Luis Suárez marcou de penálti aos 5' mas desta vez não chegou para o Sporting ganhar... - Foto: MIGUEL NUNES
Luis Suárez marcou de penálti aos 5' mas desta vez não chegou para o Sporting ganhar... - Foto: MIGUEL NUNES

Sporting enleado na teia austríaca e num vazio de ideias… e na casa das máquinas (crónica)

Entrada de leão foi só ameaço duma equipa desinspirada, com um miolo em défice e despovoado. Golos Suárez insuficientes para disfarçar falta de soluções e com atitude vencedora só no início e na parte final (já não havia tempo…)

‘Quando faltar a inspiração, que não falte a atitude’, a velha máxima de Rui Borges não resultou ontem em Alvalade, porque ao Sporting faltaram os processos e as soluções para desenlear-se duma teia tecida por um LASK de lição bem estudada, a conseguir desinspirar um leão vazio de ideias com défice na casa das máquinas, miolo despovoado e com perdas de bola que permitiram estocadas fatais. A atitude, esse, despareceu cedo e só voltou a surgir quando o tempo escasseava…

A odisseia de seis jogos em 18 dias começou, mas nem por isso Rui Borges rodou. Optou pela mesma equipa que jogou em Lens e que venceu por 2-0. Em marcha porém continuou uma mudança na continuidade na baliza, ou seja, Kaique novamente no lugar de Rui Silva, titular pelo segundo jogo consecutivo por opção técnica e que poderá permanecer...

Desde o jogo de Braga que o treinador leonino desenha a equipa de forma diferente. Com Altimira na posição seis a recuar entre os centrais no processo defensivo e com dois médios interiores, mais uma vez João Simões mais à direita e Doumbia mais pela esquerda a terem ontem dificuldades em ligar o jogo, num miolo que os austríacos povoavam com Horváth e Ljubicic para ter superioridade sobretudo quando Altimira não estava lá, porque recuava por vezes até cedo demais.

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Na frente foi Irankunda, num arranque eletrizante, quem encontrou espaço para desequilibrar, entrar na área pela esquerda logo aos 3’ e sofrer falta de Ljubicic para penálti que Suárez converteu aos 5’ com a bola a bater ainda no poste antes de entrar na baliza. Entrada de leão neste início de jornada que podia ter desbloqueado à partida o bloco baixo que o LASK se preparava para apresentar. Só que logo aos 15’, com os leões a terem dificuldades em ligar o jogo, perda de bola de Suárez no meio-campo, numa saída, permitiu a superioridade que os austríacos aproveitaram para empatar por Lang.

O que parecia estar desbloqueado voltou a bloquear. Os leões tinham a bola mas circulavam-na de Este a Oeste e de Oeste a Este sem que a bússola indicasse os caminhos da área. Com os laterais por dentro, Irankunda e Geny não encontravam a melhor definição pelas alas e o remate de longe passou a ser tentado. Mas a melhor ocasião leonina acabou por sair ao lado pela na cabeça de Maxi (37’).

O LASK tinha no pequenino Horvath o capitão da malta, a aparecer pelo meio e pela direita a causar arrepios. Aos 42’, 43’ e 44’ Lang a obrigar Kaique a defesas apertadas e Suárez do outro lado em fora de jogo a terminar com a primeira parte com empate e sem que o leão conseguisse furar a barreira austríaca.

Choque e reação tardia

Nenhum dos treinadores mexeu ao intervalo, Dietmar Kuhbauer foi obrigado a fazê-lo aos 52’ porque em lance aparatoso a sair da área para evitar desmarcação de Suárez, o guarda-redes Lukas Jungwirth saiu desorientado e foi obrigado a ceder o lugar a Schutzenauer. Mas pouco depois foi o Sporting a ficar atordoado para não mais se orientar…

Mais uma perda de bola a meio-campo, desta vez de Altimira, e mais uma transição, reviravolta completa e aumentada por Sasa Kalajdzic (63’) e Krystof Danek (68’). Choque em Alvalade com o 1-3, o trauma austríaco a pairar no ar…

Entre um golo e outro, Rui Borges tinha lançado Flávio Gonçalves por João Simões mas o miolo estava transformado num vazio leonino, onde o jovem leão recém-entrado ficava sozinho e o Sporting enleado na teia montada pelos austríacos, que mais desceram no terreno quando Jesse Derry, Luis Guilherme Ioannidis foram a jogo.

Os verdes e brancos ainda encostaram o LASK às cordas, Suárez ameaçou aos 75’ e Derry aos 83’ mas foi o colombiano quem devolveu esperança de empate ao leão com o 3-2 aos 89’. Houve mais sete minutos além dos 90’ e tempo para Derry falhar o 3-3 e os leões a terceira vitória na Champions e os 9 pontos que os lançariam, à terceira jornada, para um (quase) apuramento prematuro. Seis anos depois da goleada por 4-1, o LASK volta a ganhar em Alvalade e o Sporting com mais um trauma austríaco para a história.

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