2.ª mão meias-finais: quantos quilómetros faltam?

Notícia Patrocinada: Star Fans UCL 2.ª mão meias-finais: quantos quilómetros faltam?

NOTÍCIA PATROCINADA06.05.202412:33

Quando tinha doze anos os meus pais abraçaram a ideia de um vizinho e as nossas férias foram passadas numa viagem de carrinha a acampar pela europa. Todos os anos definíamos um destino como Paris ou Amsterdão. Arrancávamos de Paredes numa carrinha de nove lugares e até a preparação era um acontecimento. A mala cheia de mantimentos contados meticulosamente para evitar gastos excessivos, fogãozinho portátil, tendas de campismo, eu a aprender a ler mapas, sempre a tentar dar dicas de como evitar as “péages” e lá íamos.

Regra geral ficávamos apenas uma noite em cada cidade até à chegada ao destino. Começávamos de manhã cedinho e prosseguíamos sempre com a minha irmã, ainda mais miúda do que eu, a marcar o compasso: quanto tempo falta? Quanto tempo falta? Depressa percebeu que trocaria o tempo pela distância: quantos quilómetros faltam?

Eram sempre muitos, imensos, mais do que achávamos que poderiam existir. Viajávamos com um destino em mente, mas aprenderíamos a saber esperar, a perceber que embora o destino fosse o sonho de miúdas, sobretudo quando se tratava da Disneyland Paris, o que vivíamos mais intensamente era a viagem, o que acontecia durante aquela infindável contagem de quilómetros. Este tem sido o meu percurso nesta viagem Champions. A princípio o deslumbramento era Wembley, e ainda é, mas isto não sobre queimar etapas, ter pressa de chegar, é viver o jogo, o presente, desfrutar.

Faltam dois jogos para apurar os finalistas da Liga dos Campeões e o caminho até aqui tem sido rico em futebol arte. Não são só golos que vemos em loop, são assistências, aberturas, dribles, são exibições para emoldurar. Tudo isto cabe no jogo que abre a segunda mão das meias-finais: PSG – Dortmund. A equipa alemã mantém o invejável registo em casa: seis jogos, zero derrotas e chega a Paris com vantagem de um golo e uma caminhada quase irrepreensível. O jogo na Alemanha foi rico em duelos de uma ponta à outra do campo, foram micro jogos dentro de um jogo e 1-0 parece pouco face às oportunidades desperdiçadas pelas duas equipas. O PSG tem alguns dos melhores jogadores da competição, individualmente oferece-nos bom futebol espetáculo, mas isso por si só, não garante vitórias. A equipa de Luis Enrique precisa de ser mais do que um catálogo de jogadores notáveis se quiser manter a esperança de conquistar o primeiro troféu Champions.

Comecei por dizer que o caminho desta viagem era prazeroso e não vos menti. O último jogo antes da chegada ao destino tem morada no Bernabéu e tudo em aberto. A primeira mão do Real Madrid – Bayern ainda me faz suspirar. Houve golaço de Sané, exibição galáctica de Vini Jr, porém é a exibição, assistência e visão de Kroos que me faz contar as horas para o próximo encontro. O jogo onde o domínio foi partilhado por fases acabou com um empate a 2. O Real apareceu com preponderância, mas sem grande exuberância, parecia estar a querer dizer que queria decidir tudo em casa, só para nos deixar ainda mais agarrados.

Kane dizia na flash pós-jogo que se mudou para o Bayern para ganhar títulos, que a expectativa era essa, mas também para viver jogos como estes, para fazer parte destes grandes momentos da Liga dos Campeões. Jogar entre os melhores com os melhores, é um desejo partilhado por jogadores profissionais experientes em grandes competições e miúdos que jogam no intervalo da escola. Poder vê-los jogar é manter acesa a paixão pelo futebol. Disfrutemos da viagem Champions.