Razões da contratação de Marco Silva? O modelo de jogo? — «Precisamente a capacidade que nós entendemos que o Marco Silva tem. E não é diferente o modelo de jogo do Marco Silva, sendo parecido e quase idêntico àquilo que nós temos utilizado nos últimos anos; portanto, também teve essa influência, e grande influência teve. É um treinador que está pronto para pegar neste plantel e fazê-lo funcionar, e é nisso que nós acreditamos. E depois, pela carreira que o Marco Silva tem tido e pelo facto de ser um profundo conhecedor do futebol português. Muito embora esteja há nove anos lá fora, não deixou nunca de acompanhar o futebol português e está muito identificado com aquilo que são as raízes do Benfica, os pergaminhos do Benfica e as exigências do Benfica. Era preciso também, sobretudo no momento em que vimos de um ano que não foi bom, alguém que tivesse a coragem e a força para segurar a equipa do Benfica neste momento e pô-la a funcionar como nós todos esperávamos.
Renovação de António Silva inclui a braçadeira de capitão? — «O que está em causa é a renovação de contrato. Os capitães do Benfica, a menos que haja aqui uma revolução, mantêm-se como estavam até aqui. Portanto, o António Silva, o Fredrik Aursnes e o Tomás Araújo continuam a ser a linha de sucessão dos capitães.»
Legado de José Mourinho — «Todos os treinadores, de uma forma ou de outra, deixam uma marca no clube, na estrutura, nos jogadores, naquilo que é o seu espaço de trabalho. Um treinador com a experiência do José Mourinho e com a capacidade do José Mourinho, evidentemente, deixou qualquer coisa de muito importante também para nós. E daí eu reconhecer que o trabalho que ele estava a desenvolver merecia a sua continuidade, e foi isso que nós propusemos. Portanto, estou grato àquilo que ele tentou fazer no Benfica, sou testemunha do que procurou melhorar na equipa e fazê-la chegar aos títulos. Mas, como eu disse e tenho dito — e eu percebo que esta seja uma conferência de imprensa em que se fale muito desta história do José Mourinho, porque é a mais quente do momento —, neste momento nós já estamos a preparar a próxima temporada.»
Fazer frente a Sporting e FC Porto? — «Não estou aqui para ser o menino querido de toda a gente, estou aqui para defender os interesses do Benfica. O facto de essa questão ter sido levantada por terceiros não significa que, por me considerarem um senhor, eu esteja aqui a dormir ou esteja aqui a ver os outros passar.»
O que aconteceu com Zalazar, que era desejado pelo Benfica mas acabou no Sporting? — «Conhecem alguma proposta do Benfica ao SC Braga pelo Zalazar? É que se tiver de analisar todos os jogadores que saem na imprensa e que são dirigidos ao Benfica, temos de fazer uma conferência de 24 horas. Não era um jogador que, àqueles valores, interessasse ao Benfica.»
Campeonato real e virtual — «Nós temos-nos pronunciado sempre que consideramos que essas questões aparecem no futebol português. Não podemos ficar parados com isso. Temos exposto às entidades competentes a nossa tristeza e o nosso mal-estar a ver aquilo que se tem passado. Aquilo que o José Mourinho disse era aquilo que nós sentimos. Nós este ano sentimo-nos, em várias situações, muito e muito prejudicados pela arbitragem. Não vou esconder isso. Quero dizer, não vou estar aqui, só pelo facto de não termos conseguido os nossos objetivos, a esconder uma coisa que foi um facto. Independentemente de, como eu já disse anteriormente, não ser essa a única razão que nos levou ao fracasso deste ano, também contribuiu para isso. E não me lembro de uma equipa ser tão prejudicada quanto nós fomos. E o José Mourinho, quando falou, e quando eu falei, tínhamos razões e dados objetivos para estar a falar daquilo que estávamos a falar. Portanto, já fizemos as exposições todas ao Conselho de Arbitragem e exigimos uma transparência e uma dualidade de critérios completamente diferentes daquela a que temos assistido ao longo deste último ano, sobretudo, mas que já vinha da época passada. E acreditamos e exigimos que a próxima temporada seja de igual modo para todos os clubes. É isso que nós queremos: não queremos ser beneficiados em nada, mas não podemos continuar a ser prejudicados como temos sido.»
No comunicado à CMVM fala-se de um contrato de dois anos com Marco Silva com o opção extensível a mais um ano. Que opção é essa? — «É uma opção de campeão nacional. Se for campeão nacional, estende mais um ano.»
Que faria se Florentino Pérez não ganhasse as eleições no Real Madrid? — «Já respondi anteriormente, já respondi. O Mourinho não seria mais treinador do Benfica, face a todas essas circunstâncias. Num acordo feito entre as partes, de forma amigável, neste momento ele iria sair do Benfica.
Houve conversa final entre Rui Costa e José Mourinho? Como ficou a relação? — «A relação é boa. Não adianta criarem especulações entre mim e o José Mourinho. Respeito a decisão que ele tomou. Não ficámos parados e já temos treinador para a próxima temporada. É assim que funciona nos clubes e é assim que tem de funcionar.
Renovação com António Silva/momento em que soube que Mourinho iria para o Real Madrid — «A nossa competência é renovar com os jogadores que entendemos que merecem essa renovação. A competência deles é aceitar ou não aceitar. Portanto, eu espero que ele aceite a renovação, como é óbvio. Espero que ele aceite a renovação que a direção lhe pôs à frente. O momento em que soubemos, e por isso toda esta situação: soubemos na semana em que depois são marcadas as eleições do Real Madrid e, portanto, é feito o desfecho do processo. Porque eu acredito até que as eleições do Real Madrid tenham apanhado toda a gente de surpresa. Não apanharam de surpresa só o Benfica naquele processo, mas até apanharam o próprio José Mourinho de surpresa. Portanto, o prolongar deste tempo teve a ver com isso e não com outra coisa. Quanto à conferência de imprensa do José Mourinho, não quero estar a repetir essas situações, mas aquilo que ele usou e aquilo que ele disse naquela conferência era a comunicação que tinha tido comigo durante aquele período.»
Desilusão com o trabalho de Mourinho e renovação de Schjelderup — «Se ficasse desiludido com o trabalho de Mourinho não lhe dava uma proposta de renovação. Quanto à proposta do Schjelderup, está na mão dele. Não é urgente, não está no último ano de contrato. Vamos aguardar pela resposta do jogador. Está agora no Mundial e, quando regressar, conversaremos com ele.»
Arbitragens — «Bom, a época correu mal. Foi uma época do Benfica que foi atípica em muitos aspetos. E falando aqui um bocado da época também e justificando-a aos adeptos do Benfica: é uma época atípica em vários aspetos. Nós agora estamos aqui a falar desta situação da Liga Europa que nos vai fazer antecipar a pré-temporada. Nada é mais preocupante do que aquilo que aconteceu no ano passado. Desde logo, a forma como ela começou, vindo do Mundial e começando a competir passados 15 ou 20 dias, sem descanso, sem férias, sem pré-temporada. Isso custou-nos bastante, muito mais do que aquilo que é o período que mudei agora para começarmos a pré-temporada. Nessa altura, tivemos um foco muito grande nas duas competições que tínhamos pela frente no imediato. Portanto, sem as férias e sem a pré-temporada, fomos quase do Mundial diretos para a Supertaça e para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões — um objetivo de enorme importância para o clube e que foram ambos alcançados, mas que levou a uma dureza e a um sacrifício enorme da parte dos atletas e de toda a estrutura, porque ninguém conseguiu desligar de uma temporada para a outra. Isso acabou por nos fazer pagar a fatura depois de conseguirmos a entrada na Liga dos Campeões. Tivemos aqui uma descarga enorme, quer física, quer mental, que nos custou bastante depois em alguns jogos do campeonato. Durante o campeonato tivemos erros que não podíamos ter tido. Portanto, voltando ao que é atípico, acaba por ser atípico um clube acabar um campeonato sem derrotas e terminar em terceiro lugar, mas é evidente que um clube que joga para ser campeão não pode ter 11 empates durante um ano e perder 12 pontos em casa. Ficámos praticamente afastados do título precisamente por esses nossos erros, de muitos empates e sobretudo em casa, em momentos cruciais, que não podiam ter acontecido e que nos fizeram correr contra o tempo. E aí a responsabilidade é totalmente nossa e não poderia ter acontecido. Agora, se nós cometemos muitos erros durante o ano que nos prejudicaram — e não posso fugir deles —, também não podemos escamotear tudo aquilo que se passou em termos da arbitragem. Não me escondo atrás da arbitragem para justificar uma época negativa, mas também não posso, por ter tido uma época negativa, esquecer-me daquilo que foi feito em termos de arbitragem este ano. Eu não me lembro, sinceramente, de um clube ter sido tão prejudicado durante um ano como foi o Benfica este ano. Nunca. E se isso teve implicações na classificação final, claro que teve. E não podemos ficar indiferentes a isso. Repito aquilo que disse: não me vou esconder e não vou dar desculpas de uma má época, que a assumo e pela qual até me responsabilizo e peço desculpa, mas também não posso esconder o facto de que aquilo que se passou em termos de arbitragem não pode ser esquecido, porque nós cometemos outros erros que nos condicionaram a classificação final. Foi um ano em que os casos foram muito flagrantes e vocês próprios, enquanto imprensa, foram comentando esses casos ao longo da temporada e ao longo dos prejuízos que o Benfica ia tendo nos seus próprios jogos. Portanto, aquilo que nós pedimos e exigimos é que o Benfica seja respeitado como o que é e que o próximo ano seja bem diferente do que foi este ano. Já tínhamos vindo de uma Taça de Portugal da maneira como tínhamos vindo, e aquilo que se passou no ano passado chegou a roçar o escandaloso, como foi o caso de Famalicão, pelo qual me deram 45 dias de castigo com os quais vou ter de levar. E o árbitro que apitou aquele jogo ainda ontem estava a fazer de quarto árbitro.»
Cláusula de rescisão e apresentação de Marco Silva e candidatura à conquista da Liga Europa — «A cláusula tem o mesmo valor, de €15 milhões. Marco Silva será apresentado amanhã [sexta-feira]. Não nos podemos esconder. Temos três pré-eliminatórias para chegarmos à Liga Europa. Caindo numa liga que não é a dos Campeões o Benfica tem de ser um dos candidatos. Não estou a dizer que vai ganhar a Liga Europa mas tem de se assumir como um dos candidatos. A nossa parte financeira também nos permite passar uma época sem Liga dos Campeões e não termos um sobressalto maior, pese embora, e isso perceba-se, que a ausência da Liga dos Campeões tem o seu impacto e estamos preparados para ultrapassar isso também. Não vai ser por essa razão que não vamos apetrechar a equipa e fazer um papel digno dos pergaminhos do Benfica e lutar por todas as competições. Que isso fique muito claro.»
Depois do grande voto de confiança dos benfiquistas nas eleições com maior participação de sempre, acaba a época apenas com uma Supertaça, e sem o acesso à Liga dos Campeões. É a sua pior temporada enquanto presidente do Benfica? Que explicações pode dar sobre o que correu mal? — «A pior que tive enquanto presidente foi a primeira. Não ganhámos nada e não fomos a lado nenhum. Ficámos em terceiro, acabámos por ir à Liga dos Campeões. Este ano é frustrante. Sem rodeios, tem de se assumir que foi um ano muito negativo da parte do Benfica e, por isso, peço desculpa a todos os benfiquistas, por um ano que acabou por defraudar todas as nossas expectativas. O que tenho a fazer agora é corrigir o que não correu bem este ano, e foi muita coisa que não correu bem, e entrar para a próxima temporada com o otimismo, esperança e assertividade que este clube tem de ter. Essas são as nossas premissas. Estamos a trabalhar para que isso possa ser viável e para acontecer o que todos os benfiquistas querem, que são os títulos que não tivemos este ano.»
Marco Silva e o projeto — «Vamos por partes. Ora, desde logo, enquanto a imprensa já dizia que o Marco Silva exigia fazer o plantel e isto e aquilo, ainda nem sequer tínhamos chegado a acordos financeiros. Portanto, também para desmistificar aqui um bocadinho, o Marco Silva mostrou desde o princípio um grande interesse em vir para o Benfica. É evidente que ir buscar um treinador à Premier League nunca é fácil, e houve aqui o respeito de nós percebermos o valor do Marco Silva, bem como o respeito do Marco Silva perceber que vinha para Portugal e, portanto, que não podia ter aqui valores que fossem similares àquilo que se paga no campeonato mais caro do mundo. Em relação àquilo que é o projeto, está basicamente identificado. Há a vantagem de ele ser português e, portanto, ao longo do ano ter assistido aos jogos do Benfica e estar a par daquilo que são as lacunas ou as virtudes do plantel. Neste momento, estamos a trabalhar com ele. Não vou estar aqui a referir o que é que ele já pediu ou deixou de pedir. É um treinador exigente, ainda bem para nós, e nós iremos tentar chegar a um consenso para, dentro das possibilidades do clube, formar o plantel que consideremos o melhor para atacar todas as frentes. Toca-nos — vou assumir aqui claramente — um ano diferente. Há pouco fazia-me uma pergunta sobre o facto de não termos chegado à Liga dos Campeões. O primeiro passo, evidentemente, é entrar na Liga Europa, uma vez que temos pré-eliminatórias para lá chegar, e depois assumirmo-nos como um dos candidatos a vencê-la. Além disso, temos as provas nacionais que nos faltam, o campeonato que nos escapa há três anos, e queremos ter uma equipa e um plantel prontos para atacar todas essas frentes. As conversas têm sido muito positivas, vejo o Marco muito otimista e também confiante com a matéria-prima que temos em casa. Evidentemente, serão necessários mais alguns reforços, que já foram aqui de alguma maneira falados, mas para já posso dizer que há um grande otimismo da parte do Marco e estamos também muito satisfeitos com a positividade que ele está a trazer nestes primeiros dias. Até agora, o mercado está muito parado. Não estamos com urgência em ter de fazer vendas neste momentos. Já garanti isso aos benfiquistas: não vai ser a ausência na Liga dos Campeões que nos vai precipitar a tomar algumas medidas que possam ser prejudiciais ao plantel.»
Não dizer não ao Benfica — «Essa foi uma frase do José Mourinho, não foi uma frase minha. Foi uma frase do José Mourinho. Considero que o José Mourinho escolheu um outro caminho para a carreira dele e, portanto, vou respeitar isso.»
Disse que o Benfica está a preparar a próxima época. Quem é que preparou essa pré-época? O que espera das próximas Assembleias Gerais? — «Quem está a preparar é a estrutura do Benfica, para dar ao treinador que chegou agora as melhores condições para poder decidir em conformidade. Não ficámos à espera que tudo passasse para vermos o que precisávamos ou deixávamos de precisar para darmos agora alguma coisa que o treinador precise ou venha a precisar. Já tem em posse dele — sabem que já está a trabalhar — o relatório da época passada, do que consideramos que não funcionou bem, para se fazer o 'fato à medida' do nosso novo treinador. Este período, repito, foi um momento chato porque estivemos neste silêncio, mas não estivemos sem trabalhar e sem preparar a próxima temporada, até porque há muito a fazer.
Espero Assembleias Gerais à Benfica. Espero que sejam respeitosas. Espero críticas, naturalmente, porque foi um ano em que não ganhámos o que tínhamos de ganhar, mas que sejam respeitosas.»
E se Florentino Pérez perdesse as eleições? — «Tínhamos todos os cenários ponderados. Depois deste tempo e turbilhão à volta das eleições do Real Madrid e da continuidade ou não de José Mourinho, tivemos de preparar a próxima época e José Mourinho não seria treinador do Benfica na próxima temporada. Havia um acordo de cavalheiros, no qual ficou que o Benfica não seria prejudicado [se Florentino Pérez perdesse as eleições no Real]. Ambas as partes chegaram a acordo e ninguém seria prejudicado. Desiludido? Não, foi um imprevisto, tenho de respeitar e seguir em frente.»
Estava a par desde o primeiro momento do interesse do Real Madrid e de possíveis conversas de Mourinho com Florentino Pérez? Sentiu-se atraiçoado quando, depois de fazer a proposta de renovação, Mourinho recusou? — «Mourinho nunca nos escondeu que tinha havido uma aproximação do Real Madrid. O resto teve o seu percurso. Basta lembrar a última conferência de imprensa de José Mourinho ao serviço do Benfica. Ele próprio, naquele dia, disse que havia grandes possibilidades de continuar no Benfica. Fizemos uma proposta séria a José Mourinho e aceitámos que ele tivesse tido uma outra opção na carreira. É tão simples como isso. É um caso já ultrapassado. José Mourinho vai ser treinador do Real Madrid e o nosso treinador vai ser Marco Silva.»
Se o Benfica não ganhar títulos, mais concretamente o campeonato, vai convocar eleições antecipadas? Marco Silva é o plano B, mas falou-se também do interesse em Ruben Amorim. Marco Silva é, então, o plano C? — «Não posso esconder uma situação dessas nem o Marco está longe dessa tomada de decisão. Se apresentámos uma proposta de renovação a José Mourinho, Marco Silva só chega ao Benfica porque Mourinho não aceitou. Isso é uma coisa óbvia, não é uma coisa que seja para esconder. Em relação a todos os nomes que foram falados na imprensa, deixem-me dizer-vos uma coisa muito clara e muito transparente. Em Portugal gosta-se muito desta questão de 'é a primeira escolha, é a segunda, é a terceira'. É uma questão corrente em Portugal. Mas não há nenhum clube desta dimensão que não faça uma shortlist de treinadores possíveis ou não possíveis. Não vou estar aqui a falar em nomes que foram ou não contactados, ou que foram ou não oferecidos ao Benfica. Vou dizer, claramente, que assim que Marco Silva se mostrou disponível e com vontade de vir treinar o Benfica, o nosso foco foi, unicamente, Marco Silva. [Sobre a possibilidade de eleições antecipadas] Neste momento tenho de pensar é como é que o Benfica conquista títulos. Não no momento em que o Benfica não conquista títulos.»
Plantel todo no mercado? — «Não são todos negociáveis, não pusemos todos os jogadores à venda, sabemos, não escondo, o facto de não termos Liga dos Campeões vai obrigar a alguns esforços, mas queremos manter o grosso do plantel as pedras mais importantes do plantel, e retoca-lo. A saída de Otamendi vai obrigar a reforçar nessa zona central da defesa, e um ou outro reforço e depois no que o mercado nos vier a dar, iremos mexer. A ausência da Champions pesa em qualquer clube, mas iremos estar prontos para investir no mercado e apetrechar a equipa para lutar por todas as competições.»
A proposta de renovação -— «Não deixa de ser engraçado que ainda seja tão criticado por, em março de 2023, ter renovado com um treinador que então levava 10 pontos de avanço no campeonato… E agora ser criticado pelo contrário. Nós decidimos os timings. Mourinho sempre soube da minha parte que não iria começar a próxima temporada sem proposta de renovação de contrato. Conversávamos todos os dias. Entendemos alongar e no final da temporada falaríamos da renovação. A proposta oficial surge antes da última jornada, quando sabíamos que a esperança de chegar ao segundo lugar era remota. Portanto, a proposta de renovação não teve a ver com o segundo ou terceiro lugar.»
Na era Rui Costa há Jorge Jesus, Nélson Veríssimo, Roger Schmidt, Bruno Lage e José Mourinho. Quatro treinadores portugueses, um estrangeiro, e só ele teve sucesso. Porquê a aposta num treinador português novamente? — «Faltou-me uma resposta sobre a quantidade de treinadores que o Benfica teve. O Benfica vai mudar de treinador porque o treinador entendeu que saía neste momento. Não foi uma decisão de mudar de treinador neste momento. Assim como aconteceu com Jorge Jesus, quando, em dezembro, havia o Flamengo pelo meio e gerou a complicação que gerou. Procuro, e procurarei sempre, que os nossos treinadores tenham o maior prazo possível no clube. No caso de Mourinho, a explicação é fácil. O próprio escolheu um novo projeto.
A aposta no treinador português visa duas coisas. Uma é que gosto de treinadores portugueses e acredito nos treinadores portugueses. Outra é que considero que Marco Silva é um grande treinador que está no momento ideal da carreira para treinar um clube como o Benfica. A partir do momento em que pude chegar a Marco Silva, as escolhas que poderia vir a ter ou não ficaram completamente eliminadas.»
A cláusula de José Mourinho — «Vamos esclarecer essa cláusula. Quando foi feita em período eleitoral e foi feita para se eu não ganhasse as eleições quem chegasse ao Benfica pudesse ter uma mobilidade diferente. Continuar ou não com Mourinho, cláusula mais baixa. Essa cláusula valia para o Benfica e José Mourinho, os tais sete milhões. Em qualquer momento, mesmo no período de 10 dias, qualquer clube que quisesse José Mourinho teria de pagar 15 milhões de euros, era o valor da transferência. A cláusula era apenas válida para o Benfica e José Mourinho, entre as duas partes unicamente. Em nada interferiu na continuidade ou não de José Mourinho.»
Quando apresentou a proposta de renovação, Mourinho já tinha dito alguma coisa do Real Madrid? Quando é que o Benfica receberá os €15 milhões? — «Os acordos estão todos feitos. Ainda não recebemos os €15 milhões, mas estão garantidos e a chegar a qualquer momento. Faz parte das burocracias e dos processos, sobre isso não há questão. Sobre se já havia alguma aproximação do Real Madrid no momento da proposta de renovação, basta relembrar a última conferência de imprensa de José Mourinho, na qual ele disse que havia 99% de hipóteses de ficar no Benfica, porque tinha uma proposta firme e boa, e do Real Madrid não tinha nada. Não fizemos uma proposta por haver a 'questão Real Madrid'.
Vamos pôr de parte essa ideia de que Rui Costa, ou o Benfica, apresentou uma proposta porque sabia que José Mourinho ia para o Real Madrid, como tanto ouvi na nossa comunicação social, porque, se se lembrarem, a primeira vez que me é perguntado se José Mourinho continua no Benfica, é no sentido inverso: foi depois do jogo com o Casa Pia, perguntaram se Rui Costa continuaria com José Mourinho. E naquela semana, pós-empate com o Casa Pia, antes do jogo de Alvalade, assumi que Mourinho era o treinador para o ano seguinte. Quando apresentei a proposta a José Mourinho, era na convicção de que pudesse ser aceite e de que ele continuasse no Benfica.»
Mourinho com a camisola do Real Madrid — ««Na primeira situação fiquei incomodado, não vou esconder, mas recebemos uma explicação clara de como isso tinha sido processado e internamente ficou tudo resolvido. Obviamente, a explicação partiu de José Mourinho.»
Benfica nas mãos de Mourinho? Preparação da época atrasada? — «O Benfica não ficou nas mãos de José Mourinho ou do Real Madrid, apenas teve de aguardar o desfecho eleitoral do Real. Em nenhuma circunstância ficámos na mão de alguém, controlámos sempre a situação, todos os cenários fora, acautelados e analisados e estávamos prontos para qual cenário que houvesse do lado de lá. O facto de termos aguardado, não significa que o clube estivesse parado. Nunca esteve parado, ou bloqueado, trabalhou sempre para poder estar pronto no início da temporada. A única coisa que altera aqui em relação às expetativas é que o primeiro jogo seria no campeonato, e depois da Taça de Portugal passou a ser nas pré-eliminatórias da Liga Europa. Tivémos que mexer na pré-temporada, mas nada deste processo — esta é uma garantia que dou aos sócios do Benfica — atrasou a preparação da pré-temporada. Vamos entrar nas pré-eliminatórias da Liga Euroopa com tudo planeado e escalonado. Ainda que este seja um ano de Mundial e temos ainda de esperar pelos nossos jogadores que estão no Mundial. Nada disto atrasou o nosso andamento.»
José Mourinho tinha contrato até 2027. Porque apresentou proposta de renovação? Marco Silva é o sexto treinador de Rui Costa em cinco anos. O sucesso de Marco Silva será fundamental para o seu sucesso como presidente do Benfica? — «O sucesso de Marco Silva será fundamental para o sucesso do Benfica. É isso que esperamos. Sobre a proposta a José Mourinho: fizemo-na na altura em que entendemos fazê-la. Fomos conversando ao longo dos tempos e Mourinho sabia perfeitamente que era o treinador que eu queria para a próxima época. Tinha contrato com o Benfica e entendíamos que, no final da temporada, renovaríamos esse contrato e não o deixaríamos começar o último ano dele estando a um ano do fim do contrato. A escolha de José Mourinho foi outra, apareceu o Real Madrid no meio e tomou outra opção.»
O QUE ESPERA DE MARCO SILVA NA PRÓXIMA TEMPORADA? — «Espero o que todos os benfiquistas esperam quando se contrata um treinador para um clube desta dimensão. Que consiga trazer os títulos que ambicionamos. Acreditamos plenamente que o Marco é o treinador ideal para o Benfica. A sua experiência em Inglaterra e o que tem feito ao longo da carreira dá-nos esta esperança. Estou muito satisfeito com esta escolha e muito ambicioso para aquilo que é o futuro do Benfica, com um treinador que acredito que nos traga aquilo que desejamos.»
A RAZÃO DE SÓ FALAR AGORA — «Penso que já está toda a gente a par dos motivos que me levam a falar só agora. Como se lembram após o jogo do Estoril do campeonato, o próprio José Mourinho disse que ia decidir o seu futuro naquela semana, e a partir do momento em que se meteram eleições no Real Madrid e José Mourinho assumiu que iria aceitar a proposta do Real Madrid, na eventualidade de Florentino Pérez ganhar as eleições, nós tivemos de ser mais prudentes e pacientes a gerir esta situação, ter a situação sob controle e aguardar para dar explicações não só sobre a época, mas sobre o futuro do Benfica, com ou sem José Mourinho. Não podíamos ser levianos numa situação destas. Lamento só falar agora, mas foi um processo que demorou mais do que estávamos à espera, e tivemos de ser prudentes para não cometermos um erro, não poderíamos dar o primeiro passo.»
Começou agora a conferência de imprensa de Rui Costa.
Está em marcha a mudança na liderança técnica da equipa encarnada. Será um dos temas em análise na conferência de Imprensa de Rui Costa, presidente do Benfica, esta quinta-feira.
O presidente do Benfica havia anunciado que prestaria esclarecimentos sobre a época 2025/26 e o futuro aos sócios e adeptos.
Seja bem-vindo ao acompanhamento ao minuto da conferência de imprensa de Rui Costa, que tem início marcado para as 18 horas.