Austríaca Valentina Cavallar, da equipa SD-Worx Protime
Austríaca Valentina Cavallar, da equipa SD-Worx Protime
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Ciclista austríaca pede «respeito» após controlo antidoping em casa, onde a mãe era velada

Valentina Cavallar diz ter sido submetida a testagem em casa, algumas horas após o falecimento da mãe, e de esta estar a ser velada no local

A corredora austríaca Valentina Cavallar fez um apelo público às autoridades antidopagem por «humanidade, compaixão e respeito», revelando ter sido submetida a um teste de controlo em casa apenas algumas horas após o falecimento da mãe, e de esta estar a ser velada no local.

A ciclista da SD-Worx Protime, equipa à qual se juntou no início de 2026, destacou-se no com o nono lugar da classificação geral no Giro de Itália em junho, mas depois de ter abandonado a Volta a França em agosto não voltou a competir devido a motivos pessoais e familiares.

Através da conta pessoal na rede social Instagram, Cavallar explicou as razões da paragem prolongada, partilhando o momento doloroso que viveu em setembro e o episódio com as instâncias de controlo. «Normalmente prefiro manter a minha vida privada longe dos olhares públicos, mas sinto que isto é algo importante de partilhar».

«Perder a minha mãe em setembro mudou para sempre a forma como vejo a vida. Podemos passar grande parte da nossa vida a perseguir objetivos, a desafiar limites, a medir o sucesso através de resultados, vitórias e conquistas. Mas perder alguém que amamos faz-nos perceber quão pouco disso realmente importa no final. A vida não se resume àquilo que conquistamos, ao sucesso que alcançamos ou a quantas pessoas conhecem o nosso nome. É sobre as pessoas que amamos, os momentos que partilhamos e as memórias que criamos. Sempre soube da importância da minha família, mas acho que nunca tinha compreendido verdadeiramente até ter de viver sem a minha mãe», desabafou.

Valentina Cavallar relatou depois o sucedido: «O que tornou esta experiência ainda mais difícil foi o facto de, escassas horas depois de a minha mãe ter falecido, ter tido de realizar um controlo antidoping em minha casa, na divisão ao lado de onde ela repousava.»

Embora reconheça a relevância da luta contra a dopagem, a atleta lamentou a falta de sensibilidade das entidades responsáveis para com os indivíduos por detrás das regras desportivas.

«Compreendo a importância de um desporto limpo e sempre respeitei a responsabilidade inerente a ser uma atleta profissional. Mas, naquele momento, não estava a pensar no ciclismo, na competição ou nas minhas obrigações como atleta. Era uma filha que tinha acabado de perder a mãe», vincou Cavallar.

«Ter de lidar com um controlo antidoping naquelas circunstâncias foi profundamente doloroso, totalmente despropositado e desrespeitoso para com a minha família. Foi um episódio que me fez refletir sobre a facilidade com que nos esquecemos de que, por detrás de cada atleta, existe um ser humano com uma vida, uma família e emoções que não desaparecem com o início das responsabilidades no desporto profissional. Acredito num desporto limpo. Mas também acredito que a humanidade, a compaixão e o respeito nunca devem ser esquecidos», concluiu.

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