Tenista sérvio suspenso até 2050 por manipulação de resultados
O tenista sérvio Stefan Milicevic foi punido com um pesado castigo de 24 anos de suspensão do ténis, naquela que é uma das sanções mais duras alguma vez aplicadas pelas entidades anticorrupção da modalidade, apenas superada pelas irradiações.
O jogador de 29 anos, que competia nos escalões secundários do circuito e atingiu a 1.338.ª posição do ranking mundial como melhor registo em 2014, foi considerado culpado de manipular seis encontros, em cinco dos quais participou. Adicionalmente, Milicevic foi acusado de tentar adulterar outros seis jogos entre 2022 e 2024.
De acordo com a International Tennis Integrity Authority (ITIA), as infrações não se limitaram à viciação de resultados nos seus próprios desafios. O atleta enfrentou ainda acusações de aliciar ou tentar aliciar vários tenistas profissionais «como parte de uma rede corrupta», tendo os intervenientes recrutados por si sido igualmente acusados de manipulação pelo organismo independente.
A gravidade da sanção imposta foi agravada pela total recusa de Stefan Milicevic em colaborar com as investigações. Segundo revelou a ITIA, o tenista «não se envolveu» no processo disciplinar, ignorando sete tentativas distintas de contacto por parte das autoridades.
Além da longa suspensão desportiva, que vigora até outubro de 2050 — data em que terá 53 anos —, Milicevic foi condenado a pagar uma multa no valor de 53.000 libras. Durante este período, o sérvio está expressamente impedido de jogar, treinar ou marcar presença em quaisquer eventos organizados ou sob a tutela da World Tennis, WTA, ATP, Grand Slams ou federações nacionais.
Este castigo surge na esteira de outro caso de grande impacto recente. Em dezembro, o francês Quentin Folliot recebeu uma suspensão de 20 anos após a ITIA ter apurado o seu papel central numa rede ao serviço de um sindicato de manipulação de resultados. Foillot, que chegou ao 488.º lugar da hierarquia em 2022, negou todas as acusações relativas a 11 partidas disputadas entre 2022 e 2024 — oito das quais como participante ativo —, mas viu o tribunal disciplinar confirmar 27 das 30 infrações imputadas, respeitantes a 10 desses confrontos.