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Edu Aguirre e Piers Morgan, os lambe-botas

Um dia, Mourinho disse qualquer coisa como isto: «Quero ter a meu lado pessoas com ideias diferentes das minhas. Que, no fundo, não sejam yes men»

José Mourinho, o maior treinador português de todos os tempos — por muito que não tenha tido sucesso no Benfica e por muito que as coisas não lhe estejam a correr de forma perfeita no Real Madrid —, disse um dia qualquer coisa como isto: «Quero ter a meu lado pessoas com ideias diferentes das minhas. Que, no fundo, não sejam yes men». Parece-me, à distância, que pode ser esse um dos erros cometidos, nos últimos tempos, por Cristiano Ronaldo, o maior jogador português de todos os tempos, por muito que esteja a passar por um momento mais complicado na Seleção Nacional.

As pessoas a que Mourinho se referia quando falou em yes men são, em bom português, os lambe-botas: Aguirre e Morgan. Conheceram uma pessoa famosa, colaram-se a ela e tiram os melhores frutos dessa aproximação. Talvez CR7 (a caminho de ser CR1000) precise de alguém que não lhe diga o que ele quer ouvir, mas que lhe diga o que ele precisa de ouvir. Um Scolari, não um Martínez. Quando se atinge a dimensão que CR7 (quase CR1000) atingiu, deve ser difícil lidar com aquilo que considera serem erros alheios. Deve passar-se o mesmo, presumo, com Madonna, Trump, Swift, Putin ou DiCaprio, por exemplo.

Nas últimas duas semanas, estupidamente quanto a mim, os portugueses dividiram-se em dois grupos: pró-JJ e pró-CR. Ou quatro: pró-JJ, contra JJ, pró-CR e contra CR. Ou mesmo cinco: pró-JJ, contra JJ, pró-CR, contra CR e aqueles que acham que, sendo ambos maiores, vacinados e riquíssimos, eles que resolvam o problema. É o meu caso. Não estive na reunião tripartida nem no vídeo a quatro. Apenas presenciei, de novo à distância, alguns factos: Ronaldo não agradeceu aos adeptos no final do Noruega-Portugal (e devia ter agradecido), Jesus arrancou uma conferência pré-jogo com a Dinamarca demasiado belicosa (e não o devia ter feito), Ronaldo desertou da Seleção Nacional (e não o devia ter feito), Pedro Proença tentou pôr água na fervura a seguir ao segundo jogo com a Noruega (não de forma perfeita, mas tentou), Ronaldo largou uma bomba atómica na direção de Jesus (poderia ter sido bem mais diplomático) e, por fim, Proença voltou a falar e tentou abrir pontes em vez de fechar portas (talvez faça sentido).

Por fim, os 8 pontos. Anda muita gente a dizer que foi Tiago Craveiro quem escreveu o comunicado de Cristiano Ronaldo. Não acredito. Quanto a mim, é impossível. O homem que (dizem) inventou a Liga das Nações não pode ter escrito aquilo. Por entre ideias confusas, surge uma pérola: entre uma alegada comunicação de Jorge Jesus a Cristiano Ronaldo para que «estivesse preparado porque jogaria 30 min» e o ponto 5 do comunicado em que Jesus diria, em conferência, que avisou Ronaldo «que poderia ter de o utilizar», há uma distância imensa. Entre o «jogaria» e o «poderia ter de o utilizar» há um mundo. É por isso, com toda a sinceridade, que não acredito que tenha sido Tiago Craveiro a escrever o comunicado. Talvez Elma ou Kátia.

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