Eleições Sporting: acompanhe aqui o debate entre os candidatos à presidência
Frederico Varandas e Bruno Sá frente a frente antes da Assembleia Geral Eleitoral do clube leonino, agendada para o próximo dia 14 de março

Terminou o debate. Obrigado por ter estado desse lado!

Mensagem final de Bruno Sá.

«O meu debate era esclarecer, apresentar propostas. Obviamente nunca temos oportunidade de debater no Sporting. O Sporting tornou-se num clube fechado. Era muito importante apelar ao voto. Ganhe o doutor Frederico Varandas ou eu, é muito importante não dar carta branca a esta direção. O doutor fala no passado, o importante é o presente e o futuro. Acredito que posso ganhar, tratar bem toda a gente, voltar a recuperar os sócios que estão tristes, que não se sentem parte da família. O doutor quer um clube para todos mas quer liderar só alguns. O doutor quer um clube de clientes, ele quer de sócios. Eu sou altruísta, ele está a revelar altivez. Ele quer um hub de entertainment, eu quero um clube desportivo. Eu espero tomar posse, e se não for agora, quero ser vigilante nos próximos quatro anos. Acredito que posso ganhar, estou preparado e espero ganhar na segunda-feira. Espero terça-feira já ser presidente, dar a volta à eliminatória com o Bodo/Glimt e depois abraçar todos os sócios e ser o presidente de todos os sócios do Sporting Clube de Portugal.»

Mensagem final de Varandas.

«Durante décadas, fomos o terceiro. O Sporting era o amigo confortável e víamos Benfica ou FC Porto. Hoje, o Sporting é o alvo número um, um clube com valores, sem casos. De 2018 a 206, ninguém ganhou mais que o Sporting. O Sporting era o terceiro e passámos a ser o número um. Os nossos rivais não estavam habituados a isso. Você fala dos sócios, não há maior alegria para o sócio do que lutar por campeonatos. No nosso tempo, isto eram sonhos. E para mim não chega, queremos mais títulos. Não vamos ganhar sempre, mas hoje os sócios estranham se não competirmos. Estávamos habituados a perder, agora estamos habituados a ganhar.»

Bruno Sá sobre o marketing, património e transformação digital.

«Transparência. O site e a aplicação são essenciais. Não faz sentido termos nove camisolas. Isto é um clube de futebol, não uma loja. Colocar merchadising nos núcleos. Desenvolver a Sporting TV. Voltar a haver debate e diálogo. Gostava que esclarecesse a questão da Alvaláxia e do parque de estacionamento.»

Varandas: «Este direção inverteu um ciclo de ir vendendo património. Não só não vendemos, como comprámos. Fizemos a aquisição da Alvaláxia por 17 milhões de euros. Comprámos a empresa que detinha o espaço. Conseguimos negociar o pagamento a prazo. Isto será extraordinário para o futuro do Sporting. Ainda sobre o património, hoje temos um estádio que orgulha toda a gente, mas custou muito dinheiro, mais de 30 milhões. O ponto fraco são as casas de banho e os bares, vai ser feito até 2028. Não se pode mudar tudo de um dia para o outro. Vamos continuar a requalificar a Academia. Sobre o digital, o Sporting revolucionou a maneira de comunicar. Criámos uma nova vaga de comunicação, os rivais e a FPF vieram atrás. Críamos a loja verde online e o sistema cash back. Ainda há muito para fazer, queremos uma aplicação nova. Quando chegámos, as gameboxes eram comprados fisicamente, hoje, são online. Bilhetes para jogos fora, a mesma coisa. O site ainda não é o que nós queremos, porque a utilização aumentou. Estamos com sistemas informáticos com 20 anos, estamos a mudar devagarinho. Vamos mudar para a shopify dentro de 2 meses. Este é o caminho.»

Varandas: «Não quero estar nos holofotes, não é o meu estilo. O Bruno acha que ser presidente é estar na tribuna. O presidente tem de trabalhar e apoiar os treinadores e jogadores quando eles precisam.»

Bruno Sá sobre o futebol e o desporto feminino: «Passámos de ser pioneiros, para ter um título. Gostaria de saber o plano. Temos de estruturar a formação e procurar apoios. Não há projeto. Terá de haver um diretor-desportivo.»

Varandas: «Tivemos três títulos, não um. O Sporting promove o desporto feminino tendo uma base forte na formação. Tenho de garantir a sustentabilidade do Sporting. A seguir ao futebol profissional, o futebol feminino é onde o Sporting mais investe. Mas não é por alguns investirem mais, que eu vou atrás. Queremos ter jogadoras que venham da formação. O futebol feminino está longe de ser sustentável e temos de ir com prudência. Não vou investir de forma irracional. Não cedo à pressão.»

Varandas sobre a questão dos autoaumentos: «Está mal informado. Estes órgãos sociais não seu autoaumentaram seis vezes. O que fez a Comissão de Remunerações da SAD? Fizeram um ajuste salarial, em 2018, ajustado à prática de clubes da dimensão do Sporting e fizeram um aumento. No segundo mandato, contrataram uma consultora e fizeram um estudo exaustivo para avaliaram as melhores práticas salariais para os órgãos sociais. A SAD tem um processo transparente, como não há em Portugal, de forma a defender o Sporting. Se o clube não der lucro, não há prémio. Anualmente, a remuneração da SAD é aprovada em AG. Está tudo claro, coisa que não acontece nos rivais. A Comissão de Remunerações é transparente. Se quisesse, por dinheiro, tinha feito outro percurso.»

Bruno Sá:
«O primeiro aumento foi feito depois de um despedimento coletivo de 140 pessoas, é só o que quero dizer.»

Bruno Sá sobre as modalidades.

«Estarmos a falar de modalidade quando o Dr. Varandas raramente lá aparece. Parece que está a fazer um frete. O meu projeto é liderar pela presença. Temos de desenvolver o ecletismo, desenvolver uma Academia das modalidade e investir no departamento comercial. A Academia será um apoio à formação e aos atletas. O valor gasto em casas para jogadores dava para construir uma Academia. Não posso revelar com quem falei, mas o Dr. Varandas sabe das pessoas que estou a falar, ele é que tem de abrir o clube. Tem de haver rigor. Temos de angariar patrocínios.»

Varandas responde: «Mais de 140 títulos. Tínhamos um título europeu no hóquei, ganhámos três mais um título de campeão do mundo. Futsal tínhamos zero, hoje tínhamos duas. Batemos o recorde de números de participantes no gimnodesportivo. Hoje, todos têm contratos de trabalho. O financiamento é alavancado pela quotização. O Sporting tinha uma quotização de nove milhões, hoje está acima dos 15 milhões.»

Bruno Sá: «Temos de melhorar as infraestruturas. Acabou de dizer mentiras, os sub-16 treinam em meio-campo. Que investimento fez na Academia?»

Varandas:
«Mudámos oito relvados. Gastámos mais de dois milhões de euros este ano. Requalificámos os quartos dos miúdos e a aula profissional. Melhorámos um sintético e fizemos um ginásio aberto. Para além de 43 jogadores em sete anos, encaixamos 230 milhões em jogadores formados na Academia.»

Bruno Sá sobre a formação.

«Temos de avaliar as infraestruturas. Não é normal perdermos o Pólo EUL, os sub-16 treinarem em meio-campo na Academia.»

Varandas:
«Duas mentiras.»

Bruno Sá:
«É verdade que os sub-15 fazem jogos no Seixal?»

Varandas: «Sub-16? Treinam em campo inteiro. Sub-15? Fazem jogos contra as as melhores equipas. Pólo EUL? Mentira, o Benfica não tem mais espaço do que o Sporting. O Sporting tinha determinadas condições quando entrámos, hoje temos mais. Não só não perdemos como temos mais campos do que o Benfica e mais exposição. Vamos fazer um investimento de 3 milhões para aumentarmos o que temos. Futebol formação? Desde que temos a Academia, 88 jogadores chegaram à equipa A, em 24 anos. 43 foram em sete anos. Este é o grande objetivo. Desses 43, muitos foram vendidos.»

Bruno Sá: «É estranho os jogadores crescerem a perderem. Prefiro o modelo Aurélio, um modelo livre.»

Varandas: «Aurélio Pereira que apoiou esta direção.»

Bruno Sá sobre o investimento no futebol.

«É possível investir já este verão. Para mim seria para reforçar já neste mercado de inverno, que foi uma desilusão.»

Varandas sobre as lesões.

«Quando se tem 12 lesões, nove traumáticas, não prevenção possível, Vejamos como está o City, o Real Madrid... É somar as grandes equipas e ver as lesões que há. O Sporting joga duas vezes por semana. As únicas lesões que se conseguem prevenir são as musculares e, este ano, tivemos o Diomande, o Pote e o Mangas. O resto são lesões imprevisiveis, de quem joga futebol.»

Bruno Sá: «O Ioannidis voltou e lesionou-se. O Debast também. O Nuno Santos demorou o dobro do tempo. Há aqui algum problema. É o segundo mercado de inverno em que temos 10 lesionados.»

Varandas sobre Rui Borges.

«Os resultados falam pelo rumo do Sporting. O Sporting tem um treinador chamado Rui Borges, mudou a tática, e está na luta pelo tricampeonato. Cresci a ver os outros conseguirem tetras e pentas. Só em sonhos pensávamos no tri. Vai renovar com Rui Borges? A decisão já está tomada e não a vou utilizar em campanha eleitoral. Não prometo títulos nem com nomes de jogadores ou treinadores. Venho com um rumo. Os sócios depois decidem.»

Varandas: «Desde 2018, o Sporting investiu 440 milhões. Vendemos 750 milhões. 310 milhões de lucros. Tivemos sucesso desportivo e financeiro. Não conheço nenhum clube que tenha assertividade de 100%, mas são poucos com a percentagem de sucesso do Sporting.»

Bruno Sá: «Tudo escolhido pelo Amorim.»

Varandas:
«O Amorim não escolhia um jogador. Era parte do processo. Era diretor-desportivo, de scouting e treinador. É apresentada uma lista e o treinador decide. Assim foi com Amorim e é com Rui Borges.»

Bruno Sá: «Foi você responsável pelo Biel, pelo Jota ter chegado atrasado? Só joga o Suárez?»

Varandas: «O Sporting foi campeão e perdeu um titular. Foi buscar um titular para substituir um titular.»

Bruno Sá: «Você sabia que Rui Borges ia mudar a tática e não se preparou. O pós-Amorim não tem rumo.»

Varandas: «Bruno diz que não há estratégia. Admito que não dou as mesmas condições a Rui Borges que dei a Amorim, porque Rui Borges teve o maior investimento da história do Sporting. 100 milhões de euros, coisa que Ruben Amorim nunca teve. Tem toda a razão.»

Bruno Sá: «Só fala do passado.»

Varandas: «Em títulos de futebol, conquistámos nove, a direção mais titulada da história do Sporting. Em seis épocas, quatro vezes na Champions. Pela primeira vez, estamos abaixo do número 20 do ranking da UEFA. Pelo segundo ano seguido, o Sporting tem o plantel mais valioso das ligas fora do top-5. Desde que Amorim saiu, fomos bicampeões e ganhámos a Taça.»

Bruno Sá: «Até o Suárez foi escolhido pelo Ruben Amorim.»

Varandas: «Esta direção foi buscar Dr. Francisco Tavares, coordenador da unidade de performance, que foi convidado para ser o diretor de um clube top 4 da Premier League. O diretor clínico, Dr. João Pedro Araújo, foi convidado para ir para um clube da Arábia Saudita. Bruno, tenha orgulho nos seus colaboradores.»

Bruno Sá: «Mas temos que os manter. Não é mandá-los embora.»

Varandas:
«Seja Amorim, seja Rui Borges, nenhum treinador escolhe um coordenador do staff do Sporting.»

Varandas: «O Sporting é bicampeão. QUem conquistou? Rui Borges. A dobradinha? Rui Borges.»

Bruno Sá:
«Quero que dê as mesmas condições ao Rui Borges qwue deu ao Ruben Amorim.»

Varandas: «Hoje, o Sporting tem mais três pontos do que no ano passado. Na Taça estamos nas meias finais. Na Liga dos Campeões estamos nas 16 melhores equipas da Europa.»

«Orgulho-me de ter escolhido Ruben Amorim, um treinador respeitado e adorado neste clube. Sabe quantas pessoas ele escolheu na estrutura?»

Bruno Sá: «Treinador da equipa B e diretor desportivo invísivel. A tática da formação foi ele que escolheu... »

Varandas sobre o futebol.

«O Bruno apresenta-se sem dizer nomes. Tocou no assunto Ruben Amorim. Como aparece Amorim? Já estava no Sporting? Ele chegou e eu estive a assistir quieto às conquistas dele? Não foi. Ele foi contratado por esta direção. O Bruno foi a favor?»

Bruno Sá
: «Sim»

Varandas: «Era uma minoria. Hoje é fácil dizer que o Sporting ganha, mas os primeiros dois anos foram um desastre. Em 2018, o estado do Sporting era crítico. Ia demorar anos a reerguer o Sporting. As pessoas achavam que era possível, como o clube estava, ganhar logo títulos? Ninguém achava isso. Como se fosse possível ganhar logo. O Amorim foi contratado por esta direção, contra a opinião de 99% dos adeptos - o Bruno não. Das coisas que tenho mais orgulho é que dizerem bem de Ruben Amorim é dizer bem desta direção. Depois, dizem que o presidente fez um all-in. Na segunda época, o Sporting terminou em quarto e investiu 43 milhões. A seguir, faço um all-in e invisto 38 milhões. A dificuldade é traçar o caminho e não mudar o rumo quando se perde. Esse Sporting ficou em quarto e mantivemos o rumo, até investimos menos. Quando falam em all-in, rio-me. Sabe quais foram os quatro treinadores com mais vitórias no Sporting nos últimos 20 anos? Ruben Amorim, Rui Borges, Paulo Bento e a desgraça que foi Marcel Keizer. Dos quatro treinadores mais bem sucedidos, três foram escolhidos por esta direção.»

Resposta de Varandas.

«Quando era diretor clínico, as minhas clínicas estavam melhor equipadas do que as instalações do Sporting. Os jogadores faziam exames de borla. Fui eleito em 2018 e em 2019, reorganizei o departamento médico e não foi preciso recursos externos. O departamento clínico não tinha as condições que hoje tem. De 2002 a 2018, não se investiu no departamento clínico. Usavam as minhas clínicas de borla. Hoje, o Sporting tem condições de luxo.»

«Quero jogadores que cheguem e entrem no onze. Perdemos o Alisson e fomos buscar jogadores que não sabemos o que vão dar. Face às lesões e ao cansaço, estamos a ter as dificuldades que se previam, face à falta de investimento. No ano passado 12 lesões, este ano 10. Bragança operado fora de clube, Trincão trata-se fora do clube, Pote també, Ioannidis volta e lesiona-se. Andamos aqui nisto. Temos de ir buscar os melhores profissionais e um departamento do Sporting, não como o Frederico Varandas fazia, na sua clínica», acrescentou Bruno Sá.

Bruno Sá sobre o futebol.

«Percebe-se que o mentor do futebol da era Varandas foi Ruben Amorim. Em 2022, disse que não era obrigatório vencer o Marselha e a Atalanta. Perdemos com o Bodo, chegámos ao limite, não se pode ir mais longe. Há um pré-Ruben Amorim, uma série de treinadores contratados e despedidos. Há a era Amorim, que escolheu tudo, teve as chaves da casa. Criou um modelo de Sporting vencedor. Depois, há um pós-Ruben Amorim. Período João Pereira e depois o Rui Borges, que é uma pessoa com caráter, mas nota-se que a corda vai partir por Rui Borges. A cartilha de Frederico Varandas já começa a falar nesse sentido. Disse que queria ser campeão. Assistimos a um mercado vergonhoso em janeiro. É a ausência de um rumo. O Sporting tem de ter um modelo e o treinador é apenas mais uma pessoa desse rumo. Em vez de desenvolver estruturas de corporate, investir em instalações do clube, e depois investir no departamento médico de excelência. Ganhar mais, sem maltratar as pessoas. Rui Borges? Quando chegar lá, vê-se. Tenho de analisar e ver se se enquadra no nosso modelo. Nunca disse que entrava e renovava. Na altura, não teria escolhido o Rui Borges. Se tivesse o guarda-redes lesionado e lhe disse o Biel, teria de agradecer o caráter e o que conseguiu, sem jogadores e teria renovado com o treinador. Mas é pelo Rui Borges que vai partir a corda. Já se ouve as pessoas que trabalham para o Frederico Varandas a falar disso. Diretor Desportivo? Está identificado. Estou preparado para entrar já, se não ganhar, estarei vigilante para que nenhum presidente ou treinador tenha carta branca.»

Bruno Sá responde.

«Os grupos fazem parte da história. Este senhor se, a ganhar, não quer falar com ninguém, imagine-se quando não se ganhar. Não há diálogo com os GOA. Bilhar sai, Directivo sai, Leões de Portugal saem. Você não quer saber das pessoas, só quer saber do negócio.»

Varandas sobre as claques.

«O Bruno afirmou que acho que sou maior que o Sporting. Estou aqui por missão e entregarei o Sporting muito melhor do que o encontrei. Não quer saber do nome Frederico Varandas. Não quero o meu nome em lado nenhum. Quero os títulos e que as gerações mais novas continuem a ser Sporting. Em relação aos GOAs, todos importantes. Enquanto estivermos aqui, estes grupos estão para servir o Sporting e não o contrário. O Sporting não quer extinção de nenhum GOA, nenhum. Agora, a nossa política é clara. A prioridade é o Sporting. O Sporting respeita os grupos. Só houve um grupo que aceitou ser grupo oficial - a Brigada -, o Directivo, a Juve Leo, a Torcida, não querem ser. Nós respeitamos e agradecemos o apoio nos inúmeros títulos que conquistámos. Nós gostaríamos de dar melhores condições. Perguntámos à UEFA as condições de uma bancada de pé. Eles não querem ser identificados, eu defendo que todos os adeptos têm de ser identificados. Querem ter uma safety stand, e o Sporting quer isso, têm de ir para a zona especial, a lei diz isso. Casinha? O Sporting tirou o ténis de mesa, porque precisamos do espaço. A prioridade é o Sporting. Não é o Directivo, o Grupo Stromp,... O ténis de mesa e o bilhar estão a treinar fora do estádio. O que faço aos Leões de Portugal? Vou tratá-los de forma diferente? Não.»

Bruno Sá: «Manda modalidades históricas embora? Você é o maior populista que passou pelo Sporting.»

Varandas: «Sabemos o grau de satisfação dos sócios. Todos os jogos, fazemos um inquérito de satisfação. A nota é de 8. No antigo estádio, os torniquetes não funcionavam, temos um fosse que foi fechado, mudámos as cadeiras, tirámos os azulejos... »

Bruno Sá: «Quer é Instagram. Sócios, zero.»

Bruno Sá: «Você pensa que é melhor que o Sporting, esse é o problema. Falta de humildade.»

Varandas responde.

«Basta agarrar nos factos. O Sporting tinha 74 mil sócios com quotas em dia, hoje tem 125 mil. O Bruno insiste que o sócio é mal-tratado, então o sócio deve ser masoquista e atrasado mental, porque há mais sócios hoje. Há pessoas que acham que são os donos morais do amor ao clube. As pessoas não têm a noção do que é estar neste cargo, da pressão e do estofo que é preciso ter. Ser presidente do Sporting não é bater no peito. Sou sócio desde que nasci, o meu avô, quando morreu, era o sócio mais antigo, o meu pai também é sócio. Do lado da minha mãe também. O Bruno não me ensina o que é ser Sporting. Sofri a minha vida toda a ver Benfica e FC Porto lá em cima. Sabe porque o sócio é feliz? Porque ganha e vê os rivais em baixo. Coisa que eu nunca vi.»

Bruno Sá: «Quem um Sporting de sócios ou clientes? Quer tratar bem os sócios? Está sempre no camarote, olha as pessoas de cima, tem de olhar olhos nos olhos. Você descalçou os sócios. Acabou de lhes chamar ignorantes... »

Varandas:
«Hoje, o sócio tem orgulho do Sporting. Tem valores e tem títulos. Na escola do meu filho, dois terços são do Sporting. O estádio tem 50 mil lugares e temos 125 mil sócios com quotas em dia. Quem me dera ter um estádio com125 mil lugares. Temos 13 mil gameboxes, 16 mil em espera. É porque gostam de ser maltratados... »

«Ninguém pode ficar de fora. Todos os sócios são importantes. Quem tinha lugar há mais de 20 anos, não pode ser excluído. Devia haver uma bancada para todos, com bilhetes a 10 euros. O Sporting está virado para o corporate e tem de haver um equilíbrio. Aqueles dois mil lugares novos para instagramers. O que interessa isso quando se tem a família cá fora?», acrescentou Bruno Sá.

Bruno Sá sobre a relação com os sócios e os adeptos.

«Parece óbvio, menos para o Frederico Varandas, que os sócios não têm direitos. Diga-me onde é que o número de sócios aumentou? O lema de campanha era unir o Sporting, agora não lhe interessa dizer isso. Tinha membros das claques na direção, agora já não. É estranho que os lion seats tenham prioridade sobre sócios com gamebox há mais de 25 anos. Fala de sócios, mas nãoo temos um site. Toda a gente sabe que este é um Sporting de clientes. Prefere ter uma green list e fazer obras nas centrais, esquecendo os outros sócios. Esta direção é alérgica a pessoas.»

«As pessoas com gamebox foram obrigadas a sair dos sítios para pôr uma claque lá em cima. O clube está fechado. Entrar na porta 10 e não há revista, nas portas 8 e 9 entram a meio do jogo devido à revista. As pessoas não se sentem em casa. Soluções? Tem de haver reuniões com os núcleos, com os Grupos Organizados e ter um site em condições.»

Varandas sobre a entrada de capital externo.

«É falso que tenha dito que o Chelsea iria entrar na SAD. No nosso plano a 10 anos, temos previsto entrada de um parceiro estratégico, com uma participação minoritária. A maioria do capital da SAD vai manter-se no clube. Como afirmámos em 2022, temos previsto a entrada de um parceiro minoritário, mas terá de ser um parceiro que promova uma sinergia de continuar este rumo de crescer o clube. Esta decisão será levada AG, como também foi a compra da Alvaláxia, não sei se o Bruno estava la.»

Bruno Sá: «Ninguém estava. Você fala sozinho»

Varandas: «As médias de participação das AGs aumentou. Antes, as AGs eram de uma minoria, que achava que controlava o clube. Hoje, são abertas. Temos AGs com seis mil pessoas. O Bruno é que gostava de AGs com 200 pessoas.»

Bruno Sá: «Não participa ninguém. As pessoas chegam lá e vão se embora.»

Varandas:
«O seu problema é que os sócios estão muitos contentes com o Sporting.»

Bruno Sá sobre a entrada de capital externo.

«Tem de passar pelos sócios. Falou na possibilidade do Chelsea, mas não voltou a falar disso. Para mim é claro, nunca vender a maioria da SAD. Admito a entrada de capital, mas tem de passar pelos sócios. Como Varandas não é transparente, não desmente aquilo que eu disse: o aumento da dívida significa que vai entrar capital externo. Quero que os sócios sejam esclarecidos. Serei presidente da SAD, se for eleito.»

Bruno Sá: «As nossas AGs não têm maneira de discutir. Este debate serve para isto. Tenho receiro que eu tenha de ser a Troika do Sporting. É essa a minha preocupação. Não desmentiu os factos. Exijo transparência e que não engane os sócios. Não conseguiu desmentir os aumentos do passivo e da dívida a fornecedores. Não conseguiu justificar a compra da Alvaláxia.»

Varandas responde.

«O Bruno disse que o Sporting tem de crescer no comercial. Em 2018, as receitas eram de 42 milhões. Hoje são de 75 milhões. Mas o Bruno diz que não estamos bem. Merchadising, o Sporting faturava 5 milhões, hoje 17. Loja verde online, de 500 mil para 4 milhões. Agradeço a sua candidatura, porque me dá oportunidade de explicar, mas isto não é um debate, é uma entrevista. Dívida a fornecedores aumento, verdade. Antes, estávamos em incumprimento, hoje está tudo em dia. A dívida é a clubes. O SPorting tinha um volume de negócio de 120 milhões, hoje 265. Isso permite investir mais para sermos campeões nacionais.»

Bruno Sá: «Com o que investiu neste mercado, não quer ser campeão nacional, com certeza.»

Bruno Sá sobre o plano financeiro.

«Não será a contrair empréstimos de 225 milhões. Sabemos que o Sporting se fechou a toda a gente e temos de investir no departamento comercial. Temos de discutir as seis vezes que o presidente se autoaumentou.»

Bruno Sá: «Exigo transparência. Algum dia teremos de pagar estas dívidas. Claro que é bom investir, mas o que interessa é o futuro do Sporting. Temos de saber como vai ser pago.»

Varandas: «Já expliquei. Entendemos que, a 10 anos, o Sporting tem de seguir um rumo. Existe uma plataforma Football Bench Market, da KPMG, e o Sporting foi exemplo de gestão a nível europeu. Isto deveria orgulhá-lo.»

Varandas: «Quando chegámos, o Sporting tinha em incumprimento 50 milhões de euros. 42 desses a clubes e jogadores. O Sporting hoje tem 500 milhões de dívida, 225 feitos agora, 100 de fundo de maneio. As agências de rating consideram que o projeto do Sporting é sólido.»

Bruno Sá: «Passámos de 200 para 500 milhões de euros de dívida... »

Varandas: «O Sporting cumpre com todos. O passivo aumentou de forma estratégica, para aumentar as receitas. Onde aumentou a dívida dos fornecedores? O aumento deve-se à compra de jogadores. O que interessa no balanço de uma emprada é ativo vs passivo. Sabe quanto é o ativo do Sporting? 470 milhões. Antes, era 148. O ativo triplicou.»

Bruno Sá: «Mas é verdade as dívidas aos fornecedores? Você fica muito incomodado quando é confrontado com a verdade.»

Bruno Sá sobre o empréstimo.

«A primeira vez que conheci Frederico Varandas, mostrou a preocupação com o passivo. Agora está maior. Falou de uma herança pesada na dívida a fornecedores, de 35 milhões. Agora estamos nos 119. É de louvar o investimento, mas gostava de saber como vai ser pago e como vai ser utilizado. É importante saber isso. Sobre o investimento na Academia, dá-me vontade de rir, sabendo que os sub-17 treinam em meio-campo. E quem manda no Pólo EUL é o Benfica. É bom o investimento, mas temos uma dívida a crescer e ninguém está preocupado. É estranho o presidente continuar a autoaumentar-se e o Sporting estar com um passivo de 500 milhões.»

Bruno Sá acusa Varandas.

«Recebi esta carta e queria que me esclarecessem se o boletim de voto tem um código para mostrar em quem cada atleta vota. Falam com os atletas e dizem para terem atenção em quem votar.»

Varandas responde.

«Não sei como será o boletim de voto. Confio na seriedade de quem o decide. Os órgãos são independentes. A MAG é quem organiza o ato eleitoral.»

Sobre a situação financeira do clube, Varandas responde:

«Foi mais um ano com resultados positivos, o quarto consecutivo. O Bruno acusou-me de autoelogio. São factos e resultados. Não posso deixar de os dizer. Se foi bem ou mal feito, os sócios dirão. Nas seis épocas desta direção, cinco tivemos lucro. Não tivemos no ano da pandemia. Esta é a nossa linha. É importante para nós garantir a sustentabilidade, que não se ponha em perigo o Sporting por um título. Apresentámos lucros de 82 milhões de euro, no acumulado. Em relação ao passivo, aumentámos de uma forma estratégica. Achámos que era o momento de o fazer. Porquê? Tínhamos duas vias de poder governar. Nos últimos 16 anos, nunca mais houve investimento e viu-se o resultado disso - degradação do património do Sporting. A partir de 2018, da forma possível, fizemos um investimento com capitais próprios, na Academia, no Pólo e no Estádio. Os resultados estão à vista. Chegámos a um ponto onde, para continuar a investir, ou continuamos a investir com capitais próprios ou podemos nos financiar. O Sporting hoje goza de uma credibilidade financeira. Fizemos um acordo de 225 milhões, empréstimo. Investimos para outra dimensão e achámos ser o momento ideal para o fazer. E podia ter sido nove vezes mais. Quiseram investir 2 mil milhões de euros no Sporting. A procura significa que os próprios investidores queriam que o Sporting pusesse mais dívida à venda. Apresentámos um documento com 100 milhões, onde detalhámos como, em 10 anos, o Sporting irá dobrar as receitas - através da Alvaláxia, com o espaço José Alvalade, que irá pôr o Sporting noutro patamar. Espaço de restauração, lojas, um museu de última geração e uma integração de todo o espaço do estádio. Estamos confortáveis coma receita que será gerada com estes 225 milhões e que irão pagar os custos do empréstimos.»

«Candidato-me pela democracia, com uma ideia diferente da atual - baseada nos clientes. Para o Dr. Varandas, o Sporting é clube de entretenimento. Para mim, é um clube de sócios e virado para as pessoas. Tenho andados pelos núcleos e as pessoas sentem-se esquecidas. As AGs não têm pessoas. Há muita coisa a melhoras. Não interessa só ganhar, interessa ter as pessoas presentes. Há dúvidas a esclarecer e é por isso que estou aqui», acrescentou Bruno Sá.

Bruno Sá responde a Varandas.

«Falei com o Dr. João Palma e perguntei se haveria debate. Não me foi respondido nada. Mais tarde, fui contactado para uma data. Eu tenho de me dar a conhecer aos núcleos. O presidente fez isso quando se candidatou e nunca mais apareceu lá. Propus dia 12. O respeito que o Dr. Varandas diz que tem pelos sócios, nem se dignou a fazer um programa, a visitar os núcleos e a fazer entrevistas. Eu quis sempre fazer um debate. Tenho pena que venha cansado, mas era a única data disponível.»

Varandas traça as prioridades para os próximos quatro anos.

«Não tenho como não demonstrar o meu incómodo por estarmos a fazer este debate a 36 horas das eleições. Estamos a debater quando 25 mil sócios, que podem votar por correspondência, já votaram. Era evitável. Em relação à questão, os sócios do Sporting conhecem-nos e o que foi feito desde 2018. Lançámos um plano a 10 anos, que recomendamos que o Sporting siga até depois deste mandato. A decisão da recandidatura tem que ver com continuarmos o que começámos, sem esquecer o ponto de partida, um clube que não vencia um título há 17 anos, numa situação financeira frágil e, passados sete anos, o Sporting é o que os adeptos querem: a liderar o desporto em Portugal. Desde 2018, ninguém ganhou mais no futebol e nas modalidades. Sempre cumprindo os valores da fundação: dignidade, ética e integridade. Passámos de um gigante adormecido, o quarto grande, a número um.»

Começa Frederico Varandas a falar, Bruno Sá fecha o debate.

Começa o debate!

Candidatos já estão preparados para o debate. Foto: Miguel Nunes

Foto: Miguel Nunes

Bruno Sorreluz, mais conhecido como Bruno Sá, empresário e proprietário do restaurante ‘Cantinho do Sá’, junto ao recinto de Alvalade, anunciou a candidatura à presidência do Sporting numa entrevista a A BOLA.

Frederico Varandas apresenta-se às eleições do Sporting a um passo de um marco histórico. Presidente desde setembro de 2018, o dirigente já é o líder leonino com mais títulos no futebol sénior masculino — nove no total — e poderá tornar-se o segundo presidente com maior longevidade na história do clube caso seja reconduzido para um terceiro mandato consecutivo. Durante a sua liderança, o Sporting quebrou um jejum de 19 anos sem conquistar a Primeira Liga e voltou a celebrar vários troféus nacionais.

Frederico Varandas alvo de queixa do FC Porto

Na sequência do sorteio da Mesa da Assembleia Geral, ficou determinado que lista A seria a de Bruno Sá, com Frederico Varandas a ficar com a B.

O debate tem início marcado para as 21h30 e será realizado no Museu Sporting. Acompanhe aqui tudo o que será dito!

Boa noite e sejam muito bem-vindos(as) ao acompanhamento em direto ao debate entre os dois candidatos à presidência do Sporting, Frederico Varandas e Bruno Sá.