Roman Abramovich, antigo dono do Chelsea
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Consultora suspeita de ocultar fortuna de Roman Abramovich com documentos falsos

Investigação da BBC aponta responsabilidades à Deloitte no Chipre e à ocultação de iates, jatos privados e mansões

A conbsultora Deloitte terá auxiliado Roman Abramovich a esconder uma fatia considerável do seu património. O esquema terá envolvido a falsificação de documentos e a manipulação de registos financeiros pertencentes a empresas do oligarca russo, que foi dono do Chelsea.

De acordo com um trabalho jornalístico da BBC e do Bureau of Investigative Journalism (uma ONG sedeada em Londres), ativos avaliados em cerca 600 milhões de euros — entre os quais figuram iates, jatos privados e mansões — foram retirados dos registos contabilísticos das entidades detidas por Abramovich. As contas em causa receberam a aprovação da filial da Deloitte no Chipre e, de acordo com os dados apurados, a conceituada empresa de consultoria e auditoria terá prestado aconselhamento num plano estruturado para fintar as autoridades fiscais.

Ouvido pela estação britânica, Andrew Mitchell, advogado especialista em direito dos serviços financeiros e detentor da distinção King's Counsel (KC), considerou que os elementos recolhidos constituem uma infração fiscal inequívoca, sustentando tratar-se de uma fuga «evidente» e que «não podia ser mais flagrante».

Em resposta às conclusões da investigação, a defesa jurídica de Roman Abramovich rejeitou qualquer ocultação de bens ou incumprimento das obrigações fiscais. Os representantes sublinham que não ficou demonstrado qualquer conhecimento, validação ou ordem direta do magnata russo para a prática de ilícitos, frisando ainda que este se limitou a confiar nas orientações técnicas prestadas por profissionais do setor.

Por seu turno, a Deloitte Chipre assegurou que toda a sua conduta decorreu «em conformidade com a legislação aplicável».

Por sua vez, os representantes legais de Roman Abramovich negaram categoricamente a prática de fraude fiscal ou a ocultação de património, sustentando que a reportagem não apresenta elementos que demonstrem que o antigo proprietário do Chelsea tinha conhecimento, autorizou ou ordenou qualquer falsificação de documentos, defendendo a legitimidade de recorrer ao aconselhamento de profissionais.

O caso remonta a 2006, altura em que o Chipre aprovou uma nova lei de transparência que obrigava à publicação das contas das empresas. Na época, a Deloitte Chipre tinha preparado um rascunho relativo ao exercício de 2003 da empresa cipriota de Abramovich, a Amiscan Investments, onde constavam 600 milhões de euros em ativos de luxo. Entre estes encontravam-se propriedades como uma mansão em West Sussex, um apartamento de luxo em Londres, a propriedade de Chateau de la Croe no sul de França, bem como helicópteros, aeronaves particulares e embarcações como o iate Pelorus, avaliado em 130 milhões de euros. Para evitar a exposição pública do património, os associados do magnata e a empresa de serviços corporativos MeritServus — sediada em Limassol e detida pela Deloitte até 2005, mantendo depois uma estreita colaboração com a mesma — delinearam uma estratégia para transferir os bens para a empresa-mãe da Amiscan, situada nas Ilhas Virgens Britânicas (BVI). Para concretizar o plano, a documentação foi antedatada em três anos, simulando que a dita transferência de ativos tinha ocorrido em 2003.

Roman Abramovich esteve durante quase duas décadas no centro da ribalta no Reino Unido, país onde adquiriu o Chelsea em 2003, financiando a era de maior sucesso desportivo da história dos londrinos. Contudo, na sequência da invasão russa da Ucrânia em 2022, o empresário foi alvo de sanções por parte do governo britânico devido à sua proximidade ao presidente Vladimir Putin, vendo-se forçado a alienar o clube, mas até hoje com milhões de libras congeladas na ilha de Jersey,

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