Mundial
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AF Porto já prepara o Mundial 2030, num investimento a rondar os oito milhões de euros
«114 anos depois da fundação, a Associação de Futebol [AF] do Porto, finalmente, tem o próprio equipamento desportivo», enaltece, em entrevista A BOLA, o presidente José Manuel Neves, a presidi-la há seis anos, mas ligado a ela desde 1988.
«Até há cerca de um ano andávamos com a casa às costas. Agora passámos a ter o nosso hub de trabalho», enaltece, a poucas horas da inauguração (neste sábado) da segunda fase do Centro de Formação da AF Porto, na Prelada, que contará com a presença, entre outros, de Pedro Proença (líder da FPF), Reinaldo Teixeira (presidente da Liga) e um representante do Governo.
A nova e tão aguardada obra contempla dois campos de relva natural. «Tínhamos operacional apenas um campo sintético. Agora passamos a ter um relvado com as medidas oficiais FIFA e outro para treino de guarda-redes, que hoje tem muita procura e é muito necessário», detalha, perspetivando já a terceira fase: «Seguir-se-á um edifício com cerca de 3000 metros quadrados, que terá balneários, salas de refeições, uma clínica de tratamento de atletas…»
O objetivo é que essa terceira fase esteja pronta até ao Mundial de 2030. «A fase final desta construção terminará em 2029. Queremos que esta seja uma infraestrutura de apoio ao Mundial, seja para aqui treinarem seleções ou árbitros. Queremos fazer parte da solução para que mais um hub de excelência esteja ao serviço do Mundial 2030», reforça o dirigente.
Mas o investimento, que «ronda os oito milhões de euros, já a contar com a terceira fase», foi feito, sobretudo, a pensar no bem-estar dos «atletas, árbitros, dirigentes e staff» da associação: «Temos hoje cerca de 550 clubes, muito perto de 50.000 mil atletas, 1.000 árbitros, e 1.500 jogos por semana. Para tudo isto, todos precisam de estar bem preparados e estes espaços, pensados para a família da Associação de Futebol do Porto, possibilitam-no.»
Futuro ponto turístico?
A Associação de Futebol do Porto não está sozinha neste — mais do que um lugar de sonho — local imprescindível. No que toca ao dinheiro, «houve conjugação de esforços». «A associação tem algum capital próprio, mas a FPF também ajudou. Além disso, os 18 municípios do Porto aportaram igualmente uma componente de financiamento que nos permitiu chegar até aqui», enalteceu José Manuel Neves.
Contudo, a solidariedade começou muito antes e por parte de outras entidades tão ou mais importantes neste projeto. Foi, precisamente, isso que o dirigente quis destacar, quando mencionou a Santa Casa da Misericórdia do Porto e a Câmara Municipal.
«Este espaço não era nosso. Foi cedido em direito de superfície pela autarquia e Santa Casa. Há cerca de quatro anos, disse ao então presidente da Câmara, Rui Moreira, e ao senhor provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, que andávamos à procura de instalações e era muito difícil encontrá-las. Um dia tocou o telefone e o provedor disse-me: 'Presidente, provavelmente temos uma solução para a sua necessidade'. Quando começámos a trabalhar na maquete, verificámos que parte do terreno era da Câmara do Porto. Falámos então com Rui Moreira que se afirmou disposto a trabalhar nesse sentido», agradece.
Agora, é esperar que as «autoridades da cultura» sejam amigas e ajudem a tornar o Centro de Formação da AF Porto num… ponto turístico. Não é para menos. Além do cunho desportivo que agora se lhe incute, aquele é um importante espaço histórico e cultural da cidade Invicta.
«Este belo parque de 17 hectares de árvores e espaços verdes tem património classificado. Queremos que este torreão de Nicolau Nasoni — como é a Torre dos Clérigos — seja preservado e que faça parte de um circuito turístico a começar nos Clérigos, passando pelas várias quintas de Nasoni, e a terminar aqui. As autoridades da cultura estão disponíveis para analisar e considerar», garante.
Mais do que ao futebol, José Manuel Neves afirma que aquele é «um espaço aberto à cidade, ao concelho, ao distrito e à região, para as pessoas poderem respirar e apreciar arte e cultura».