Brenda Pérez celebra 150 jogos de leão ao peito: «Nunca imaginei»
Brenda Pérez alcançou a marca redonda de 150 jogos com a camisola do Sporting, um feito celebrado na goleada, por 5-0, imposta ao Marítimo, no Estádio Aurélio Pereira.
Em declarações prestadas aos canais de comunicação do clube leonino, a média espanhola passou em revista a trajetória em Alvalade, abordando o momento em que ponderou deixar os relvados e a forma como reencontrou a sua melhor versão desportiva.
Ao assinalar o registo histórico, a jogadora destacou a honra de envergar as cores verdes e brancas: «Acho que será sempre esse o sentimento. É um orgulho poder representar o Sporting e o que é esta instituição, este clube, a nível mundial. Sinceramente, nunca imaginei, quando aqui cheguei, que podia atingir esta marca, porque uma pessoa nunca pensa nisso, mas alcancei-a. Estou muito feliz. Estou aqui para ajudar a equipa, para ajudar o Clube e para ajudar as minhas colegas. Vai ser assim sempre.»
A capitã recordou igualmente o triunfo expressivo que selou o número redondo: «Uma vitória é sempre muito boa, não é? Somos o Sporting e o nosso objetivo é sempre ganhar. Se ganharmos por mais golos, ainda melhor. Mas, para mim, foi bastante emotivo por esse motivo: conseguimos ganhar, conseguimos ganhar bem e a jogar bem.»
No balanço do seu trajeto, a espanhola apontou tanto as adversidades como as principais conquistas. No plano negativo, lembrou o problema físico sofrido na segunda época, ultrapassado com recurso à persistência e ao «treino invisível». No polo oposto, a conquista da Supertaça em 2021/2022 permanece como a memória mais marcante da sua passagem pelo emblema leonino.
«Quanto aos momentos bons, vou ficar com a minha primeira Supertaça. Foi o momento mais especial que vivi aqui. Não só pelo que significa, não apenas pelo troféu, mas por como me sentia quando cheguei, numa fase da minha vida que, como já contei muitas vezes, pensava deixar o futebol», revelou, recordando a encruzilhada profissional em que se encontrava.
«Pensava 'quero mesmo continuar, ou quero fazer outras coisas para as quais estudei?'. E apareceu esta oportunidade, apareceram também outras, mas a reunião com o Sporting foi a que me fez abrir os olhos. Pensei “não, não posso deixar isto, tenho de me dar uma oportunidade, porque eu consigo, eu trabalhei para isto toda a minha vida e ainda valho muito», justificou.
«Sou muito mais madura»
A exibição frente ao eterno rival nessa mesma final mantém-se viva na memória da centenária: «Chegar aqui e conseguir essa vitória, da forma que foi, contra o Benfica, comigo a marcar, a ser a MVP... nem sequer num dos meus melhores sonhos pensei que ia acontecer assim. E depois, obviamente, tudo o que ganhámos, como a Taça de Portugal em 2021/2022 e a outra Supertaça, em 2024/2025. Que venham muitos mais troféus.»
Brenda Pérez refletiu também sobre a evolução pessoal e a gestão emocional no terreno de jogo: «Estamos sempre a mudar, não é? Não só a nível profissional, também a nível pessoal. E isto é no futebol e na vida geral, toda a gente vai mudando. Mas sou muito mais madura, é certo. Também mudou um pouco a minha exigência comigo própria. Eu sou muito, muito exigente comigo, só que chegou a um ponto em que essa exigência me estava a travar quem eu era dentro de campo. E acho que, para conseguir fazer o nosso melhor, pessoas que somos mais técnicas, que gostamos de encher bastante o campo, de pedir muito a bola, de ter muita personalidade, precisamos de fluir, de estar em flow, como eu digo. E, nesse sentido, tentei trabalhar para ser exigente, mas num ponto em que não me afetasse dentro do campo.»
Com a responsabilidade da braçadeira e a transmissão de valores às mais jovens no balneário, a média espanhola não estabelece prazos para pendurar as chuteiras e aponta baterias ao futuro, assegurando determinação total para continuar a trabalhar e a vencer rumo a 2026/2027.
Ao atingir a marca redonda de 150 partidas e seis anos ao serviço do Sporting, Brenda fez um balanço profundo da sua ligação ao clube verde e branco, destacando a ambição intacta, a liderança dentro e fora de campo e o impacto que construiu ao longo das épocas.
Com um trajeto recheado de golos, assistências e momentos com a braçadeira de capitã, a futebolista assegurou que continua a sentir-se no sítio certo enquanto mantiver a vontade e a capacidade de fazer a diferença.
«O que me faz sentir que continuo no lugar certo é que eu venho para aqui com vontade, venho para aqui com ambição. Sempre disse que quando deixar de ter ambição, de sentir que já não pertenço ou que já não estou a dar valor qualitativo ou a acrescentar qualquer coisa ao Clube ou à equipa, sou a primeira a afastar-me. E acho que hoje ainda consigo dar isso. Sinto que os adeptos também estão muito próximos e que gostam mesmo do que sou», sublinhou.
Olhando para trás, Brenda deixou uma mensagem de gratidão ao seu próprio percurso e à resiliência demonstrada ao longo da carreira: «À primeira, à Brenda que chegou aqui, diria ‘obrigada’. Obrigada por não teres desistido e por te teres dado mais uma oportunidade, porque merecias. E à Brenda de hoje em dia, é complicado... mas dizia para nunca deixar de ser eu. E nunca vou deixar, porque acho que ser frontal, uma pessoa tal qual se é fora daqui, é o que também engrandece uma jogadora.»
Sobre a responsabilidade de envergar a braçadeira de capitã no Sporting, a jogadora frisou a leitura tática e a postura agregadora que sempre procurou ter: «Consigo perceber muito bem o jogo em si e acho que essa é uma das minhas características de que os treinadores sempre gostaram, e que também por esse motivo fui escolhida. Quando chegas a uma equipa tão grande mundialmente como o é o Sporting, já tens muita responsabilidade em si, a de chegar aqui e fazer o melhor que sabes e podes. No momento em que envergas a braçadeira é mesmo um orgulho. Mas, para mim, sinceramente, sou capitã com ou sem a braçadeira e sempre disse isso. A pessoa que sou não vai mudar», rematou.
«Nasci para ganhar»
Com três troféus conquistados e a cumprir a sexta temporada de leão ao peito, Brenda Pérez mantém a fome de vitórias intacta. A média espanhola, de 33 anos, vincou a determinação em continuar a somar títulos de verde e branco e afastou qualquer pensamento relativo ao término da carreira.
«Gosto de ganhar, nasci para ganhar, então quero ganhar sempre tudo. Fico muito chateada quando não ganho, mas também aprendi a dividir um pouco o que é a minha vida pessoal da minha vida profissional», explicou a futebolista, sublinhando a ambição máxima para a presente época: «Este ano estou aqui para conquistar todos os títulos, se for possível.»
Apesar da longevidade nos relvados e dos comentários relativos à idade, Brenda Pérez garantiu atravessar um excelente momento físico, fruto de um rigor profissional adotado desde jovem no descanso e na alimentação: «A cada ano sinto-me melhor. Ainda me falta muito futebol pela frente. Sinto-me melhor do que quando tinha 27 anos.»