Castigo muito Sever(in)o para as pinturas tricolores (crónica)
Ganhar é ganhar. Seja no princípio ou no fim, com mais ou menos justiça. Porque, lá diz o povo, o que interessa é mesmo marcar. Fê-lo o Arouca, logo aos cinco minutos, e, nessa altura, estava escrito da melhor forma o início de percurso (a solo) de Vítor Severino no comando técnico dos lobos: estes três pontos já ninguém tira ao antigo adjunto de Luís Castro. Foi, pois, uma estreia abençoada para o treinador, de 43 anos, natural de Peniche.
Quando Nais Djouahra tirou o cruzamento da meia esquerda, percebeu-se imediatamente que a bola levava... GPS. Iván Barbero percebeu as coordenadas e cabeceou certeiro (5'): quinto golo em oito jogos para o matador espanhol.
O momento teve o condão de despertar o Estrela da Amadora. A partir daí, a formação orientada por Pepa tomou conta do desafio e fez muito para dar a volta ao texto.
Com as linhas subidas e sem ponta de problema de assumir a posse em meio-campo ofensivo — o Arouca ainda espreitou as transições, mas a reação à perda dos forasteiros era quase sempre exemplar —, o emblema da Reboleira teve em Ianis Stoica o principal protagonista da primeira parte. Mas o internacional sub-21 romeno também pode pedir à Liga o prémio de homem... mais azarado do jogo: oportunidades perdidas aos 19' e 25', e posicionamento errado na antecâmara de uma falta de Nais Djouahra sobre Abraham Marcus (32'), que daria penálti para os visitantes. Mas o camisola 10 estava em fora de jogo e o castigo máximo deixou de ser hipótese. Assim como não contou o remate certeiro de Rafa Soares (43'), porque Ianis Stoica estava (novamente)... adiantado. Todos os centímetros contam. Nem que seja apenas um. Foi o caso...
Mas não se pense que o nome de Ianis Stoica não volta à baila. Instantes antes do apito para o intervalo, o extremo foi chamado à marca dos 11 metros — mão de Javi Sánchez numa disputa de bola com Leandro Antonetti —, mas o tiro foi devolvido pela barra. Não era, decididamente, a sua noite.
Logo a seguir, refira-se, Tiago Esgaio teve o 2-0 na cabeça, mas Leo Linck agigantou-se entre os postes.
A etapa complementar continuou a ser maioritariamente dominada pelo Estrela da Amadora, mas sem tanta qualidade na zona de definição e, como tal, com (bem) menos oportunidades de golo criadas. Neste período, o que sobrou em transpiração faltou em inspiração.
Numa noite cheia de incidências e com o VAR a ter trabalho redobrado (Pedro Santos podia ter visto o vermelho por entrada negligente sobre Eddy Doué, aos 63 minutos), os lobos sorriram... ao 5.º lugar. Os tricolores lamentam... a injustiça.
O que se pode pedir mais a um ponta de lança que tem uma oportunidade clara de golo e fatura? Talvez a resposta seja tão clara quanto um simples... nada. Foi o que fez o matador espanhol que, logo aos 5 minutos, posicionou-se como lhe foi pedido por Nais Djouahra para atirar a contar. Durante o restante tempo em que esteve em campo, tentou, pelo menos, ser útil na zona de pressão.
Parece que tem cola nas chuteiras. O jovem médio natural da Costa do Marfim, de apenas 20 anos, tem muito futebol nos pés... e na cabeça. Porque se pensa bem, melhor executa. Foi sempre o motor dos tricolores, desbravando metros de terreno em busca das melhores linhas de passe no último terço ofensivo, Não satisfeito, também tentou a sua sorte, mas Arruabarrena foi felino (29').
As notas dos jogadores do Arouca:
Arruabarrena (6), Tiago Esgaio (6), Javi Sánchez (5), Jose Fontán (6), Orest Lebedenko (5), Espen van Ee (6), Taichi Fukui (6), Alfonso Trezza (5), Pablo Gozálbez (5), Nais Djouahra (6), Iván Barbero (7), Pedro Santos (5), Gabriel Rukavina (5), Dylan Nandín (5), Lee Hyunju (—) e Brian Mansilla (—).
As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:
Leo Linck (6), Max Scholze (5), Luan Patrick (5), Stefan Lekovic (5), Rafa Soares (6), Santiago Serra (6), Eddy Doué (7), Abraham Marcus (6), Lovro Zvonarek (6), Ianis Stoica (4), Leandro Antonetti (5), Jefferson Encada (5), Beni Souza (5), Emerson Vanga (—), Kevin Jansson (—) e Alisson Souza (—).