Fukui celebra o golo do Arouca em Alverca. -Foto: RODRIGO ANTUNES/LUSA
Fukui celebra o golo do Arouca em Alverca. -Foto: RODRIGO ANTUNES/LUSA

Lobos metem a segunda e ribatejanos travam no vermelho a caminho da quarta (crónica)

Segunda vitória consecutiva do Arouca na Liga. Expulsão precoce (6’) de Baseya condicionou os ribatejanos, que procuravam o quarto triunfo seguido

Três em três, para Vítor Severino no comando do Arouca. O treinador só sabe vencer nos lobos da Serra da Freita e alcançou o segundo triunfo consecutivo na Liga, acumulando também uma vitória no prolongamento, frente ao Belenenses, para a Taça de Portugal.

O Alverca, que seguia acelerado no campeonato, travou no vermelho, mal a viagem para tentar obter a quarta vitória consecutiva na prova, tinha iniciado. Baseya foi de sola às pernas de Barbero após adiantar a bola na sequência de um passe a queimar de Sergi Gómez. O cronómetro marcava apenas 6 minutos e  a expulsão precoce, condicionou os ribatejanos em olharem para a baliza de Arruabarrena, principalmente até ao intervalo.

A atitude pressionante com que os lobos se fizeram à vida, acabou por provocar esse erro dos centrais dos ribatejanos, que confiaram na precisão, quando o espaço estava apertado pela pressão alta exercida pelo Arouca na zona de saída. A posterior reorganização do Alverca, sacrificou Chissumba para a entrada de Bojang, para refazer o esquema de três centrais.

Em vantagem numérica, o 4x2x3x1 do Arouca deu liberdade para o médio nipónico deixar, amiúde, a companhia de Espen van Ee como duplo-pivot defensivo no miolo e chegar-se a zonas mais adiantadas. E esse adiantamento revelou-se decisivo para os lobos se adiantarem… mas já lá vamos.

Antes, convém assinalar a competência de Matheus Mendes, que foi adiando que o marcador desse correspondência ao domínio adversário. O guarda-redes impediu o golo a Djouahra e Alfonso Trezza e já depois da vantagem travou os intentos de Fukui em bisar. Pelo meio, não conseguiu impedir o remate cruzado de Fukui, que solicitado por Javi Sánchez, disparou cruzado na área descaído na direita, com a bola a entrar junto ao poste contrário.

Sem qualquer remate enquadrado dos dois que efetuou até ao descanso, a atitude dos ribatejanos foi bem diferente na segunda metade e conseguiram ameaçar, anulando o inequívoco domínio visitante.  Estabilizado na defesa, o Alverca ganhou metros e esteve perto do empate quando em zona frontal Davy Gui estoirou com os ferros da baliza de De Arruabarrena.

Contudo, o Arouca também teve uma enorme chance de arrumar as contas, e Nandín ainda deve estar a pensar como a desperdiçou: o avançado uruguaio escapou nas costas da defesa ribatejana, passou por Matheus Mendes - que saiu da sua baliza até fora da área - e com tudo escancarado, atirou ao poste direito.

A figura do Alverca: Matheus Mendes

O guardião brasileiro manteve o Alverca vivo, principalmente na primeira parte quando a sua equipa demorou a organizar-se para jogar em inferioridade numérica, após a precoce (6’) expulsão de Baseya. Só não deteve o golo de Fukui, mas impediu que o médio nipónico bisasse, acrescentando ainda intervenções decisivas, como quando Djouahra tentou a pouca distância. Na segunda parte não foi sujeito a muito trabalho.

As notas dos jogadores do Alverca (3x4x3): Matheus Mendes (6), Baseya (2), Sergi Gómez (4), Isaac James (5), Diogo Spencer (5), Gui (5), Rayan Lucas (4), Chissumba (-), Chiquinho (5), Dawda Camara (5), Figueiredo (5), Bojang (5), Ian Lucas (5), Matheus França (5), Zé Rafael (5) e Nabil Touaizi (5).

O melhor em campo: Fukui (Arouca)

Marcou um golo e esteve perto de bisar, intenção impedida por uma palmada de Matheus Mendes aos 36 minutos. Antes, aos 8 minutos, já tinha tentado de livre direto, com muito perigo, numa exibição em cheio do médio nipónico, que aproveitou o espaço que se abriu com a expulsão de Baseya para se aproximar dos homens da frente da sua equipa, não se limitando a missões defensivas.

As notas dos jogadores do Arouca (4x2x3x1): Arruabarrena (5), Tiago Esgaio (5), Javi Sánchez (6), Jose Fontán (5), Lebedenko (5), Fukui (6), van Ee (5), Alfonso Trezza (6), Pedro Santos (5), Djouahra (6), Barbero (5), Mateo Flores (5), Popovic (5), Nandín (4), Lee Hyunju (-) e Mansilla (-)

Sérgio Ferreira, treinador do Alverca

«O jogo fica desvirtuado a partir do momento em que ficámos reduzidos a dez. Logicamente que é jogo e temos de estar preparados para esse cenário. Tivemos algumas dificuldades nos ajustes na forma como queríamos pressionar e depois do minuto 6 foi um exagero de bolas longas. Na 2.ª parte corrigimos aspetos de pressão, a malta que entrou percebeu o que tinha de fazer e fomos conseguindo chegar mais à frente. A equipa bem, muito comprometida e fiel aos nossos princípios e tivemos as nossas oportunidades e aproximações.»

Vítor Severino, treinador do Arouca

«Jogo extremamente difícil, frente a uma equipa agressiva no ataque ao espaço. Fica marcada, obviamente, por passarmos muito tempo a jogar com um jogador a mais e que resultou de mérito da nossa equipa, pela forma como pressionamos no momento da construção deles. Obrigamos o Arouca a cometer erros, eles cometeram-no e fizeram essa falta. Mas  colocando-me na pele deles, é muito ingrato jogar tanto tempo com um jogador a menos e claro que facilitou um pouco a tarefa.»

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