Christa Pike - Foto: IMAGO
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Condenada à morte no Tennessee que sobreviveu a injeção letal já fala no hospital

Christa Pike ainda com prognóstico incerto

Christa Pike, reclusa no corredor da morte nos Estados Unidos, encontra-se consciente e a falar após ter sobrevivido a uma tentativa de execução falhada na passada quarta-feira, no estado do Tennessee. A norte-americana de 50 anos permanece algemada sob cuidados médicos intensivos num hospital, onde esteve inconsciente durante vários dias enquanto a equipa médica eliminava a substância química injetada no seu organismo.

O caso é considerado sem precedentes por especialistas e pela sua equipa de defesa, tratando-se, ao que se crê, da única pessoa a sobreviver à administração efetiva de uma injeção letal. Em comunicado divulgado na terça-feira, os advogados da reclusa apontaram que o prognóstico permanece incerto, sublinhando esperar «no mínimo uma longa recuperação», e revelaram que a mulher sofreu «danos graves» nos braços.

A criminologista e professora na Fordham Law School, Deborah Denno, manifestou-se «absolutamente estupefacta» pelo facto de Pike estar consciente e a comunicar. Em declarações à BBC, a especialista explicou que, embora tenham existido outros sete casos de prisioneiros que sobreviveram a execuções, nessas ocasiões os carrascos nunca conseguiram introduzir qualquer substância nas veias dos condenados. Pike «é a única pessoa [a sobreviver] a quem algum tipo de toxina foi injetada», referiu, acrescentando: «Fizeram tudo o que era suposto fazer como parte do processo de execução e simplesmente não funcionou. Isto nunca aconteceu antes.»

As autoridades ainda não prestaram esclarecimentos sobre as razões que ditaram o insucesso do procedimento com o químico pentobarbital, nem adiantaram se avançarão para uma nova tentativa de execução. Na sequência dos acontecimentos, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções previstas no estado até ao final do ano, tendo o responsável pelos serviços prisionais estaduais anunciado a intenção de renunciar ao cargo durante o fim de semana.

O episódio anterior mais recente de uma injeção letal falhada tinha sucedido no início deste ano, também no Tennessee, onde a execução de Tony Carruthers, condenado pelo rapto e morte de três pessoas em 1994, foi adiada em maio após a equipa falhar a localização de uma veia, tendo o governador concedido um adiamento de um ano.

Christa Pike foi condenada à pena capital pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995, quando a agressora tinha 18 anos. O crime envolveu espancamento e tortura, tendo sido praticado juntamente com o então namorado, Tadaryl Shipp, após terem conhecido a vítima num campo de formação profissional para jovens com problemas.

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