembro de 2026», um quadro que condicionará os padrões meteorológicos e afetará ecossistemas, economias e comunidades a nível mundial.

Em comunicado, a diretora da OMM, Celeste Saulo, advertiu que o fenómeno «consolidou-se e está a fortalecer-se rapidamente». A meteorologista argentina acrescentou que «a probabilidade de que o evento persista até fevereiro de 2027 é praticamente de 100%, e ele pode ser um dos episódios mais intensos desde, pelo menos, 1950».

A anomalia térmica da superfície marítima no Pacífico equatorial centro-oriental subiu de 1,6°C acima do normal em junho para 2,5°C em agosto. Para os meses de outubro, novembro e dezembro, as previsões apontam para um desvio de sensivelmente 3,7°C face aos parâmetros normais. A confirmar-se, será o valor mais elevado desde o início das medições, ultrapassando a marca de 2,6°C estabelecida em 2015-2016.

O ciclo anterior do El Niño contribuiu para que 2023 se tornasse no segundo ano mais quente de sempre e para que 2024 fixasse um novo máximo histórico, com cerca de 1,55°C acima da média pré-industrial registada entre 1850 e 1900.

Os efeitos deste episódio já se fazem sentir de forma severa em várias zonas do globo, com destaque para a América Central, chuvas torrenciais associadas a erosão estão a dizimar plantações e aldeias, levando a derrocadas, como já está a acontecer na Guatemala.

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