Bruno Gallo em disputa de bola com Casemiro, no Marítimo-FC Porto da Liga 2014/15 - Foto: A BOLA
Bruno Gallo em disputa de bola com Casemiro, no Marítimo-FC Porto da Liga 2014/15 - Foto: A BOLA
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Carrasco do FC Porto nos Barreiros recorda: «Nunca entrávamos em campo derrotados»

Bruno Gallo deu pesadelos ao FC Porto em 2014/15, com golos decisivos no Caldeirão. Médio destaca a A BOLA ambiente fervoroso em dia de jogos grandes e lembra «um dos melhores momentos da carreira»

Bruno Gallo foi um verdadeiro caça-dragões em 2014/15, com golos decisivos nos dois triunfos do Marítimo frente ao FC Porto nessa temporada, ambos nos Barreiros.

O médio brasileiro, então com 26 anos, era figura de proa do conjunto de Ivo Vieira, tendo faturado o único tento na vitória (1-0) para o campeonato e rubricado um dos remates certeiros no duelo (2-1) a contar para as meias da Taça da Liga.

Atualmente com 38 anos e nas divisões inferiores do Brasil, ao serviço do Niteroiense (terceira divisão do Carioca), o centrocampista que também vestiu em Portugal as camisolas de Leixões, Vitória de Setúbal e Chaves esteve à conversa com A BOLA e recordou a época no Funchal, onde se tornou uma das figuras do emblema verde-rubro. Na referida campanha, apontou sete golos e apenas foi superado na lista de artilheiros maritimistas por dois Moussas: Marega (oito tentos) e Maazou (11).

«O grande segredo foi a força do nosso grupo. Tínhamos uma equipa muito competitiva, com jogadores de enorme qualidade, mas acima de tudo um grupo muito unido, que acreditava no seu potencial. Sabíamos da grandeza do FC Porto e da dificuldade que era enfrentá-lo, mas nunca entrávamos em campo derrotados. Conseguimos fazer dois jogos muito inteligentes, com muita entrega, organização e personalidade. Para mim, individualmente, ter marcado nas duas vitórias foi algo muito especial. São momentos que ficam para sempre na memória de um jogador. O FC Porto é um gigante do futebol português, e poder contribuir diretamente para duas vitórias daquela dimensão é motivo de muito orgulho», confessa.

O Caldeirão sempre foi uma autêntica fortaleza e o Marítimo sempre vendeu muito caras as derrotas no seu reduto, até contra os eternos candidatos ao título.

«Jogar nos Barreiros era realmente especial. Ainda não era o "Caldeirão" que é hoje, ainda estavam a terminar a obra de um dos lados da bancada. Mesmo assim, o ambiente que os nossos adeptos criavam era impressionante, principalmente nos jogos grandes. Sentíamos aquela energia desde o aquecimento, e isso dava-nos uma motivação extra. Lembro-me que jogar contra FC Porto, Benfica ou Sporting nos Barreiros tinha sempre um sabor diferente. A proximidade dos adeptos, a pressão sobre os adversários e a maneira como a equipa se entregava faziam daquele estádio um lugar muito difícil para qualquer visitante. Saber que aquela continua a ser a última vitória do Marítimo em casa contra o FC Porto torna essa recordação ainda mais especial. Espero sinceramente que o clube volte a viver muitas noites como aquela», salienta Bruno Gallo.

Danilo Pereira e Marega, dois destaques dessa equipa, acabaram por ter carreiras de sucesso que não surpreendem o médio. «Sem dúvida que os dois já demonstravam uma qualidade enorme. O Danilo era um jogador impressionante pela capacidade física, inteligência tática e tranquilidade com bola. Apesar de muito jovem, já demonstrava muita liderança no plantel. Era daqueles jogadores que transmitiam muita segurança à equipa», frisou.

«O Marega tinha características muito diferentes, mas igualmente impressionantes. Era extremamente forte, rápido, competitivo e muito difícil de marcar. Nos treinos já percebíamos o potencial que tinha. Ninguém consegue prever até onde um jogador vai chegar, mas não fiquei surpreendido com o sucesso dos dois. Tinham qualidade e capacidade de trabalho para jogar ao mais alto nível. Fico muito feliz por ter partilhado o balneário com eles e por ver tudo o que conquistaram nas suas carreiras», anotou o médio, que considera ter vivido no Funchal uma das fases mais memoráveis do seu percurso enquanto jogador.

«Considero que foi um dos melhores momentos da minha carreira, tanto individual como coletivamente. Estava numa fase de muita confiança, sentia-me muito bem fisicamente e tinha uma regularidade que considero fundamental para qualquer jogador. Aquela temporada foi especial porque consegui juntar boas exibições, golos importantes e resultados marcantes com a equipa. Quando tens a confiança do treinador, dos companheiros e dos adeptos, tudo acaba por fluir de maneira mais natural. Durante os meus 20 anos de carreira com jogador profissional, passei por diferentes países e viver experiências incríveis, mas guardo aquela temporada no Marítimo com um carinho enorme. Foi um período em que senti que conseguia expressar muito do meu futebol», rematou.

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