Abel mantém superstição e desabafa: «Vocês fazem questão de lembrar que não sou bom o suficiente»
O Palmeiras garantiu a presença em mais uma final da Taça Libertadores ao ultrapassar o Fluminense através do desempate por penálties. Trata-se da quarta decisão continental alcançada pelo clube sob o comando técnico do português Abel Ferreira, que já conquistou a prova em 2020 e 2021 e foi finalista vencido em 2025.
Como é seu costume, Abel Ferreira revelou, na conferência de imprensa, que optou por não assistir aos penálties, decisão que já tomou no passado.
«Em todos os penáltis que houve aqui não vi nenhum. Fiz o trabalho que tinha de fazer com os jogadores durante a semana, não os preparei para bater, porque em treino nada replica a intensidade emocional de um penálti em dia de jogo», explicou o técnico luso, detalhando a decisão: «Já perdi tantas vezes em penáltis, criei um protocolo, todos sabem o que fazer, e ponto. Foi com mérito e preparação. E seguimos, fechados, sabendo que podemos ganhar ou perder. Ninguém tem uma receita mágica, é naquilo em que cada um acredita. (...) Já falei com a presidente, com o nosso diretor. Nunca vou conseguir colocar no treino a intensidade emocional desse momento. Marcar uma série de cinco penáltis, com 40 mil pessoas a olhar à espera de que marque e outras à espera de que falhe. Conseguem imaginar a intensidade emocional?»
O treinador realçou a maturidade do grupo, embora tenha admitido que a sucessão de triunfos aumentou o nível de exigência à volta do clube.
«A verdade é que ando a tentar bater os meus próprios recordes e vocês fazem questão de lembrar que não sou bom o suficiente. Isso faz com que ande sempre à procura da minha melhor versão. Queremos ganhar, é um grupo completamente diferente, muito mais jovem do que há dois anos», apontou Abel Ferreira. «Os nossos atletas estão preparados, normalizámos algo muito difícil, que é chegar à final da Libertadores. Pensei que depois de ganhar a primeira seria mais feliz, e é exatamente o contrário, fica tudo cada vez mais pesado, como se existisse a obrigação de ganhar, como se o Palmeiras tivesse a obrigação de vencer. Não, a obrigação é de dar o nosso melhor.»
Abel Ferreira celebra mais uma final da Libertadores: “Normalizamos algo extremamente difícil de conseguir” ❝Ando a tentar bater os meus próprios recordes e, mesmo assim, fazem questão de me lembrar que não sou bom o suficiente. Isso faz-me procurar sempre a minha melhor versão. Temos um grupo muito mais jovem do que há dois anos. Já conquistámos um título este ano e estamos noutra final. Hoje fizemos o nosso 61.º jogo na temporada. Parece fácil, mas normalizámos algo extremamente difícil: chegar à final da Libertadores. Para mim, significa missão cumprida. É fazer com que os torcedores durmam bem e amanhã vão trabalhar mais felizes. Sou o que sou porque os meus jogadores são o que são. Porque acreditam e colocam toda a sua qualidade em campo. Sou extremamente grato por treiná-los e por estar no Palmeiras. Sem estrutura e sem jogadores, não há treinador que lute por títulos.❞
— Twit Palmeiras (@twitpalmeiras) October 22, 2026
A grande decisão está agendada para o dia 28 de novembro, em Montevideu. O adversário sairá do embate da outra meia-final entre Flamengo e Estudiantes, agendado para esta quinta-feira. Confrontado com a possibilidade de reencontrar o clube carioca, que derrotou o Palmeiras na final de 2025, o português rejeitou preferências.
«O nosso grande objetivo era estar na final e, quando lá chegarmos, vamos prepará-la. Não escolhemos adversário, as finais são sempre difíceis e jogam-se para se ganhar», sublinhou.
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