Abel: «Se a nossa presidente não fosse forte, o treinador já teria sido despedido duas ou três vezes»
Abel Ferreira não poupou elogios a Giay após a expressiva vitória do Palmeiras por 4-1 sobre o Corinthians, disputada no domingo. O lateral argentino esteve em grande destaque ao apontar dois golos no dérbi, levando o técnico português a recordar a confiança depositada no atleta, mesmo após momentos de contestação externa, sublinhando a importância do compromisso individual dos futebolistas em detrimento da técnica imediata.
«Se fosse a seguir o que dizem, já tinha mandado o Giay embora passado um mês. Podem ter a certeza, jogadores em quem eu vejo que não têm futuro não ficam no Palmeiras. Eu não abdico do caráter. Prefiro contratar um jogador inicialmente mais fraco tecnicamente, de leitura, mas com compromisso e caráter», salientou o técnico luso.
Questionado sobre o peso do dérbi paulista, Abel Ferreira reiterou a postura partilhada anteriormente pelo seu adjunto, João Martins, após o triunfo frente ao Bahia, recusando encarar o clássico com uma motivação distinta dos restantes desafios do calendário. «Não me mobilizo, nem a mim nem aos meus jogadores, só por irmos jogar contra o Corinthians. No Palmeiras, todos os jogos têm de ser levados ao limite. O desafio que deixo, a brincar com os nossos adeptos, é fazermos de cada encontro uma final e recebermos todos os adversários em casa como recebemos o Corinthians», declarou.
O treinador português destacou também a estabilidade diretiva como fator decisivo no sucesso do clube, traçando um contraste com a realidade do rival, que luta contra a descida de divisão e procede a nova troca no comando técnico. «Mais do que olhar para o treinador ou para os jogadores, é preciso olhar para quem lidera. É essa a diferença. Se a nossa presidente não fosse muito forte e corajosa, o treinador já teria sido despedido duas ou três vezes», observou, reforçando a gestão financeira responsável: «Vendemos agora um jogador por 40 milhões de euros e não fomos contratar ninguém. Não posso dizer que a equipa ficou com mais opções depois de vender o Allan, mas respeitamos os profissionais do Palmeiras, os nossos patrocinadores e fornecedores.»
Apesar da vitória folgada por 4-1, Abel alertou para os perigos do excesso de agressividade em jogos desta dimensão e rejeitou que o resultado espelhe com precisão o valor do adversário. «Temos de entender a dimensão de um Corinthians-Palmeiras, mas temos de começar com 11 e terminar com 11. O Corinthians é uma boa equipa que está sem confiança, e isso faz a diferença. Não creio que o 4-1 reflita o desnível de qualidade entre os dois conjuntos, mas o Palmeiras atravessa um dos melhores períodos da sua história nestes últimos quatro ou cinco anos», analisou.