Bruno Sá sobre o plano financeiro.
«Não será a contrair empréstimos de 225 milhões. Sabemos que o Sporting se fechou a toda a gente e temos de investir no departamento comercial. Temos de discutir as seis vezes que o presidente se autoaumentou.»
Bruno Sá: «Exigo transparência. Algum dia teremos de pagar estas dívidas. Claro que é bom investir, mas o que interessa é o futuro do Sporting. Temos de saber como vai ser pago.»
Varandas: «Já expliquei. Entendemos que, a 10 anos, o Sporting tem de seguir um rumo. Existe uma plataforma Football Bench Market, da KPMG, e o Sporting foi exemplo de gestão a nível europeu. Isto deveria orgulhá-lo.»
Varandas: «Quando chegámos, o Sporting tinha em incumprimento 50 milhões de euros. 42 desses a clubes e jogadores. O Sporting hoje tem 500 milhões de dívida, 225 feitos agora, 100 de fundo de maneio. As agências de rating consideram que o projeto do Sporting é sólido.»
Bruno Sá: «Passámos de 200 para 500 milhões de euros de dívida... »
Varandas: «O Sporting cumpre com todos. O passivo aumentou de forma estratégica, para aumentar as receitas. Onde aumentou a dívida dos fornecedores? O aumento deve-se à compra de jogadores. O que interessa no balanço de uma emprada é ativo vs passivo. Sabe quanto é o ativo do Sporting? 470 milhões. Antes, era 148. O ativo triplicou.»
Bruno Sá: «Mas é verdade as dívidas aos fornecedores? Você fica muito incomodado quando é confrontado com a verdade.»
Bruno Sá sobre o empréstimo.
«A primeira vez que conheci Frederico Varandas, mostrou a preocupação com o passivo. Agora está maior. Falou de uma herança pesada na dívida a fornecedores, de 35 milhões. Agora estamos nos 119. É de louvar o investimento, mas gostava de saber como vai ser pago e como vai ser utilizado. É importante saber isso. Sobre o investimento na Academia, dá-me vontade de rir, sabendo que os sub-17 treinam em meio-campo. E quem manda no Pólo EUL é o Benfica. É bom o investimento, mas temos uma dívida a crescer e ninguém está preocupado. É estranho o presidente continuar a autoaumentar-se e o Sporting estar com um passivo de 500 milhões.»
Bruno Sá acusa Varandas.
«Recebi esta carta e queria que me esclarecessem se o boletim de voto tem um código para mostrar em quem cada atleta vota. Falam com os atletas e dizem para terem atenção em quem votar.»
Varandas responde.
«Não sei como será o boletim de voto. Confio na seriedade de quem o decide. Os órgãos são independentes. A MAG é quem organiza o ato eleitoral.»
Sobre a situação financeira do clube, Varandas responde:
«Foi mais um ano com resultados positivos, o quarto consecutivo. O Bruno acusou-me de autoelogio. São factos e resultados. Não posso deixar de os dizer. Se foi bem ou mal feito, os sócios dirão. Nas seis épocas desta direção, cinco tivemos lucro. Não tivemos no ano da pandemia. Esta é a nossa linha. É importante para nós garantir a sustentabilidade, que não se ponha em perigo o Sporting por um título. Apresentámos lucros de 82 milhões de euro, no acumulado. Em relação ao passivo, aumentámos de uma forma estratégica. Achámos que era o momento de o fazer. Porquê? Tínhamos duas vias de poder governar. Nos últimos 16 anos, nunca mais houve investimento e viu-se o resultado disso - degradação do património do Sporting. A partir de 2018, da forma possível, fizemos um investimento com capitais próprios, na Academia, no Pólo e no Estádio. Os resultados estão à vista. Chegámos a um ponto onde, para continuar a investir, ou continuamos a investir com capitais próprios ou podemos nos financiar. O Sporting hoje goza de uma credibilidade financeira. Fizemos um acordo de 225 milhões, empréstimo. Investimos para outra dimensão e achámos ser o momento ideal para o fazer. E podia ter sido nove vezes mais. Quiseram investir 2 mil milhões de euros no Sporting. A procura significa que os próprios investidores queriam que o Sporting pusesse mais dívida à venda. Apresentámos um documento com 100 milhões, onde detalhámos como, em 10 anos, o Sporting irá dobrar as receitas - através da Alvaláxia, com o espaço José Alvalade, que irá pôr o Sporting noutro patamar. Espaço de restauração, lojas, um museu de última geração e uma integração de todo o espaço do estádio. Estamos confortáveis coma receita que será gerada com estes 225 milhões e que irão pagar os custos do empréstimos.»
«Candidato-me pela democracia, com uma ideia diferente da atual - baseada nos clientes. Para o Dr. Varandas, o Sporting é clube de entretenimento. Para mim, é um clube de sócios e virado para as pessoas. Tenho andados pelos núcleos e as pessoas sentem-se esquecidas. As AGs não têm pessoas. Há muita coisa a melhoras. Não interessa só ganhar, interessa ter as pessoas presentes. Há dúvidas a esclarecer e é por isso que estou aqui», acrescentou Bruno Sá.
Bruno Sá responde a Varandas.
«Falei com o Dr. João Palma e perguntei se haveria debate. Não me foi respondido nada. Mais tarde, fui contactado para uma data. Eu tenho de me dar a conhecer aos núcleos. O presidente fez isso quando se candidatou e nunca mais apareceu lá. Propus dia 12. O respeito que o Dr. Varandas diz que tem pelos sócios, nem se dignou a fazer um programa, a visitar os núcleos e a fazer entrevistas. Eu quis sempre fazer um debate. Tenho pena que venha cansado, mas era a única data disponível.»
Varandas traça as prioridades para os próximos quatro anos.
«Não tenho como não demonstrar o meu incómodo por estarmos a fazer este debate a 36 horas das eleições. Estamos a debater quando 25 mil sócios, que podem votar por correspondência, já votaram. Era evitável. Em relação à questão, os sócios do Sporting conhecem-nos e o que foi feito desde 2018. Lançámos um plano a 10 anos, que recomendamos que o Sporting siga até depois deste mandato. A decisão da recandidatura tem que ver com continuarmos o que começámos, sem esquecer o ponto de partida, um clube que não vencia um título há 17 anos, numa situação financeira frágil e, passados sete anos, o Sporting é o que os adeptos querem: a liderar o desporto em Portugal. Desde 2018, ninguém ganhou mais no futebol e nas modalidades. Sempre cumprindo os valores da fundação: dignidade, ética e integridade. Passámos de um gigante adormecido, o quarto grande, a número um.»
Começa Frederico Varandas a falar, Bruno Sá fecha o debate.
Começa o debate!
Candidatos já estão preparados para o debate. Foto: Miguel Nunes
Bruno Sorreluz, mais conhecido como Bruno Sá, empresário e proprietário do restaurante ‘Cantinho do Sá’, junto ao recinto de Alvalade, anunciou a candidatura à presidência do Sporting numa entrevista a A BOLA.
Frederico Varandas apresenta-se às eleições do Sporting a um passo de um marco histórico. Presidente desde setembro de 2018, o dirigente já é o líder leonino com mais títulos no futebol sénior masculino — nove no total — e poderá tornar-se o segundo presidente com maior longevidade na história do clube caso seja reconduzido para um terceiro mandato consecutivo. Durante a sua liderança, o Sporting quebrou um jejum de 19 anos sem conquistar a Primeira Liga e voltou a celebrar vários troféus nacionais.
Na sequência do sorteio da Mesa da Assembleia Geral, ficou determinado que lista A seria a de Bruno Sá, com Frederico Varandas a ficar com a B.
As eleições para os órgãos sociais do Sporting, agendadas para sábado, vão decorrer entre as 09h e as 20h, no Pavilhão João Rocha.
O debate tem início marcado para as 21h30 e será realizado no Museu Sporting. Acompanhe aqui tudo o que será dito!
Boa noite e sejam muito bem-vindos(as) ao acompanhamento em direto ao debate entre os dois candidatos à presidência do Sporting, Frederico Varandas e Bruno Sá.