2.ª AG Benfica: orçamento aprovado!
Passou por pouco, mas passou, o plano das águias

As duas assembleias gerais estão, pois, encerradas.

8209 benfiquistas votaram favoravelmente o orçamento planeado para o clube em 2026/27. 54,57 por cento a favor, 45,43 estiveram contra.

Está concluído período de intervenções.

José Pereira da Costa diz que em breve serão conhecidos os resultados da votação do orçamento.

João Diogo Manteigas, candidato à presidência do Benfica nas últimas eleições, terminou intervenção deixando questão a Rui Costa: «O próximo central do Benfica será José María Jiménez, do Atlético Madrid, ou Skriniar [Fenerbahçe]?»

Sucedem-se intervenções de sócios inscritos.

«Face ao exposto, propõe o Requerente que o Sport Lisboa e Benfica passe a reservar, anualmente, o equivalente a 1% dos seus gastos anuais, montante estimado em cerca de 616 mil euros, para financiamento de projetos apresentados pelas Casas do Benfica»

Vai falar Mauro Xavier, uma das figuras mediáticas do associativismo do clube. Anuncia proposta à mesa.

26 sócios inscritos para falar.

Vai começar a votação do orçamento, mas haverá pelo menos mais uma hora para fazê-lo, anuncia José Pereira da Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Vice-presidente financeiro também fez ponto da situação sobre o Benfica District: «Não há alterações significativas, em termos de processo avançou bastante na Câmara. Um projeto destes é visto por todos os departamentos, por entidades externas, o processo está a correr bastante bem, estamos bastante confiantes.»

Nuno Catarino referiu estudos: «Há valores que sobem e valores que descem, não há desvios nesta fase.»

E concluiu: «Dentro de um mês ou dois meses esperamos aprovação por parte de todas as entidades para podermos avançar e faremos a comunicação aos sócios quando tal acontecer. Projeto está vivo, há bastantes progressos. Nunca é tão rápido quanto gastaríamos mas estamos dentro do plano.»

Nuno Catarino faz ponto da situação sobre a expansão do Estádio da Luz, condicionada pela necessidade de jogar pré-eliminatórias da Liga Europa: «Expectativa é chegar aos 69 mil lugares esta époica e ultrapassar os 70 mil na próxima época. Tivemos de adiar obras e executámos menos de 600 lugares porque tivemos de antecipar época em 3 semanas.»

Nuno Catarino, vice-presidente financeiro, assume a palavra.

 «Mais de 30 mil novos sócios e aproximámo-nos do número de sócio 450 mil, maior assistência de sempre no estádio e perto de milhão e meio de espectadores entre provas nacionais e internacionais», disse ainda Rui Costa.

«No orçamento que colocamos à vossa apreciação projetámos resultado positivo de 8,4 milhões de euros para 2026/27, condição essencial para investir na competitividade das nossas equipas e modalidades para o Benfica poder lutar por títulos em todas as frentes»

«É orçamento pensado para proteger desígnios do clube, um voto favorável será um voto de estabilidade, sustentabilidade e competitividade do Benfica»

Fazem-se os últimos preparativos para a 2.ª assembleia geral do dia, na Luz, dedicada ao orçamento do clube para a próxima temporada.

Acabou a primeira assembleia geral. Dentro de cerca de uma hora começará a segunda para apreciação e votação do orçamento do clube para a próxima época.

Sócios
«Não foi pelos sócios que não chegássemos. Precisamos mais qualidade plantel, uma equipa que encaixe. Plantel terá base do ano passado e que outros jogadores dê mais qualidade à equipa. Marco Silva é um treinador de futuro. Iremos trabalhar e não podemos falhar.»

António Silva

«Contratato está na mão dele. E é mais alto do que saiu numa primeira página.»

Schjelderup

«Tem um bom contrato na mão, ainda que seja preocupação menor porque tem mais um ano de contrato.»

José Pereira da Costa queria suspender a AG. Mas Rui Costa vai continuar a falar.
«Gonçalo Moreira não vai sair. Trabalhará com equipa A e B. Presidente não tem influência ou meter ou tirar, há em promover jogadores à equipa principal. Nunca me peçam para fazer equipa, não sou treinador. Minha vontade, como a vossa, é ganhar. Treinador é que tem de escolher jogadores, posso influenciar para que jogadores possam subir. Só dou 20 jogadores contratados ao treinador. Cada treinador tem 20, os restantes são da nossa formação. É um dos modelos que temos para os jovens subirem. Vai tocar aos jogadores mostrarem prontidão, porque eles aparecem quando têm qualidade. É assim com todos.
Estamos sempre a falar da nossa formação e vamos a reboque da comunicação social. Bate nisto. Conta os minutos da formação. Faz isso com os outros. Vamos atrás dessa realidade. É um erro. Não há equipa que aposte mais que o Benfica. Também vos posso mostrar os números. Vamos ter mais. Nem todas as gerações dão. Muitos da equipa B em que têm esperança não mostram prontidão na equipa A.»

Sidny e Rafa

«Mercado de Inverno nunca é igual ao de Verão. Gostaria de estar aí a bater bola com vocês. Naquela altura, é-nos pedido pelo treinador o Sidny por um motivo simples: Obrador não vingou, uma falha nossa, Bah estava atrasado na recuperação e precisávamos de um jogador para cobrir as laterais; ele estava a fazer essas posições no E. Amadora. Foi avaliado pela estrutura e pedido pelo treinador. Há também a minha responsabilidade. Há um trabalho conjunto.
Sobre o Rafa, o Sudakov não estava a ter o enquadramento desejavo, treinador pediu um jogador para jogar atrás do avançado, com mais golo.

Uma das coisas identificadas, quem saiu o ano passado — Di María, Kokçu e Akturkoglu — tirou-nos capacidade de golo. Foi falha estrutural de golo. Os jogadores contratados não trouxeram os golos produzidos ou marcados. Foi um erro crasso. Jogadores que chegaram tiveram pouco golos.

Rafa tem passado Benfica, não precisava de adaptação, não saiu de costas voltadas ao presidente ou ao Benfica. Tivemos a opção de não perdê-lo a custo zero, poderíamos ganhar cerca de €8 milhões. Assumiu que não queria renovar. Tem as características que precisávamos para aquele momento da época, foi de todos os jogadores apresentados pelo scouting o preferido de Mourinho. Saiu a custo zero e custou €5 milhões.»

Ainda Schjelderup
«Naquela altura foram pedidos €20 milhões pelo Schjelderup. Quem oferece €8 milhões não o levaria.»

Ambiente aquece.

Schjelderup
«É curioso. Parece que não o fui contratar. Foi um bom investimento ir buscá-lo com 17 anos. Caiu aqui de pára-quedas. Nunca esteve para sair por €8 milhões. Garanto-vos. Se estivesse para sair por €8 milhões seria porque não acreditaríamos nele e nem sequer jogaria com o Real Madrid. Não faz sentido. A bota não bate com a perdigota. Que o Club Brugge o quisesse contratar por €8 milhões, sim, mas o Benfica não o queria vender por €8 milhões. Isso é completamente falso. Ficou porque tivemos a paciência de esperar pelo rendimento.»

Futuro e trabalho Marco Silva
«Está inteirado da forma de trabalhar no Benfica. Quis ver muitos jogadores da formação. A época começou e só chegou um jogador de 17 anos... Faz sentido. Estamos a elogiar o Schjelderup, Grimaldo ou David Luiz que foram contratados mais ou menos assim. Essa aposta faz-se. Procurámos uma antecipação ao mercado com esse jogador, trabalhará com equipa principal e jogará quando for necessário na B.
Em relação às contratações, sabemos o que temos de melhorar. Há posições vazias, como o caso do defesa-central, é verdade que queremos um mais experiente. Esse jogador chegará nos próximos dias, já está tratado e negociado, está tudo feito com o jogador. Estamos a tentar contornar, muitos clubes só querem fazer o negócio a 1 de julho porque o exercício [financeiro] está feito, estamos a tentar que chegue alguns dias antes. Vai entrar mais um ala. Não entrou ninguém mais só saiu Otamendi. É uma base sólida. O que considerarmos a partir daqui é troca por troca. Há duas lacunas. O resto acontecerá com alguma saída. Estamos prontos e temos scouting para todas as posições.
Estamos prontos para os reforços chegarem na próxima semana para entrarmos muito a tempo numa competição a que não estamos habituados»

Comissões a agentes

«Podem ver nos relatórios e contas, diminuímos os pagamentos a agentes. Há pagamentos que são claros em toda a parte do mundo, não conseguimos viver sem essa situação, se não não seriam contratados. Quando chegam à equipa profissional já chegam com agentes. Não temos qualquer compromisso com algum agente, não há um que trabalhe mais com o Benfica. Benfica não escolhe agentes, escolhe jogadores. Posso mostrar de quem é cada jogador. É simples e não tenho problema. Até posso publicar. Pensam que são todos do mesmo empresário? Estão completamente errados.»

Mourinho e Marco Silva

«Marco Silva sabe que veio para o Benfica porque Mourinho não ficaria. Não implica que se sinta diminuído. Foram seis treinadores em cinco anos. É um facto. Entrei com Jorge Jesus que a meio da época em dezembro teve a situação do Flamengo, estava na expectativa de voltar, chegámos a acordo para a rescisão. Subiu Nélson Veríssimo, depois seguiu-se Schmidt, Lage e Mourinho. As trocas anteriores tiveram razões e concordarão comigo nessas razões. Fácil dizer que foram seis, menos fácil dizer se, na altura, estavam ou não de acordo.»

«Primeiros problemas nasceram de base, não houve impacto das aquisições, o investimento reflete a ambição e a construção de uma equipa pronta. Não conseguimos. Temos de ser mais eficazes nas escolhas [de jogadores]. Posso garantir que não há contratação alguma que não passe pelo mesmo processo: scoutinh, estrutura futebol e equipa técnica. Não há treinador do Benfica que não entre neste processo. Há sempre acordo e aprovação. Assim como não há jogadores que só jogam porque são muito caros. Sudakov esteve quase toda a segunda metade da época no banco e foi o mais caro.»

«É evidente que falhámos em muita coisa, não foi só azar, assumo completamente essa responsabilidade. Sabíamos que não seria fácil desde início, não tivemos pré-temporada. Não pensei que é desculpas, não venho aqui arranjar desculpas. Dentro disto procurámos fazer uma mercado — fala-se muito dos custos — com jogadores que pudessem ter impacto imediato. Falhámos em muita coisa, em muitas avaliações. Não vou discutir se um jogador é bom ou não, porque cada um tem uma opinião. No conjunto, não tiveram impacto e daí inconstância das exibições.»

Equipa de futebol

«Não me justifiquei de uma época péssima com as arbitragens. Mas não posso deixa de apontar isso como um dos motivos. Nem algum de nós. Não vamos ser hipócritas e dizer que não posso. Não me justifico com isso. Não foi esse o principal ponto que nos impediu de chegar aos objetivos, mas foi muito importante. Manifestámo-nos publicamente, também junto do Conselho de Arbitragem mais do que uma vez, mostrando os processos em que nos sentíamos prejudicados, apresentámos propostas, e entraremos para esta época com tolerância zero com o Conselho de Disciplina [Arbitragem, ndr] e Pedro Proença. Não estamos amarrados ou presos a nada. Defenderemos os clubes seja contra quem for. Esta saída de Duarte Gomes é muito preocupante. Conselho de Arbitragem tem de explicar.»

Sobre a formação do futebol
«Ouvi muita descrença. Este ano não ganhámos nenhum título, ao contrário do ano passado em que ganhámos todos. A política não mudou. Voltámos às meias-finais da Youth League. O aproveitamento no Benfica Campus foi subir um patamar mais rápido do que dizemos no passado. Puxámos essa geração de sub-17 para a equipa B, quando poderiam ser juniores de primeiro ano, para dar melhor aproveitamento na equipa principal, como José Neto, Daniel Banjaqui e Anísio Cabral. É normal não terem subido todos. Treze jogadores da formação trabalharam diariamente com a equipa principal. Mas nem todas as gerações vão dar jogadores para a equipa principal. É normal no Benfica ou noutros clubes.»
«Quando um jogador da formação, como o Gonçalo Oliveira, sai sem jogar na equipa principal, não é que não tenhamos feito todas as avaliações. [...] Até hoje o Benfica nunca perdeu um jogador deste patamar que tivesse libertado e mais tarde se arrependeu. Mais: passámos a ter um opção de reompra. Já não podemos emprestar 20 ou 30 jogadores como no passado. Não conseguimos ficar com todos.»
«Pelo menos 25 jogadores da formação têm de ser libertados por ano. Essa seleção é feita por quem faz essa avaliação»
«Foi um ano em que não tivemos uma afirmação de um jovem da formação na equipa principal. Temos muita esperança nos campeões do mundo e da Europa sub-17. Temos de dar tempo ao tempo.»

Prometeu continuar a investir na equipa feminina de futebol, apesar da saída de algumas jogadores.

Lamentou perda do campeonato de basquetebol, reconheceu que o Benfica perdeu a hegemonia no voleibol para o Sporting. «Estamos a ganhar pouco, mas não podemos comparar com o que estávamos a ganhar antes [da minha presidência]. Não é suficiente. Mas há esperança que a taxa de sucesso seja superior.»

Rui Costa volta a dirigir-se aos sócios e começa por dizer que nunca levou a mal as críticas.

«Prometo que as minhas intervenções serão mais constantes», começou por dizer Tomás Barroso. «Ganhar e perder são realidades distintas. Não podemos sentir as derrotas como um dia nornal, são para viver intensamente e perceber como torná-las em vitórias», acrescentou.
«Promete trabalho, ambição, rigor e exigência que caminharemos para mais títulos, dando condições e ferramentas às equipas que poderemos conquistar mais títulos. Sabemos o que fazer no camonho para vencer. Há muitas mudanças, mas existe um porquê, um como e um critério.»
«Marcelo Matz [ex-treinador de voleibol] é uma figura incondicional, mas não podemos ignorar que nos dois últimos anos conquistámos um título e não conseguimos competir nesta final. O novo treinador teria de ser alguém com experiência e que conhecesse a realidade e mercado europeu.»
«No basquetebol o pensamento será o mesmo. A época foi uma desilusão. Não conseguimos conquistar o pentacampeonato. Sabíamos que a equipa estava em fim de ciclo. Saiu Norberto Alvez, treinador à Benfica, mas é uma decisão pessoal, dele, foi honesto com o clube.»
«Não tenho medo de mudanças. Vai ser difícil porque ninguém nos dá nada. Acreditem comigo, com os treinadores, as equipas, os jogadores, com todos os que trabalham no Benfica»

Tomás Barroso, vice-presidente para as modalidades, responde às perguntas dos sócios.

Vão falar agora os elementos da Direção.

José Pereira da Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral, informou que estiveram presentes no pavilhão 1.043 sócios, dos quais 54 interviram. Houve 227 questões/propostas apresentadas através das plataformas digitais. Remotamente, através do site ou App, acederam 7.566 sócios de 41 países e de todos os continentes.

Luís Filipe Vieira está na primeira fila. Ainda se desconhece se irá também falar.

Discurso de Cristóvão Carvalho
«Aqui está o texto corrigido ao nível da pontuação, espaçamento e fluidez gramatical, sem cortar nem acrescentar rigorosamente nenhuma palavra:Está na hora de discutirmos os nossos problemas dentro desta casa, entre a nossa família benfiquista. Não venho aqui falar com estratégias de bastidores, não trago agendas escondidas e hoje venho-vos falar com o coração nas mãos.Estamos descontentes. Estamos profundamente descontentes. E temos a obrigação de exigir mais, muito mais ao presidente, à sua Direção e à sua administração.O que é mais preocupante é que, quando os resultados desportivos ficaram aquém das expectativas, o investimento financeiro disparava. Contratámos cada vez mais caro, investiram-se milhões e milhões em reforços, mas esta Direção não conseguiu transformar o investimento em domínio desportivo. A última época é um espelho dessas contradições.Apostámos num treinador reconhecido internacionalmente, considerado por muitos um dos melhores do mundo, e terminámos o campeonato num inacreditável terceiro lugar. A gestão do futebol tem sido marcada por uma preocupante falta de consistência estratégica. Ano após ano, vemos mudanças de rumo, apostas contraditórias e uma incapacidade de construir um projeto sólido e vencedor.E as consequências europeias estão à vista de todos. O Benfica está fora da Liga dos Campeões e com a obrigação inaceitável de disputar três pré-liminatórias para tentar chegar à Liga Europa. Apresentamos ainda um plantel desequilibrado.Há qualidade individual, sim, há qualidade individual, mas falta equilíbrio coletivo. E quando falta planeamento, meus senhores, o talento sozinho não chega. Enquanto nós andamos nisto, os nossos principais adversários fortalecem-se e parte do crescimento deles resulta da nossa própria ineficiência.Fomos nós que desprezámos oportunidades para afirmar uma liderança clara no futebol português. E podemos perguntar porquê. É em grande parte devido à comunicação do nosso clube. Nos últimos anos, o Benfica perdeu capacidade de liderança na narrativa; tem faltado clareza, consciência e coragem para defender os interesses do clube perante os ataques que enfrentamos. A nossa comunicação não pode apenas ser reativa e, acima de tudo, tardia. Tem de ser estratégica, firme e permanente.O Benfica precisa de voltar a afirmar-se com força fora das quatro linhas. Não podemos estar quase sempre em silêncio quando o resto do futebol português goza com a nossa cara e os critérios das arbitragens nos prejudicam gravemente. Exigimos vergonha na cara a quem nos arbitra, exigimos respeito pelo maior clube português.Benfiquistas, vocês não estão cansados de ver o nosso clube ser discutido na praça pública? Não estão cansados de ouvir os anti-benfiquistas falar mal do Benfica? Eu estou farto. Mas o nosso dia-a-dia não pode ser apenas feito de lamentos. O Benfica não vive de choradinhos, o Benfica vive de soluções.Por isso, quero sair daqui de forma clara com uma decisão que considero muito positiva, que é, de facto, a contratação de Marco Silva. Mas sejamos claros: Marco Silva sozinho não resolverá os problemas do futebol do Benfica. Nenhum treinador consegue vencer sem uma estrutura alinhada, sem um plantel equilibrado e sem uma liderança forte que o proteja nesses momentos difíceis.Se acreditamos nesse treinador, esta Direção tem de dar condições reais para trabalhar. Temos de o proteger da instabilidade e evitar, de uma vez por todas, os erros do passado.Para terminar, o Benfica não são os presidentes. O Benfica somos todos nós. O Benfica precisa de todos nós. Precisa dos sócios, dos adeptos, da massa associativa. Precisa da nossa exigência, da nossa paixão, no futebol e em todas as modalidades. Cá estarei, como sempre estive, na linha da frente, sem medo e sem amarras e pronto para lutar contra qualquer um que tente diminuir a nossa grandeza.»

Vai falar Cristóvão Carvalho.

Discurso de João Diogo Manteigas
Meus caros, é para mim um orgulho participar enquanto sócio nesta 1.ª Assembleia desportiva do Sport Lisboa e Benfica. Uma assembleia única criada especificamente para os sócios debaterem com a direção o que mais interessa: futebol e modalidades.

A grandeza do Benfica mede-se pelas suas conquistas com base na exigência histórica e inegociável dos seus sócios.

Mas a verdade é que se sente lá fora o conformismo do quase. Isto deve ser combatido. Não vamos normalizar a mediocridade. Atenção: a história do Benfica não aceita desculpas em vez de títulos.

 Não vos quero relembrar o passado mais distante. Cumpro a regra desta Assembleia apenas sobre esta época. Foi de insucesso desportivo global porque vocês falharam na preparação e na gestão. Mas a verdade é que têm 3 anos para mudar o rumo e transmitir confiança a quem vos deu. O Benfica, esse, terá sempre a nós, que o apoiaremos eternamente.

 Reconheço que já existem sinais positivos. A contratação de Marco Silva antes do início da época é um deles. Um treinador corajoso que abraça o Benfica numa altura complexa. Mas precisamos que nos digam mais hoje. Como é que vamos ganhar? Qual é o vosso projeto para esta época e para as seguintes? Motivem-nos. Façam-nos acreditar. E terão sorte. O vosso sucesso será o nosso sucesso.

 Da minha parte, hoje, vou contribuir com dois tópicos que considero essenciais para o futuro imediato do Benfica:

 - No futebol, parece evidente que se deve ajudar Mário Branco a definir o seu papel. Só tem contrato por mais 1 ano e não se vai tornar omnipresente. Ou se é diretor geral ou desportivo. Os dois cargos têm demasiada autonomia e relevância para que sejam exercidos pela mesma pessoa. Sendo diretor geral, foco total e imediato na arbitragem, em particular, no conselho de arbitragem e no seu presidente Luciano Gonçalves. Pergunto-vos se já sabem a verdadeira razão pela qual Duarte Gomes se demitiu da Federação e do cargo importante que assumiu. Se não sabem, perguntem diretamente a Pedro Proença que vocês apoiaram contra a vontade da maioria dos benfiquistas. Dou-vos uma pista: Hélder Malheiro, Pedro Garcia e Luciano Gonçalves. Agora, façam o vosso trabalho e pressionem.

 - Nas modalidades faz sentido termos um diretor geral desportivo. Poderiam considerar opções internas como Raul Moreira ou José Jardim. Ou considerar um nome externo como Pedro Nunes, digno benfiquista, figura respeitada das modalidades e que sabe o que é ganhar.

 Meus caros, quando não se ganha nesta casa, é porque vocês não prestaram atenção suficiente e não se sacrificaram o suficiente. Não sangraram o suficiente tal como os nossos sócios e adeptos em Madrid às portas do Bernabéu sem que vocês tivessem denunciado e exigido responsabilidades. Esforcem-se para nos unir e proteger o Benfica.

 No final, no Benfica, tal como na vida, todos estamos sujeitos a prazo. Por isso, meus senhores e minhas senhoras, o que é que vocês estão dispostos a fazer pelo Benfica? O que é que estão dispostos a fazer por todos nós? Como é que vamos ganhar já esta época sabendo que iremos sempre apoiar o BENFICA.

Viva o Sport Lisboa e Benfica.

Vai falar João Diogo Manteigas.

Sócio seguinte presta tributo a Humberto Coelho. «Espero que todos os futebolistas do Benfica saibam quem foi desportivamente Humberto Coelho», atira. Sócios levantam-se e aplaudem o vice-presidente dos encarnados.

Sócio pede demissão da Direção. Sócios respondem com aplausos e gritos de «Benfica, Benfica, Benfica».

No final da intervenção, Martim Mayer cumprimentou Rui Costa.

Discurso de Martim Mayer
Gostaria de começar por pedir uma palavra de compaixão para com todos os sócios e adeptos do Benfica que vivem na Venezuela,  para quem peço uma salva de palmas de solidariedade. 

Minhas senhoras e meus senhores, não podemos continuar a adiar o Benfica. Senhor presidente Rui Costa, o Benfica não é, nunca foi e nunca será o Real Madrid B. E o respeito pelo clube do nosso coração deve ser preservado sempre e vale muito mais do que qualquer pontinha de dinheiro. Cabe ao presidente do Benfica saber passar esse respeito. E, quando não o faz, esse respeito falta e tem consequências. Exemplos? Nos direitos televisivos, em que temos tudo para liderar, somos gigantes, somos incontornáveis, somos grandes e não estamos a liderar.  Estamos cada vez mais estão a ir contra os nossos interesses. Obviamente, na arbitragem chegámos a um ponto em que nos limitamos a queixar das injustiças e de quanto nos prejudicam. Não pode ser assim. Não podemos continuar a adiar o Benfica. Mas, lá está, se não nos damos ao respeito, ninguém nos respeita. 

Tenho aqui uma questão relativamente à SAD e às últimas movimentações à volta das ações. Quando é que passaremos a fazer uma gestão ativa da participação do clube na SAD e a saber ativamente procurar os melhores parceiros para o desenvolvimento do Sport Lisboa e Benfica no futuro?  Será quando vier outra oportunista para nos tentar comprar?  Não existe uma estratégia de desenvolvimento e também aqui estamos a adiar o Benfica. Se nada for feito agora, isto terá prejuízos profundos para o clube do nosso coração e para o seu futuro.  É imperativo atuar. O futebol está a mudar. O modelo do futebol está a mudar. Ficar no mesmo sítio significa regredir e temos que ativamente atuar. Cabe ao presidente do Benfica pôr tudo e todos na ordem. E cabe à Direção do Benfica, relativamente ao futebol e ao projeto desportivo,  definir uma estrutura estável e de médio prazo.  Caso contrário, sai Schmidt, entra Lage, sai Lage, entra Mourinho, sai Mourinho, entra [Marco] Silva e o projeto do futebol do Benfica resume-se ao treinador. O futebol precisa muito mais do que de um treinador. Precisamos de ganhar muito mais títulos, mas para isso precisamos de ter uma visão de médio prazo.  Precisamos de estabilidade que permita reforçar a identidade do nosso futebol, com pessoas concretas que executem o trabalho necessário para que todos nós olhemos para dentro de campo e todos consigam sentir aquilo que todos gostamos, que estamos a jogar à Benfica.

Nós, benfiquistas, somos muitos e bons, mas se o presidente do Benfica não tem ideias «e não comunica com os sócios e não sabe agregar os sócios, não estamos só a adiar o Benfica, estamos a destruir todos os dias o que foi bem feito no passado, desde 1904.  Vivemos a pior década do futebol do Benfica desde 1904 e por isso é urgente que esta Direção mude a sua postura e aqui deixo o meu apelo para que o faça quanto antes.

Viva o Benfica!

João Noronha Lopes cumprimentou Rui Costa depois de discursar.

«Há ainda uma questão que agradecia o esclarecimento da Direção e que tem a ver com as participações minoritárias na SAD. A decisão de bloquear a entrada de investidores norte-americanos foi acertada, mas continua por explicar a estratégia do futuro, que perfil de investidores queremos para a SAD, que mais-valias devem trazer ao Benfica, como vamos garantir que servem os interesses do clube e não apenas financeiros. A pergunta que os sócios merecem ver respondida é esta: vamos finalmente definir uma estratégia para este tema ou deixar ficar tudo na mesma?
Para terminar, senhor presidente, não se deixe embalar pelos elogios de presidentes dos nossos adversários [aplausos da plateia], Não admitimos lições de moral nem do passado do FC Porto, nem do presente do Sporting. Estamos fartos de paternalismo. O respeito não se pede, impõe-se. Os nossos adversários querem um Benfica que reaja, os benfiquistas querem um Benfica que lidere. Por isso lhe digo, vá à luta, antecipe, fale grosso quando for preciso. Porque quando um presidente defende o Benfica os benfiquistas defendem o seu presidente.

Termino desejando-lhe que com Marco Silva esta seja finalmente a época da mudança de ciclo, da ambição, da exigência e do Benfica campeão. Que venha de lá o 39 e a conquista da Liga Europa. Viva o glorioso Sport Lisboa e Benfica», finalizou Noronha Lopes.

«É importante dizer claramente uma coisa. Não fomos campeões apenas por culpas próprias. Fomos escandalosamente prejudicados pelas arbitragens. O Benfica não pode viver de desculpas, mas também não pode aceitar as injustiças em silêncio. Para isto não basta reagir. É preciso antecipar. Continuo a defender mudanças profundas para uma arbitragem mais independente, transparente e responsável. Isto não pode continuar. As propostas que apresentei no ano passado continuam à disposição do clube e espero que, juntamente com outras, contribuam, para um posição que não se limite a aguardar. O Benfica tem de liderar esta discusssão, agregar outros clubes e apresentar soluções e propostas. Porque, como vimos nos direitos televisivos, quando esperamos pelos outros perdemos», continuou.

«Os clubes vencedores não são os que melhores se justificam, são aquele que mais depressa aprendem. A humildade de saber ver o que correu mal nunca enfraqueceu o Benfica, sempre o tornou mais forte. É dessa humildade que o Benfica precisa, é isso que os sócios esperam desta Direção, que nos explique que lições tirou das últimas épocas e o que será diferente e melhor na época que vem.

O Benfica não precisa de mudar de identidade, mas precisa de voltar a encontrá-la. E dou aqui o exemplo da formação. Apostar na formação não é apenas lançar jovens na equipa principal, é protegê-los quando erram, dar-lhes tempo para crescer e não transformar cada erro numa sentença. Não podemos lançar jovens em jogos de enorme exigência e se o início não é perfeito passam rapidamente de promessa a problema e de problema a mais uma venda. Não é assim que se aposta na formação e se constrói a nossa identidade», atirou, para aplausos dos sócios.

«Quando o maior clube de Portugal vive este ciclo, a resposta não pode ser a normalização, tem de ser a exigência, a análise e a correção. A legitimidade desta Direção não está, obviamente, em causa. Foi escolhida pelos sócios e deve cumprir o seu mandato. Mas há que dizê-lo: a legitimidade ganha-se nas eleições, mas é a competência e exigência que conquistam campeonatos», prosseguiu.

Discurso de João Noronha Lopes

«O que sempre fortaleceu este clube foi a capacidade de ouvir, de aprender e corrigir porque aqui todos queremos a mesma coisa: queremos um Benfica forte e que ganhe. Por isso, hoje falo-vos como mais um entre milhares de sócios. O passado pertence ao passado, mas o futuro exige que aprendamos com ele. No ano passado, voltámos a falhar. Não foi um acidente, foi um capítulo de um ciclo desastroso que não pode continuar», começou por dizer, o candidato derrotado por Rui Costa na segunda volta das eleições.

João Noronha Lopes, Luís Filipe Vieira, João Diogo Manteigas, Martim Mayer e Cristóvão Carvalho, candidatos nas últimas eleições, estão no pavilhão número 2 da Luz na Assembleia Geral.
João Noronha Lopes vai falar dentro de momentos.

O tom das intervenções contínua a ser crítico em relação à Direção.

«Olhando para a intervenção do senhor presidente, o Benfica de hoje mede-se mais pela quantidade de desculpas que apresenta do que pela quantidade de títulos que conquista», disse o sócio Nazir Karmali, arrancando aplausos à plateia.

Imagem da Assembleia Geral — Foto: SL Benfica

«Hoje também é dia de celebrarmos os bons exemplos. O futebol feminino foi campeão nacional. Nos pavilhões, as equipas femininas conquistaram catorze dos vinte e dois títulos nacionais em disputa. Mostraram o nosso ADN vencedor e merecem o reconhecimento de todos nós. E parabéns também ao hóquei em patins, pelo 25.º campeonato, e ao râguebi, que 25 anos depois voltou a fazer história.Senhor Presidente, escreveu há poucos dias que o Benfica entra na nova época mais forte. Queremos todos acreditar nisso, porque todos queremos o mesmo. Ganhar. Por isso faço votos sinceros para que os próximos três anos tragam o 39, o 40 e o 41.Só assim o balanço destes anos se tornará positivo. Passaremos de um campeonato em cinco épocas para quatro em oito, metade dos campeonatos em disputa neste período. Não podemos esperar menos. Contem connosco para apoiar e defender este clube seja onde for. Nós contamos convosco», rematou Mauro Xavier, aplaudido pelos sócios.

Mauro Xavier, gestor com intervenções no espaço público e que chegou a ponderar candidatura às últimas eleições, falou aos sócios.
«O Benfica investiu mais de 130 milhões de euros em reforços. Terminou o campeonato sem perder um único jogo, mas empatou um terço dos jogos realizados. Acabou em terceiro, a oito pontos do campeão e a dois do segundo, fora da Liga dos Campeões. Quando se tem mais recursos do que os rivais e se ganha menos, há um problema sério de preparação, de execução e de gestão.
Os nossos erros não apagam os erros graves de arbitragem que marcaram momentos decisivos da época. Depois do que aconteceu na final da Taça de Portugal de 2024/25, esperava-se uma reação firme e uma proposta de reforma. Passou-se quase uma época e tudo ficou na mesma. Prejudicados de novo e sem resposta à altura. Escutem ativamente os sócios, não podemos continuar a ser espectadores quando atacam o nosso clube. O Benfica tem de pôr na mesa uma reforma estrutural da arbitragem e juntar os clubes que defendem a verdade desportiva para a aprovar. É assim que se usa o nosso peso institucional.
No projeto desportivo, Marco Silva será o sexto treinador em cinco anos desta Direção. Trocámos o treinador, o diretor desportivo, o scouting. Tratámos os sintomas e ignorámos a doença. O modelo desportivo continua por apresentar. O que vai ser feito de diferente? Não nos deixem a adivinhar. Expliquem aos sócios como vamos evitar o caminho que nos levou a vencer tão pouco em cinco anos», começou por dizer.

«Schjelderup iria a sair a preço de saldo em janeiro, isso demonstra como não há planeamento desportivo», queixa-se agora outro sócio, que pede apoio e proteção a Marco Silva.

«Temos Rui Costa na Direção, mas onde andam os Rui Costas no Seixal?», pergunta um sócio, que questionou o pagamento pela contratação de Rafa depois de o avançado ter saído a custo zero e a contratação de Gabriel Índio depois da saída de Gonçalo Oliveira.

Intervenções dos sócios muito críticas contra a Direção.
«O Benfica já não vive para ganhar, vive para justificar o que não ganhou», disparou um sócio, para quem «o que falta ao Benfica é Benfica».

Iniciaram-se as intervenções dos sócios.

Rui Costa: «O Benfica é um clube eclético. É isso que nos faz referência nacional e internacional. Conquistámos 17 títulos, menos um do que na época passada. Hoje podemos acrescentar mais um no hóquei, amanhã o futsal.»

Rui Costa: «Queremos e tudo vamos fazer para conquistar o campeonato nacional e ter uma presença expressiva na Liga Europa, devolver o clube ao lugar que exige.»

Rui Costa: «Não escondemos os nossos erros em fatores arbitrais, falhámos em vários planos, mas também não podemos aceitar que os nossos falhanços sirvam escamotear erros de arbitragem relevantes, que condicionaram e muito o nosso percurso e tiveram desfecho importante no desenrolar do campeonato. Nenhuma destas circunstâncias diminui a nossa responsabilidade, mas servem para enquadrar época que ficou aquém das expectativas e da qual tirámos lições importantes.»

Rui Costa: «Procurámos reforçar a equipa com novos jogadores que pudessem ter um rendimento elevado imediato, algo que, quer por erros de expectativas da nossa parte ou falta de adaptação de alguns, acabou por não acontecer da forma que queríamos, culminando na irregularidade exibicional que muito nos comprometeu em termos de classificação.»

Rui Costa: «Começando pelo futebol profissional, importa dizer com total frontalidade o que todos sentimos: a época ficou aquém da exigência que define o Benfica. A conquista da Supertaça é um título que valorizamos mas está longe de corresponder às ambições que tínhamos para a temporada. O terceiro lugar e a ausência da Liga dos Campeões não correspondem aos objetivos que traçámos nem ao investimento realizado. Não ignoramos esta realidade nem procuramos escondê-la. Assumimos esse desfecho com sentido de responsabilidade e convicção de que o Benfica tem de ocupar o lugar que lhe pertence: ser campeão nacional.»

Depois de José Pereira da Costa, presidente da MAG do Benfica, tem a palavra Rui Costa, presidente do Benfica.

Já há movimentações no Pavilhão n.º 2 do complexo do Benfica, que se prepara para a reunião magna.

Bom dia! Decorre este sábado a assembleia-geral do Benfica, para apreciar e discutir o planeamento, a gestão e os resultados desportivos da época 2025/26 de futebol e das restantes modalidades, no Pavilhão n.º 2 do clube, na Luz, a partir das 08:30, seguida de outra assembleia-geral para apreciar e votar o orçamento de despesas e receitas, o plano de investimentos e o parecer do conselho fiscal, para a época de 2026/27, às 14:00.

O processo deliberativo ocorre por voto eletrónico, no Pavilhão n.º 2, no site oficial do Benfica e na App oficial do clube.


A iniciar sessão com Google...