Relatório Gil Vicente vs Vitória de Guimarães novembro 2026
Mais vale um pássaro na mão do que... três a voar (crónica)
Do mal o menos. Assim pode sintetizar-se o jogo do Cidade de Barcelos. O medo de perder ganhou à ambição de vencer, de aí que o encontro se tenha arrastado, arrastado... até terminar tal como começou. Sem golos, claro, e com pouquíssimos lances de perigo.
O Gil Vicente vinha de duas derrotas, diante de FC Porto (Liga) e Benfica (Taça da Liga). Os adversários foram de peso, mas não deixaram de ser duas derrotas, que provocam sempre alguma mossa, nem que seja apenas no estado anímico. O Vitória também não respira propriamente confiança, mesmo que os dois jogos anteriores se saldassem por triunfos (Lamelas, Taça de Portugal) e Marítimo (Liga), muito por a equipa contabilizar por derrotas as quatro deslocações realizadas até então para o campeonato.
O jogo começou muito fechado, com as equipas a prolongarem a fase de estudo e ninguém deu sinais de querer arriscar declaradamente na procura do golo. Os conquistadores começaram a querer controlar e tiveram mais posse de bola, os galos não se incomodaram por ter as linhas ligeiramente mais baixas — Ricardo Esgaio foi adaptado, com sucesso, a central, face às baixas de Elimbi (lesionado) e Espigares (castigado), com José Silva a surgir como lateral-direito —, antes pelo contrário, já que a estratégia passava por tentar explorar as transições.
E foi mesmo a equipa de Luís Pinto a primeira a estar perto do golo, já... perto do intervalo. Santi García libertou-se na direita, cruzou rasteiro para Lausen, que, de calcanhar, atirou ao poste.
Jogo sempre morno até ao descanso, equipas sempre encaixadas na segunda parte. Ninguém arriscou, ninguém ousou. As substituições foram basicamente troca por troca, pelo que apenas um lance fortuito ou uma bola parada poderia desequilibrar os pratos da balança. Nenhum deles surgiu.
Cedo se percebeu que ambos os treinadores preferiam um pássaro na mão do que... três a voar e tal veio mesmo a verificar-se apesar de na ponta final, com o sangue novo saído dos bancos e o natural desgaste dos restantes jogadores, o jogo tenha ficado mais partido, o que é sempre suscetível de originar mais lances perigosos.
Não foi propriamente o que aconteceu, embora tenha sido já bem perto do final que surgiu a melhor oportunidade do Vitória, com Camara a não aproveitar uma defesa incompleta de Lucão — remate ao lado em boa posição — após lance de insistência de Ndoye na área. Foi a segunda verdadeira oportunidade de todo o jogo. Diz quase tudo, não diz?...
Belo médio este dinamarquês descoberto no Esbjerg. Aos 24 anos mostra argumentos para patamares mais elevados. A par de Santi García, também acima da média, Andreas Lausen foi sempre dos mais esclarecidos, isto num jogo difícil, fruto da escassez de espaços. Belo lance, aos 36 minutos, desviando de calcanhar cruzamento de... Santi García. A bola foi ao poste mas merecia melhor sorte.
O jovem extremo de 19 anos foi o mais irreverente da equipa de Tiago Margarido. Foi o primeiro a libertar-se (9'), mas um pontapé na atmosfera hipotecou um lance de perigo. Foi o único do trio de ataque a jogar até ao fim, o que ilustra o bom rendimento. Poderia ter saído como herói, mas atirou ao lado, já perto do final da partida, em boa posição, após uma defesa incompleta de Lucão.
As notas dos jogadores do Gil Vicente:
Lucão (5), José Silva (6), Ricardo Esgaio (6), Jonathan Buatu (6), David Moreira (6), Andreas Lausen (7), Diogo Prioste (5), Murilo (5), Santi García (7), Tidjany Touré (5), Walace França (4), Joelson Fernandes (5), Mohamed Kaba (4), Guilherme Gomes (4), Zé Carlos (—) e Weverson (—).
As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:
Lucas Furtado (6), Tony Strata (5), Toni Borevkovic (6), Ahmed Sidibe (6), João Mendes (6), Gonçalo Nogueira (5), Beni (6), Gustavo Silva (4), Samu (5), Oumar Camara (6), Arnel Jakupovic (4), Alan (4), Alioune Ndoye (5), Miguel Nogueira (—) e Lohann Doucet (—).