Angola de prata no CAN de futsal

Angola voltou a ficar à porta do título africano de futsal. No pavilhão do Complexo Desportivo Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, a Seleção Nacional perdeu por 5-2 frente a Marrocos, anfitrião e detentor do troféu, repetindo de forma quase decalcada o desfecho da final de 2024, quando os angolanos também caíram diante dos marroquinos, nessa ocasião por 5-1

Angola entrou em campo com a ambição de quem já conhecia o caminho até à final e sabia exatamente o que lhe tinha faltado dois anos antes. A equipa angolana procurou ter bola, discutiu o jogo de igual para igual nos minutos iniciais e conseguiu chegar várias vezes à baliza adversária, mas faltou-lhe a frieza no momento de finalizar, um pormenor que, diante de um adversário deste calibre, acaba quase sempre por se pagar caro. Do outro lado, os marroquinos foram subindo de intensidade com o passar dos minutos e obrigaram o guarda-redes Gomito a uma noite de muito trabalho, com uma série de defesas que mantiveram Angola viva no jogo durante largos períodos.

A resistência acabou por ceder aos 17 minutos, quando Othmane Idrissi abriu o marcador com um remate forte de meia-distância, mas a resposta angolana chegou logo no minuto seguinte, com João Cambangula, o Jó Mahrez, a repor a igualdade e a devolver a esperança ao cinco nacional.

A 1 minuto intervalo, Youssef Jouad  recolocou Marrocos na frente, mandando as equipas para os balneários com 2-1 no marcador. Foi um golo que pesou não só no resultado, mas também na cabeça dos jogadores angolanos, que regressaram para a segunda parte obrigados a correr atrás do prejuízo. Marrocos voltou do descanso mais certeiro e cedo explorou um momento de desorganização da defesa angolana para chegar ao 3-1 aos 21 minutos, por intermédio de Driss Raiss El Fenni.

Angola teve de tentar algo mais, foram-se abrindo espaços na retaguarda, que Ismael Amazal aproveitou aos 33 minutos para fazer o 4-1, antes de Bilal Bakkali dilatar a vantagem para 5-1 apenas dois minutos depois.Os fantasmas de 2024 voltaram e com o cenário cada vez mais complicado, o selecionador angolano, o brasileiro Márcio Garcez, pediu tempo técnico para tentar mexer com a equipa e travar a sangria.

Angola ainda conseguiu reduzir aos 37 minutos, num golo de Anderson Fortes que fixou o resultado final em 5-2 e que serviu, sobretudo, para premiar o esforço de um grupo que nunca deixou de lutar, mesmo quando o título já estava claramente fora de alcance.

A derrota em Rabat não apaga o que Angola construiu ao longo de toda a campanha. A caminhada começou ainda na fase de qualificação, com duas goleadas expressivas aos Camarões, por 12-0 em Iaundé e por 7-1 no Pavilhão Multiusos do Kilamba, em Luanda, num total de 19 golos marcados e apenas um sofrido na eliminatória. Já em solo marroquino, integrada no grupo B, a Seleção Nacional estreou-se com uma vitória por 5-1 sobre Moçambique, num jogo em que Adérito bisou e foi eleito o melhor em campo. Seguiu-se uma goleada por 6-0 diante da Tanzânia, com quatro golos de Jó Marhez e dois de Hornes Santo «Ny» e, a fechar a fase de grupos, uma reviravolta de muito caráter frente ao Egito, que chegou a estar a vencer por dois golos de diferença antes de os angolanos darem a volta ao marcador e ganharem por 4-2.

Nas meias-finais, a história repetiu-se de forma ainda mais dramática. Diante da Argélia, estreante em fases finais da competição, Angola foi para o intervalo a perder por 2-0, mas na segunda parte marcou três golos sem resposta, por Adérito Santos, Hornes Santo «Ny» e Francisco Gabriel «Chico», este já a dois minutos do fim, e garantiu o regresso à final, consolidando a imagem de uma equipa resiliente, capaz de sofrer, de se reerguer e de nunca dar um jogo por perdido antes do apito final.

Orientados por Hicham Dguig, que está ao leme da selecção desde 2010, os Leões do Atlas disputaram a quarta final consecutiva e voltaram a fazer a festa perante o seu público.Na disputa pelo terceiro lugar, realizada no mesmo dia, o Egipto goleou a Argélia por 8-1 e completou o pódio de uma competição que voltou a ter Marrocos como dono incontestado e Angola como a sua principal ameaça. Com este triunfo, os Leões do Atlas somam o quarto título continental da modalidade, depois de 2016, 2020 e 2024, e isolam-se como a seleção mais vitoriosa da história da prova, deixando para trás o Egipto, com quem até aqui partilhavam o recorde de conquistas.

Marrocos, Angola e Egito, os três primeiras classificados na CAAN, estão apurados para o Mundial.

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