«Renato Sanches? É preciso ser racional em relação ao que tem produzido»
O regresso de Renato Sanches ao Benfica é uma hipótese confirmada por Rui Costa, com o presidente das águias a admitir que o médio do PSG pode fazer o caminho inverso ao de João Neves, ainda que a sua vinda se materialize por empréstimo. Para Jorge Castelo, professor e treinador, o português de 26 anos tem qualidade para fazer a diferença no Benfica, mas, para isso, teria de ultrapassar a «série de lesões que o tem assolado».
«Não está aqui em causa a sua qualidade, mas sim a sua incapacidade de mostrá-la durante muito tempo», começou por dizer o treinador de 67 anos. «Tem passado por vários treinadores e vários clubes, tem tido sempre boas oportunidades, mas tem tido o azar de as lesões o terem privado de ter ritmo, persistência e continuidade no processo de treino e em contexto de competição. É uma questão que o Benfica com certeza pondera ou irá ponderar se o contratar», acrescentou.
Jorge Castelo considera que as características de Renato Sanches «casam bem com a forma como Schmidt põe a equipa a jogar», destacando que o médio «sempre demonstrou ter capacidade e uma enorme adaptabilidade às exigências dos diferentes treinadores que teve na carreira». Reforça, ainda assim, que «o problema é que nunca vimos Renato a ser consistente para poder demonstrar toda a sua capacidade», devido às lesões.
Seria o regresso de um jogador da formação encarnada por quem os adeptos nutrem imenso carinho, mas Jorge Castelo pede cautela: «Por mais afetividade que possa haver, há algo que fica sempre no ar: qual é a possibilidade de ele contribuir de forma efetiva para os objetivos do clube? É essa mistura que muitas vezes pode ser negativa relativamente às perspetivas que temos de um jogador. Devemos ser racionais relativamente ao que o jogador tem produzido.»
Por fim, o professor relembra que Renato Sanches e João Neves «jogam em posições diferentes e têm um estilo muito diferente», pelo que «o treinador terá de fazer ajustamentos em termos de organização de equipa». Sublinha que «se o jogador estiver fisicamente disponível, haverá ajustamento no coletivo», mas deixa o alerta sobre a forma como Roger Schmidt gere a equipa: «Há a dimensão individual e depois como se conjuga na dimensão coletiva, que é o mais importante. É preciso perceber que Schmidt está há dois anos no Benfica e tem tendência para usar um certo grupo de jogadores, 13 ou 14. Faz poucas alterações e, como tal, o jogador, para ser opção, tem de estar num nível elevado para suportar muito tempo de competição numa época altamente desgastante.»