1968-1981: o potro de Mogofores entre os tubarões do Benfica
A infância de Toni é normal. Nem melhor nem pior que a dos outros meninos de Mogofores. Apenas diferente. O filho de Ventura Afonso de Oliveira e Maria da Conceição Oliveira cedo demonstra enorme atração por uma bola e, sobretudo, superior capacidade de lidar com ela. É tempo de jogar futebol com os amigos da escola, no largo do Juncal, na aldeia, na escola, tempo do futebol do ‘muda aos cinco e acaba aos dez’, com as sacolas a fazerem de postes, no Oratório São João Bosco e no Instituto dos Salesianos.
Quando completa a instrução primária, avança para o Colégio Nacional na Anadia e só então lhe surge o futebol organizado. A sério. Com balizas, equipamentos, chuteiras e números nas camisolas. Pouco depois vai para o Anadia e, apesar de a transição ser brusca, adapta-se bem. Em 1963, com 17 anos, num jogo em Coimbra, Toni realiza boa exibição, com o Anadia a derrotar a Académica por 3-0. Mário Wilson, então ao serviço dos estudantes, fica seduzido e aposta nele. Vai a casa dos Oliveiras e fala com o pai, a quem não agrada a possibilidade de ver o filho partir para Coimbra para jogar futebol, por ter medo de que os estudos fiquem para trás. Toni arrisca e vai.
Por lá fica durante quatro anos, com dois momentos gloriosos, ambos em 1966/67: o 2.º lugar no Nacional, atrás do Benfica, e a final da Taça de Portugal, com a Académica a perder com o V. Setúbal por 2-3, após dois prolongamentos. No espaço de um ano, tudo lhe acontece: a 22 de novembro de 1967 estreia-se pelas Esperanças, em Alvalade, num empate (2-2) com a Espanha.
A 9 de junho de 1968, por 1305 contos, Toni consuma a transferência para o Benfica. O contrato é assinado em segredo, depois de duas viagens a Lisboa. Quando chega à Luz encontra um plantel fabuloso, com Eusébio, Coluna, Torres, José Augusto e Simões, entre outros. O Benfica acaba de disputar a final da Taça dos Campeões Europeus com o Manchester United.
Estreia-se com a camisola da águia a 8 de agosto de 1968, em Belém (Brasil), num particular frente ao Remo Futebol Clube, encontro inserido numa extensa digressão do Benfica que passa, ainda, pela Argentina, Colômbia, Venezuela e Estados Unidos. Faz dois golos a guarda-redes históricos: Gilmar e Carrizo. Chamam-lhe opotro da Anadia.
Pouco mais de um ano depois, já Toni alcança tudo aquilo que, em Portugal, há para alcançar: Campeonato, Taça e Seleção A. A seguir ao 25 de Abril surge a sua veia sindicalista e a tendência para defender os mais fracos. Um dia entra no relvado do Estádio da Luz, antes de um jogo, com uma braçada de comunicados alertando para a necessidade da revogação da famigerada Lei de Opção.
Em 1976, com a revolução ao rubro, recebe um fantástico convite do Red Star: os franceses oferecem-lhe, por um contrato de três anos, aquilo que ganha em nove épocas no Benfica. O clube da Luz pede 4000 contos, os franceses só querem dar 2000. Toni, por lhe serem cortadas as pernas, demite-se de capitão enquanto Romão Martins estiver no Departamento de Futebol. Mais tarde recupera a braçadeira.
Em setembro de 1977, Vítor Baptista, alegando estar lesionado, recusa-se a ir a Moscovo defrontar o Torpedo, em jogo a contar para a Taça dos Campeões. A Direção suspende-o e os jogadores, com Toni na linha da frente, falam com Ferreira Queimado alertando-o para a veracidade da lesão do avançado. O presidente do Benfica recua e readmite o setubalense. Mais um caso da luta de Toni pelos mais frágeis.
A carreira de jogador aproxima-se, entretanto, do fim. O último jogo pelo Benfica surge a 24 de maio de 1981, contra o V. Setúbal. Com oito títulos de campeão nacional no bolso, mais cinco Taças de Portugal.