Rui Borges levou leões à vitória em Lens
Rui Borges levou leões à vitória em Lens - Foto: IMAGO
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A camisola oferecida, o 'palhaço' e o recado: tudo o que disse Rui Borges

Felicidade foi a palavra de ordem após triunfo em Lens, que permitiu que o técnico leonino igualasse recorde de Ruben Amorim. Todos contam... mas é preciso «treinar» e «insistir» na finalização

LENS — Rui Borges analisou na sala de imprensa do Félix-Bollaert o triunfo do Sporting (2-0) na casa do Lens, na segunda jornada da fase de liga da UEFA Champions League.

—Fica a ideia que o plano de jogo do Sporting correu na perfeição e que a equipa estava preparada para sofrer e tirar proveito de saídas rápidas. Concorda com esta análise?

— Sabíamos que ia ser um início de jogo muito difícil, intenso, competitivo. O Lens, de forma coletiva, é uma equipa muito intensa. Tivemos essa dificuldade numa fase inicial, mas acima de tudo estávamos cientes daquilo que era o adversário e daquilo que íamos passar em alguns momentos pela qualidade deles, pelo ambiente, pela dificuldade do jogo. Estamos a disputar Champions League, logo aí dita a dificuldade dos adversários. A equipa estava ciente disso, manteve sempre essa tranquilidade. Hoje era preciso ter coragem, ambição e humildade e durante 93 minutos nunca lhes faltou isso e foi importantíssimo. Depois sabíamos os espaços que davam e que em momentos até de transição poderíamos ferir muitas vezes o Lens. Acho que em alguns momentos poderíamos ter feito mais golos e em outros poderíamos ter tido mais qualidade daquela que tivemos nas saídas. Mesmo o Luís [Suárez], o Geny hoje com uma primeira parte difícil na toma de decisão. São dois jogadores que fazem claramente a diferença e que se tivessem no seu normal em alguns momentos de ligação poderíamos ter ferido ainda mais vezes o Lens. Em alguns momentos também conseguimos abrandar o jogo, respirar com bola e obrigar o Lens a baixar um bocadinho. Acima de tudo estou feliz porque cumpriram à risca com aquilo que era pedido. e e souberam perceber o que o jogo ia proporcionar e mantiveram-se fiéis a isso.

—Muitas vezes os treinadores tentam afastar-se um pouco de recordes pessoais. Hoje igualou Ruben Amorim como o técnico do Sporting com mais vitórias na Champions. É um sentimento de mais responsabilidade ou dever cumprido?

— Sentimento de felicidade por ter ganho um jogo na Champions League. Sei bem a dificuldade de ganhar este jogos, principalmente fora de casa. Num grupo com muitos miúdos novos, que nunca jogaram esta competição, conseguirmos manter esta competitividade é fantástico. Para mim, enquanto treinador deixa-me feliz, deixa-me satisfeito por ver o rigor e o foco deles. Em termos individuais, fico feliz, se Deus quiser hei de bater outras coisas pelo meu caminho. Feliz, acima de tudo feliz pelo que tem sido o meu trajeto. Estou aqui por muita competência, muito trabalho. Não caí de paraquedas e é um bocadinho para esses Bernardos da vida.

— Que indicações deu a João Simões para mudar a sua influência no jogo que acabaram por dar logo num golo?

— O Simões tem características muito próprias. Nós sabíamos que era um jogo em que os médios iam ser muito importantes, fosse em transporte quando ganhássemos espaço mais à frente com as segundas linhas, fosse a romper a linha defensiva do Lens como aconteceu no segundo golo, do Doumbia. Mostrámos isso ao intervalo, porque o Lens acompanhava muito a referência do Luís, e tem alguns problemas de profundidade. Conseguimos ganhar essa profundiade com as segundas linhas, o Doumbia fez isso muito bem. O Simões também tentou fazer isso algumas vezes. O Simões dá-nos isso, essa capacidade de rotura e de condução que aconteceu no primeiro golo. É um puto, um miúdo cheio de energia e que passa essa energia para os colegas, tanto lhe faz jogar com o Lens ou contra uma equipa da distrital para a Taça de Portugal. Ele vai ter a mesma entrega, a mesma vontade, a mesma energia, a mesma vontade de ganhar, a mesma mesma humildade e e cai no que lhe pedi hoje: coragem, humildade e muita ambição, é um miúdo cheio disso. Fico feliz por vê-lo voltar a este nível.

— Para quem é que foi a camisola que o João Simões lhe deu no final e foi entregar à bancada?

— Foi para um primo meu que está aqui em França e que infelizmente não vejo muitas vezes. Sou muito ligado à minha família e sempre serei, por isso fico feliz por tê-lo visto aqui. Fez o sacrifício de vir aqui e deixou-e muito feliz por isso o mínimo que eu podia fazer era oferecer uma camisola. do Sporting. O Simões foi o primeiro que apanhei à minha frente. Foi para um familiar.

— No último jogo Zalazar e Suárez saltam do banco e marcam. Hoje o Derry e o Solas Andersen saltam do banco e criam a jogada do segundo golo, poucos minutos depois. Do ponto de vista pessoal, tem um sabor especial ver que estas mudanças que implementa durante o jogo conseguem surtir efeito?

— Os jogadores dão sinais que estão ligados e que estão aqui para ajudar e dar resposta quando o treinador precisar. Hoje fiquei muito feliz porque toda a gente que entrou, mesmo o Luís Guilherme entrou com um espírito muito bom, o Fotis na parte final, o Pedro Lima, entraram todos com espírito enorme de querer ajudar a equipa, sabendo que é difícil ganhar estes jogos e o quanto temos que trabalhar para os ganhamos. A equipa está ligada e isso dá-nos sinais de que o grupo é forte, é bom, é unido. Temo de perceber que hoje vão ser importantes uns, amanhã vão ser importantes outros e isso tem sido bem demonstrativo na nossa equipa. Vão tendo mais ou menos oportunidades e vão respondendo. Não vai sair sempre tudo bem. O Silas não fez um grande jogo em Braga com bola, mas sem bola foi tentando ajudar a equipa. É um miúdo que veio da primeira divisão a Suécia, vai ter dificuldades, vai errar. Vai fazer um grande jogo e a seguir faz o jogo menos conseguido e temos de ter essa paciência, essa capacidade de perceber que isso vai acontecer e temos que de ser equilibrados nas tomadas de decisão. leituras. Estou feliz porque mesmo quando as coisas não saem bem eles estão lá e querem querem jogar outra vez, isso é que me deixa muito feliz. Ganháos hoje, ganhámos em Braga, dois grandes jogos, mas vai haver um jogo em que não vamos estar tão bem e não deixamos de ser uma grande equipa. Agora, quando não correr tão bem que a gente ganhe na mesma, isso é que é importante.

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—Deu um grande abraço ao Irankunda no final do jogo. A boa fase recente coincide com a aposta nele a titular. O que é o extremo dá de diferente à equipa?

— Tem feito bons jogos e hoje fez um bom jogo. É um miúdo que vem da segunda liga inglesa. Por mais competitiva que seja, não estava habituado a jogar Champions. É um miúdo muito liberto, dei-lhe um abraço porque ele me abraçou, estava-se a rir, é um palhaço no sentido de ser brincalhão, gosta de se rir, está sempre a rir. Fico feliz por vê-lo feliz e por sentir que ele tomou a melhor decisão ao vir para o Sporting e fazer parte deste grupo. Estamos felizes por ter um miúdo cheio de potencial, que está feliz connosco e tem muito para crescer. Não tenho dúvidas nenhumas que no futuro terá cada vez mais impacto nas decisões da equipa.

—Esta já é a versão do Sporting que quer ou ainda pode melhorar dentro da versão nova no 4x3x3?

—Podemos sempre melhorar. A nível do sistema, jogámos sempre em 4x3x3. Mudam é as dinâmicas conforme as características dos jogadores que estão em campo. Podem dizer, 'Jogava em 4x3x3, mas com dois médios'. Ok. Invertemos o triângulo, mas não deixa de ser um 4x3x3. Metemos um ala mais aberto e às vezes o nosso ala vinha mais para dentro. São características de de jogadores e que vamos moldando perante a estratégia contra os próximos adversários. Já defendemos assim com o Geny, estamos a defender assim com o Sergi, podemos voltar ao Geny. São coisas estratégicas, tentamos buscar o melhor de cada um dentro de um coletivo. Às vezes nem sempre é possível, mas temos tentado isso de de melhor forma. Acho que a equipa se tem adaptado bem a essa alternância de comportamentos dentro do sistema e eles estão preparados,. Estão no Sporting, são jogadores que têm de ter capacidade mental e de inteligência para perceber que aqui ou ali pode-se mudar pequenas coisas que podem fazer a diferença no jogo. Nestes jogos eles têm percebido isso, têm-se focado naquilo que podemos fazer para ferir o adversário e têm tentado fazer isso mais vezes. É assim que conseguimos ganhar.

—O Spoting chegou muitas vezes à grande área adversária na primeira e segunda parte, mas faltou definir melhor. Como é que se trabalha isto?

— A treinar, a insistir. No jogo com o SC Braga, em lances em que não conseguimos tirar partido essas oportunidade. Como equipa grande que somos, com a qualidade que temos no último terço, temos de definir melhor. É treinar. Não há outro remédio senão treinar e repetir para torná-los melhores. Claro que não crescem num dia, numa semana, mas com o tempo eles vão crescendo e vão-se tornando cada vez mais maduros. Hoje deram uma demonstração de grande maturidade, apesar de serem uma equipa jovem. É insistir, é treinar e acreditarem sempre neles, independentemente de falharem em alguns momentos.

—Relativamente à baliza, e agora?

— Tenho quatro guarda-redes bons, todos eles diferentes. O Kaique deu uma boa resposta dentro daquilo que era esperado e as característica do jogo. Mais do que olharem para a mudança, é certo que teve a ver com o momento, mas também muito a ver com as características do jogo. Sabíamos de antemão que poderíamos andar em alguns momentos num bloco mais baixo devido à dificuldade destes jogos, principalmente fora de casa. É inevitável porque estamos a jogar Champions League. E o Kaique tem mais as características para estes jogos porque é um guarda-redes que sai mais dos postes do que o Rui. E na defesa da área era importante também termos alguém com essa segurança em alguns momentos. No futuro logo se verá. Apesar de tudo, tanto um como outro darão sempre resposta quando forem chamados.

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