Francisco Román Alarcón Suárez, conhecido como Isco
Francisco Román Alarcón Suárez, conhecido como Isco
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Antigo astro do Betis avisa: «Isco é o farol e Parrott um 9 à moda dos anos 90»

Oli, o homem do golo mais rápido do Villamarín antevê o FC Porto para A BOLA. Amigo de Paulo Bento, fala sobre o ‘Efeito Pellegrini’, destaca o avançado irlandês, além, claro de Isco, Ceballos. E deixa outro nome…. Abde Ezzalzouli é «um autêntico punhal»

SEVILHA — Quem não conheceu Oli, basta ir ao Google e escrever 'Oli elétrico'. Logo aí surge a história do golo mais rápido da história do Estádio Benito Villamarín, num épico triunfo do Betis sobre o Real Madrid, por 3-2, em 1988. Amigo de Paulo Bento, com o qual se cruzou em Oviedo, é personagem respeitadíssima no clube sevilhano, onde foi também treinador das camadas jovens. Era o típico camisola 9 dos anos 90 — daí ele gostar tanto de Troy Parrott, grande ameaça a Diogo Costa —, com instinto, entrega e poder no jogo aéreo.

Oli marcou o golo mais rápido do estádio do Betis

Em declarações a A BOLA, o antigo avançado asturiano olha para o momento da equipa de Manuel Pellegrini com indisfarçável otimismo, mas vincando o grau de exigência do duelo europeu que se avizinha.

«O Betis começou bem a temporada. Ganhou ao Real Madrid nestes primeiros jogos e venceu na primeira jornada da Liga dos Campeões, em Lille. A equipa está bem e agora vai recuperar o Ceballos. A sua contribuição no meio-campo vai ser importante, mas o FC Porto sabe que o grande farol da equipa é o Isco», salienta Oli, destacando a bagagem que o miolo ganha com este regresso: «Ceballos e Isco juntos trazem muita experiência, ambos ganharam Ligas dos Campeões pelo Real Madrid»

A equipa está bem e agora vai recuperar o Ceballos. A sua contribuição no meio-campo vai ser importante, mas o FC Porto sabe que o grande farol da equipa é o Isco

Oli e Paulo Bento nos tempos do Ovieda

No plano individual, o ex-goleador avalia as figuras em destaque no adversário do FC Porto. «Destaco o grande momento de forma do guarda-redes, o Valles, e do número 9, o Troy Parrott, o avançado irlandês. É um ponta de lança forte, com bom jogo de costas para a baliza e muito lutador. Fez quatro golos pela seleção da Irlanda nesta paragem. É um avançado com um estilo antigo, à moda dos anos 90, um 9 matador que se movimenta muito bem no corredor central e ocupa a área», descreve.

Em contrapartida, sobre o brasileiro Antony, craque da companhia, a avaliação é mais crua «Espera-se muito mais dele. Não está num bom momento de forma e ainda não tem sido um jogador diferenciador. Quem está em grande forma é o Abde Ezzalzouli, um autêntico punhal na ala esquerda. Tem velocidade, é forte no um contra um e ganha profundidade. Nas alas jogam o Abde Ezzalzouli e o Antony, mas o Abde está muito melhor.»

Quem está em grande forma é o Abde Ezzalzouli, um autêntico punhal na ala esquerda. Tem velocidade, é forte no um contra um e ganha profundidade. Nas alas jogam o Abde e o Antony, mas o Abde está muito melhor

Conhecedor das especificidades do futebol português e atento ao trabalho de Francesco Farioli, Oli prevê um confronto de estilos vincado no Olímpico. «O Betis precisa de ter a bola. Pelo que tenho visto, o FC Porto é uma equipa fisicamente muito forte. Se o Betis conseguir ter a posse de bola, assumir o controlo com posses longas e colocar em prática o bom futebol de Isco, Fornals, Abde e Antony, então tem grandes possibilidades de ganhar.»

Oli vai estar no La Cartuja a fazer comentários para a Movistar

A contas com o novo formato da Champions, o antigo internacional espanhol alerta para a importância fulcral dos dois próximos compromissos caseiros. «A Liga dos Campeões é uma prova mais exigente do que a Liga Europa, mas o Betis tem um bom plantel, mais extenso do que na temporada passada. Penso que estes próximos dois jogos vão definir as hipóteses de qualificação. Recebemos o FC Porto e o Feyenoord em La Cartuja. Se a equipa conseguir somar quatro ou seis pontos nestes dois jogos em casa, as hipóteses de sonhar com o apuramento aumentam substancialmente», conclui Oli.

Efeito Pellegrini: 'Engenheiro da estabilidade'

Sete épocas consecutivas no mesmo banco é uma raridade no futebol moderno, mas no Betis o comando de Manuel Pellegrini tornou-se a pedra basilar de uma metamorfose bem-sucedida. Oli não hesita em atribuir ao técnico chileno a consolidação do Betis, um clube que no passado alternava com frequência entre altos e baixos e que hoje se afirma como presença habitual nas noites europeias.

«Já vai para a sétima temporada. Ele trouxe estabilidade e experiência ao clube. O Pellegrini treinou o Manchester City, o Real Madrid e o Villarreal. É um treinador com muita experiência, um homem tranquilo», assinala o antigo avançado asturiano, recordando a trajetória ascendente sob o comando do chileno: «O clube foi crescendo: primeiro chegaram à final da Conference League contra o Chelsea há três anos, depois jogaram a Liga Europa — onde foram eliminados pelo SC Braga na época passada — e agora estão na Champions.»

O Pellegrini aprecia muito jogadores com o perfil de meia-ponta. Gosta de atletas com talento, que saibam ter a bola e assumir o controlo do jogo. No passado apostou no Canales e no Fekir, agora tem o Isco, Fornals, Abde e Antony

Uma das imagens de marca do trabalho do ‘Engenheiro’ em Sevilha tem sido a capacidade de reabilitar futebolistas vindos de grandes palcos europeus, oferecendo-lhes um contexto onde o talento criativo volta a desabrochar. «O Pellegrini aprecia muito jogadores com o perfil de meia-ponta. Gosta de atletas com talento, que saibam ter a bola e assumir o controlo do jogo. No passado apostou no Canales e no Nabil Fékir, agora tem o Isco, Fornals, Abde e Antony. Ele valoriza o controlo através de posses de bola longas e de um bom jogo apoiado. Isso é importante no Betis, porque é um clube que gosta de bom futebol e os adeptos agradecem essa abordagem», explica Oli.

Com soluções mais vastas e a chegada de referências ofensivas que encaixam na perfeição na sua ideia de jogo, a fasquia volta a subir nas competições domésticas. «Creio que este ano poderão lutar novamente pelo quarto lugar no campeonato, pois têm um plantel ainda melhor do que o da temporada passada, muito devido à contratação de um bom avançado como o Parrott. O Pellegrini trouxe, acima de tudo, equilíbrio e estabilidade ao clube», remata.

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